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DUAS VAGAS, TRÊS PROJETOS: QUEM VAI FICAR COM O SENADO DE SC?

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A eleição para o Senado em Santa Catarina talvez seja a disputa que melhor reúne três forças distintas de 2026: a força de uma marca nacional, a identidade política catarinense e a capacidade de transformar uma candidatura em projeto estadual.

São duas vagas. E, neste momento, três nomes concentram boa parte da atenção: Carlos Bolsonaro, Carol de Toni e Esperidião Amin.

A pesquisa mais recente da Quaest mostra Amin com 19%, Carlos com 16% e Carol de Toni com 12%, dentro da margem de erro. Outro levantamento, da Neokemp, colocou Carol em 25,5%, Carlos em 24,2% e Amin em 16% no primeiro voto. Mais importante do que escolher qual fotografia está certa é perceber o que as duas revelam: há uma disputa aberta pelas duas cadeiras.

E os três candidatos estão jogando partidas diferentes.

Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro representa uma força que ultrapassa Santa Catarina. Sua candidatura carrega o sobrenome Bolsonaro, uma identidade política nacional e um eleitorado que, em boa medida, vota primeiro naquilo que o candidato representa.

É uma vantagem poderosa. Mas também um desafio.

Carlos nasceu no Rio de Janeiro, foi vereador da capital fluminense por seis mandatos e chegou a Santa Catarina para disputar uma vaga fora de seu território político original. A pergunta, portanto, é inevitável: o eleitor catarinense está escolhendo Carlos Bolsonaro ou está escolhendo Bolsonaro através de Carlos?

Uma marca nacional pode colocar um candidato rapidamente na disputa. Para ganhar uma eleição estadual, porém, é preciso transformar identificação em pertencimento.

O início da propaganda eleitoral mostrou exatamente esse desafio. Carlos apresentou sua trajetória e a ligação com Jair Bolsonaro. Depois, passou a explorar mais explicitamente Santa Catarina, inclusive com a bandeira do Estado. O movimento é revelador: a identidade nacional já existe. A identidade catarinense ainda precisa ser consolidada.

Carol de Toni

Carol de Toni parte de outra posição.

Nascida em Chapecó e com trajetória política construída em Santa Catarina, não precisa explicar sua relação com o Estado. Tem identidade regional, atuação nacional e forte conexão com o eleitorado conservador.

Seu desafio é outro: transformar uma base ideológica sólida em uma candidatura estadual sem ser comprimida pela força do sobrenome Bolsonaro.

Ela pode disputar dois públicos ao mesmo tempo: quem procura uma representante identificada com o conservadorismo catarinense e quem quer um nome alinhado ao bolsonarismo, mas com trajetória construída no próprio Estado.

Amin

Amin joga uma partida diferente.

Não precisa importar identidade nem explicar sua relação com Santa Catarina. Sua candidatura está assentada em décadas de presença política, memória eleitoral e reconhecimento.

Isso não significa, porém, conforto.

Sua maior vantagem é algo que os adversários não conseguem construir rapidamente: tempo de exposição e vínculo com o eleitor catarinense.

Ao mesmo tempo, enfrenta uma eleição em que o voto ideológico está mais organizado e duas candidaturas carregam uma marca nacional extremamente forte.

E é justamente aqui que surge um fato novo que pode pesar na campanha de Amin.

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Na convenção do Progressistas, o partido construiu um acordo para administrar sua divisão interna. Ficou estabelecido que aqueles que apoiassem João Rodrigues seguiriam com João e aqueles que apoiassem Jorginho Mello continuariam com Jorginho. A prioridade comum seria eleger Amin para o Senado e conquistar o maior número possível de deputados federais e estaduais.

Era uma fórmula de convivência política.

Agora, 17 candidatos do próprio Progressistas afirmam que esse acordo foi rompido unilateralmente por Amin. Em documento encaminhado ao senador, eles contestam a utilização de suas imagens em materiais eleitorais que passaram a apresentar símbolos de João Rodrigues e Antídio Lunelli sem autorização e pedem a retirada das peças ou de suas participações da propaganda.

O problema para Amin pode ser maior do que a crise interna do partido.

Uma candidatura ao Senado depende de votos, mas também de capilaridade. E boa parte dessa capilaridade está justamente nos candidatos proporcionais, prefeitos, vereadores e lideranças que levam o nome do candidato ao Senado para dentro de suas próprias campanhas.

Amin pode ter história, reconhecimento e vínculo territorial. Mas precisa transformar esse patrimônio em votos.

Se os candidatos que apoiam Jorginho deixarem de pedir votos para Amin como reação ao rompimento do acordo, ele pode perder justamente uma das suas principais vantagens competitivas nesta eleição: a capacidade de mobilizar uma estrutura política espalhada pelo Estado.

Não é necessário que façam campanha contra ele.

Basta que deixem de fazer campanha por ele.

E isso pode ser especialmente relevante porque a disputa pelas duas vagas está aberta.

O segundo voto

É nesse ponto que a disputa deixa de ser apenas por nomes e passa a ser pela composição do voto.

O eleitor catarinense terá dois votos para senador. E essa pode ser a variável mais importante de toda a eleição.

O primeiro voto não determina necessariamente o segundo. Um eleitor pode votar em Carlos e Amin. Carol e Amin. Carlos e Carol. Ou combinar um nome da direita com outro de uma corrente completamente diferente.

Por isso, a soma das intenções individuais não conta toda a história.

O Senado será decidido também por quais duplas os eleitores estarão dispostos a formar.

É aí que está o verdadeiro jogo.

Carlos precisa transformar seu voto nacional em voto catarinense. Carol precisa preservar seu espaço dentro do mesmo campo ideológico. Amin precisa fazer sua experiência e identidade local atravessarem uma eleição fortemente influenciada pela polarização nacional.

E, agora, Amin também precisa evitar que uma crise dentro do próprio partido enfraqueça a estrutura que pode ajudá-lo a transformar reconhecimento em voto.

Porque, numa eleição apertada, perder mobilização pode ser tão importante quanto perder intenção de voto.

E há ainda outros candidatos com eleitorados próprios, como Décio Lima, Antídio Lunelli e Afrânio Boppré. Eles podem não ocupar o centro da fotografia neste momento, mas têm capacidade de interferir diretamente na composição dos dois votos.

São 13 candidaturas ao Senado em Santa Catarina. Isso significa que a disputa não se resume ao trio que hoje concentra as atenções.

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A pergunta, portanto, não é apenas quem tem mais voto.

É: quem consegue ser escolhido junto com quem?

A força nacional também divide

A influência externa também terá peso. Bolsonaro continua sendo uma das maiores forças eleitorais da história recente de Santa Catarina. Em 2022, recebeu 62% dos votos válidos no Estado. A eleição de Jorge Seif ao Senado também demonstrou a capacidade de uma liderança nacional interferir diretamente em uma disputa estadual.

Mas 2026 apresenta uma diferença importante.

A influência nacional está diante de duas candidaturas do mesmo campo político disputando as mesmas duas vagas.

E aí surge o paradoxo.

Quanto maior a força da identificação com o bolsonarismo, maior o potencial eleitoral desse campo. Mas, se duas candidaturas disputam o mesmo eleitor, cresce também o risco de fragmentação.

A mesma força que impulsiona pode dividir.

É um movimento que as pesquisas tradicionais ainda não conseguem revelar completamente.

O eleitor pode chegar à urna sabendo exatamente quem receberá seu primeiro voto e decidir o segundo naquele momento. E essa segunda escolha pode definir uma das vagas.

Por isso, talvez a maior guerra do Senado catarinense não seja pelo primeiro voto.

Seja pelo segundo.

VEREDITO SOBRETUDO

A disputa pelo Senado em Santa Catarina não será vencida simplesmente pelo mais conhecido, pelo mais ideológico ou pelo mais catarinense.

Será vencida por quem conseguir ocupar uma das duas cadeiras sem perder a capacidade de construir uma combinação eleitoral vencedora.

Carlos Bolsonaro traz uma força nacional. Carol de Toni reúne identidade catarinense e conexão ideológica. Amin carrega história, reconhecimento e vínculo territorial.

Mas há uma diferença importante neste momento.

Amin tem uma vantagem que seus dois principais adversários não conseguem construir rapidamente: uma estrutura política espalhada pelo Estado e uma relação histórica com lideranças e eleitores catarinenses.

Se essa estrutura estiver mobilizada, ela pode ser decisiva.

Se estiver dividida, pode deixar de ser vantagem.

O episódio envolvendo os 17 candidatos do Progressistas introduz justamente essa variável. Ao romper, segundo os próprios candidatos, o acordo construído na convenção, Amin pode ter criado uma crise que ultrapassa a disputa interna do partido e chega à sua própria campanha ao Senado.

E isso acontece justamente quando a eleição está sendo decidida pela combinação de votos.

Porque, nesta eleição, o adversário de um candidato pode não ser quem disputa o primeiro voto. Pode ser quem o eleitor escolher para ocupar a segunda vaga.

E Amin pode descobrir que, numa disputa tão apertada, perder quem pede seu voto pode ser quase tão perigoso quanto perder o próprio voto.

A PERGUNTA QUE FICA

Se Santa Catarina tem duas vagas e três candidaturas competitivas no campo conservador, quem será o primeiro voto — e, principalmente, quem será o segundo?

E, para Esperidião Amin, uma pergunta adicional começa a ganhar peso:

quanto vale sua história eleitoral se a estrutura que deveria transformar essa história em voto deixar de pedir voto por ele?

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