Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Acordo do Progressistas é rompido por Amin e 17 candidatos reagem

Screenshot

publicidade

A convenção estadual do Progressistas terminou com um acordo político bastante claro. O partido não precisaria produzir uma unanimidade artificial na eleição para o Governo do Estado. Aqueles que apoiassem João Rodrigues seguiriam com João. Aqueles que apoiassem Jorginho Mello continuariam apoiando Jorginho. O compromisso comum seria outro: preservar a unidade partidária, eleger o senador Esperidião Amin e buscar o maior número possível de deputados federais e estaduais.

Foi essa fórmula que permitiu ao Progressistas atravessar sua convenção sem uma ruptura pública. A chamada maturidade eleitoral significava justamente isso: reconhecer que havia posições diferentes dentro do partido e encontrar uma forma de convivência que não transformasse a disputa pelo Governo em uma guerra interna. Cada candidato manteria sua posição na disputa majoritária, enquanto a estrutura partidária seria preservada para fortalecer as candidaturas do próprio Progressistas.

Esse acordo, segundo os 17 candidatos que assinam o documento encaminhado nesta quarta-feira a Esperidião Amin, foi quebrado unilateralmente pelo senador.

O problema deixou de ser João ou Jorginho

O episódio desta quarta-feira muda a natureza da discussão. Dezessete candidatos do Progressistas, entre estaduais e federais, encaminharam um ofício ao presidente estadual do partido, Esperidião Amin, pedindo a retirada de peças de propaganda eleitoral que, segundo eles, foram alteradas depois da gravação e passaram a exibir os símbolos de João Rodrigues, candidato ao Governo pelo PSD, e de Antídio Lunelli, candidato ao Senado pelo MDB.

O ponto central do documento não é a existência de candidatos do Progressistas apoiando João Rodrigues. Isso já estava previsto no entendimento construído antes e durante a convenção. O problema apontado pelos candidatos é outro: eles afirmam que seus vídeos foram utilizados para associar suas imagens a candidaturas majoritárias que não apoiam, sem que tivessem autorizado essa inclusão.

E essa diferença é fundamental.

Uma coisa é o Progressistas ter candidatos que votam em João Rodrigues e outros que votam em Jorginho Mello. Outra, completamente diferente, é um candidato que apoia Jorginho aparecer em uma peça de televisão associado a João Rodrigues e Antídio Lunelli sem ter autorizado essa associação.

O ofício é explícito ao afirmar que houve uso não consentido da imagem e do tempo de televisão destinado às candidaturas proporcionais. Os signatários pedem a suspensão imediata do material e sua substituição pela versão originalmente gravada. Como alternativa, caso isso não aconteça, pedem a retirada de suas participações dos programas eleitorais oficiais.

É importante observar que os próprios candidatos não estão questionando, no documento, o direito de Amin defender João Rodrigues. O que questionam é a utilização de suas imagens para produzir uma associação política que dizem não ter autorizado.

O acordo tinha uma lógica

É importante lembrar como esse desenho foi construído.

Esperidião Amin precisava do partido unido para disputar novamente o Senado. O Progressistas precisava do Fundo Eleitoral, precisava do tempo de televisão e precisava preservar condições para que sua nominata pudesse disputar votos em todo o Estado. Em contrapartida, os candidatos precisavam ter garantida a liberdade de fazer suas próprias escolhas na disputa majoritária.

Leia Também:  Conab: menor oferta eleva preços de hortaliças e frutas em setembro

A convenção encontrou uma maneira de separar essas duas dimensões. O partido poderia cumprir o acordo político construído com João Rodrigues, enquanto seus candidatos manteriam liberdade para trabalhar por Jorginho Mello ou por João, conforme sua posição política.

Esse equilíbrio foi o que permitiu ao partido chegar à campanha sem transformar a divergência sobre o Governo em uma ruptura interna.

Na prática, o que os 17 candidatos estão dizendo agora é simples: o acordo que permitiu a convivência entre quem apoia João e quem apoia Jorginho foi respeitado por eles, mas deixou de ser respeitado pelo presidente estadual do partido.

E aqui está o ponto politicamente mais delicado para Amin.

O risco para Amin

Uma eleição majoritária depende também da capacidade de mobilização dos candidatos proporcionais.

Amin pode ser o candidato do partido ao Senado. Mas quem leva o nome de um candidato a senador para as ruas, para os municípios, para as bases eleitorais e para dentro das próprias campanhas são, em boa medida, os candidatos a deputado, prefeitos, vereadores, lideranças municipais e militantes.

Se parte desses candidatos passa a entender que houve quebra do acordo, o problema deixa de ser apenas jurídico ou de propaganda eleitoral. Torna-se político.

E esse talvez seja o maior risco produzido pelo episódio.

Os candidatos que apoiam Jorginho Mello não precisam romper formalmente com o Progressistas para criar dificuldades à campanha de Amin. Basta que deixem de colocar o senador no centro de suas campanhas.

Não significa necessariamente que esses candidatos deixarão de votar em Amin. A questão é outra: não pedir voto é diferente de votar.

E numa eleição para o Senado, essa diferença pode ser enorme.

O voto não é construído apenas pela propaganda oficial. É construído nos palanques, nas carreatas, nas reuniões, nos municípios, nas conversas com lideranças e, principalmente, na disposição dos candidatos a deputado de apresentar aquele nome como uma escolha que merece ser feita.

Foi justamente por isso que o acordo construído na convenção era tão importante.

A convenção pode ter sido apenas uma trégua

O Progressistas conseguiu, naquele momento, administrar sua maior contradição eleitoral. Não obrigou seus candidatos a escolherem o mesmo candidato ao Governo e estabeleceu uma prioridade comum: o partido, suas nominatas e a candidatura de Esperidião Amin ao Senado.

Mas um acordo político só existe enquanto as partes acreditam que ele está sendo respeitado.

O que está acontecendo agora coloca esse princípio em xeque.

Amin tem todo o direito de disputar o Senado e de defender a candidatura de João Rodrigues, assim como os candidatos que o apoiam têm o direito de fazer campanha por João. Da mesma maneira, os candidatos que escolheram Jorginho têm o direito de fazer campanha por ele.

O que os 17 candidatos estão contestando é outra coisa: a utilização de suas imagens e de seu espaço na propaganda eleitoral para produzir uma associação que, segundo eles, não foi autorizada.

Leia Também:  Moratória da Soja: desafios e conflitos no setor agropecuário de Mato Grosso

E esse detalhe é justamente o que transforma o episódio em uma crise política.

O Progressistas não chegou até aqui por ter eliminado suas diferenças. Chegou porque conseguiu administrá-las.

O preço de quebrar um acordo

Há ainda uma dimensão política que não pode ser ignorada.

Esperidião Amin é, ao mesmo tempo, candidato ao Senado e presidente estadual do partido. Essa dupla condição lhe dá protagonismo, mas também aumenta a responsabilidade sobre a manutenção do equilíbrio interno que permitiu ao Progressistas chegar o mais unido possível à campanha.

Quando um acordo é construído para que grupos diferentes possam caminhar juntos, a direção partidária precisa ser, acima de tudo, a garantidora desse equilíbrio.

Por isso, a reação dos 17 candidatos é mais significativa do que uma simples divergência sobre um vídeo eleitoral.

Eles estão dizendo que a regra estabelecida na convenção foi alterada durante o jogo.

E, em política, quando alguém entende que a regra mudou unilateralmente, a tendência é que passe a rever também os compromissos que assumiu.

É aí que pode estar o verdadeiro problema para Amin.

Não é preciso que os candidatos façam campanha contra ele. Basta que deixem de fazer campanha por ele.

Sobretudo

A convenção do Progressistas não eliminou a divisão interna. Ela criou uma forma de conviver com ela.

Esse era o acordo.

João Rodrigues teria os votos de quem já havia decidido apoiá-lo. Jorginho Mello teria os votos daqueles que permaneceram com o governador. E, acima dessa disputa, estaria o projeto de eleger Esperidião Amin e fortalecer as candidaturas do próprio Progressistas.

Segundo os 17 candidatos que assinam o documento, esse pacto foi quebrado unilateralmente por Amin quando suas imagens passaram a ser utilizadas na propaganda associadas a João Rodrigues e Antídio Lunelli sem autorização.

O problema, portanto, não é João Rodrigues. Não é Jorginho Mello. E também não é a liberdade de Esperidião Amin escolher o candidato a governador que pretende apoiar.

O problema é o acordo.

Na convenção, ficou estabelecido que cada candidato manteria sua posição na disputa pelo Governo e que todos trabalhariam para fortalecer o Progressistas, suas nominatas e a candidatura de Amin ao Senado.

Agora, a reação está nas mãos de quem precisa pedir votos.

Se a questão for resolvida rapidamente, pode ser apenas um ruído de campanha.

Se não for, o Progressistas terá de enfrentar uma consequência muito mais séria: a perda da confiança entre aqueles que, até pouco tempo atrás, tinham aceitado colocar suas diferenças de lado para preservar o partido.

Porque, em política, um acordo quebrado não termina necessariamente em confronto.

Às vezes, termina em silêncio.

E, para uma candidatura ao Senado, o silêncio de quem deveria estar pedindo voto pode falar muito mais alto do que qualquer programa eleitoral.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade