O que poderia ter se transformado em uma ruptura maior terminou com uma solução que preserva aquilo que o Progressistas mais precisava preservar neste momento: sua unidade.
A decisão de retirar dos VTs as identificações de João Rodrigues e Antídio Lunelli recoloca a propaganda no ponto em que deveria ter permanecido desde o início: cada candidato apresentando sua candidatura e o partido apresentando seus candidatos e seu candidato ao Senado. É uma solução que encerra, pelo menos no campo da propaganda, uma crise que chegou a envolver ofícios, candidatos e a Justiça.
A força da maioria
O episódio também revelou algo que já estava claro desde a convenção, mas que ganhou contornos mais concretos durante a crise: a maioria do Progressistas em Santa Catarina tem uma posição política diferente daquela defendida por Esperidião Amin na disputa pelo Governo do Estado.
A maioria da base está com Jorginho Mello. Isso não significa que o partido precise romper sua convivência interna ou transformar essa diferença em uma guerra.
E foi justamente aí que a Executiva demonstrou força e maturidade política. Em vez de aprofundar o conflito, preservou o espaço para que diferentes posições convivam dentro do partido, sem permitir que uma escolha eleitoral individual se sobreponha à identidade das candidaturas do Progressistas.
A unidade, nesse caso, não significa unanimidade. Significa compreender que o partido é maior do que a divergência entre seus líderes.
Amin sai chamuscado
É difícil, porém, não reconhecer que Esperidião Amin sai chamuscado de um embate que poderia ter sido evitado.
O senador tem legitimidade para defender sua posição política e apoiar o projeto que considerar melhor. O problema não está na divergência. Está no fato de que uma questão que poderia ter sido resolvida politicamente acabou transformada em uma disputa formal, envolvendo os próprios candidatos do partido e chegando à Justiça.
No fim, a solução encontrada foi justamente aquela defendida pelos 17 candidatos: os VTs voltam sem as identificações de João Rodrigues e Antídio Lunelli.
Não é uma derrota política de Amin. Mas também não é possível tratar o episódio como se nada tivesse acontecido.
A crise expôs uma fragilidade que a convenção havia conseguido administrar: existe uma diferença entre a posição institucional assumida pelo partido e a posição política de boa parte de sua base.
Agora, essa diferença está mais visível.
O que fica
O mais importante é que o Progressistas conseguiu evitar que a divergência se transformasse em ruptura.
A retirada dos nomes dos candidatos ao Governo e ao Senado dos programas de televisão não resolve todas as diferenças políticas existentes dentro do partido. Mas estabelece um terreno comum: cada candidato poderá apresentar sua candidatura, defender suas posições e disputar seus votos sem carregar, no material partidário, uma associação política que não representa sua escolha.
Sobretudo, talvez essa seja a principal lição do episódio: política também é saber até onde avançar e, principalmente, quando recuar.
O Progressistas demonstrou que pode conviver com posições diferentes sem perder sua unidade. A maioria a favor de Jorginho mostrou força, mas também maturidade para não transformar essa maioria em instrumento de divisão. Não precisou gritar, romper ou impor uma derrota. Bastou estabelecer um limite e preservar o partido.
Amin, por sua vez, sai desse episódio com um desgaste que não precisava existir. Não perdeu sua candidatura, não perdeu sua liderança e tampouco deixou de defender sua posição. Mas perdeu algo que, em política, é mais difícil de recuperar: a percepção de que determinadas disputas poderiam ter sido resolvidas dentro de casa.
Agora, a crise dos VTs termina. A disputa eleitoral, não. E o desafio do Progressistas passa a ser transformar essa solução em reconstrução de confiança.
Porque, no fim, a unidade não é fazer todos pensarem igual. É saber conviver quando pensam diferente.
E o Progressistas mostrou que sua maioria pode ser firme sem deixar de ser madura. Amin terá de mostrar que também entendeu isso.
A eleição seguirá para a rua. E lá, mais do que qualquer VT, serão as relações, a confiança e a disposição de pedir voto que dirão quem realmente saiu fortalecido desse episódio.


























