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COLUNA SOBRETUDO

QUASE R$ 5 BILHÕES: A GUERRA PELO DINHEIRO QUE VAI BANCAR A ELEIÇÃO

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Os partidos já escolheram seus candidatos. Agora começa uma disputa tão importante quanto a eleitoral: quem terá dinheiro para fazer campanha, quanto receberá e quais nomes serão tratados como prioridade pelas cúpulas partidárias. Em Santa Catarina, essa conta pode mexer diretamente com a força das candidaturas ao Governo, ao Senado e às bancadas federal e estadual.

Existe uma eleição que o eleitor enxerga e outra que acontece longe dos palanques. A primeira é feita de candidatos, discursos, debates, pesquisas, redes sociais e caminhadas. A segunda acontece dentro dos partidos, em reuniões fechadas, planilhas e negociações que podem determinar quanto cada candidatura terá para colocar sua campanha na rua.

É a guerra pelo Fundo Eleitoral.

Para 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha terá R$ 4,961 bilhões. O dinheiro é público e será distribuído aos partidos de acordo com critérios definidos pela legislação eleitoral. O TSE já divulgou oficialmente quanto cada legenda terá direito a receber. (Justiça Eleitoral)

E os números impressionam.

O PL, partido do governador Jorginho Mello, terá a maior fatia: R$ 881,657 milhões, o equivalente a cerca de 17,8% de todo o fundo. O PT aparece em segundo, com R$ 615,368 milhões, seguido pelo União Brasil, com R$ 526,243 milhões.

Na sequência aparecem PSD, com R$ 421,008 milhões; Progressistas, com R$ 417,068 milhões; MDB, com R$ 400 milhões; e Republicanos, com R$ 348,588 milhões. Somadas, essas sete legendas concentram a maior parte dos recursos destinados às eleições de 2026. (Justiça Eleitoral)

Mas há uma informação fundamental para entender o que esses números significam em Santa Catarina: esse dinheiro não é um caixa estadual e não será dividido igualmente entre os candidatos.

O TSE define a cota de cada partido. Depois disso, são as executivas nacionais que estabelecem os critérios para distribuir os recursos entre seus candidatos. O próprio Tribunal deixa claro que essa é uma decisão interna das agremiações, respeitadas as regras específicas das cotas de gênero e raça. (Justiça Eleitoral)

É justamente aí que começa a verdadeira guerra.

O dinheiro é nacional. A disputa é local

Saber que o PL terá R$ 881 milhões ou que o União Brasil terá R$ 526 milhões não significa que esses valores estarão disponíveis para os candidatos catarinenses.

O dinheiro será disputado por candidatos de todo o país.

E cada partido terá de decidir quais Estados e quais candidaturas são estratégicos. Depois, dentro de cada Estado, haverá outra disputa entre candidatos ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Em outras palavras: o partido recebe o dinheiro. A candidatura precisa convencer o partido de que merece recebê-lo.

E isso muda muita coisa.

Uma candidatura considerada competitiva pode receber mais recursos. Uma candidatura vista como estratégica para ampliar a bancada pode ganhar prioridade. Um candidato com potencial de puxar votos para a legenda pode ser tratado de maneira diferente de outro que aparece apenas para completar uma nominata.

O Fundo Eleitoral, portanto, também virou instrumento de poder interno.

PL: o maior caixa da eleição

O PL terá R$ 881,657 milhões, disparado como o maior beneficiário individual do Fundo Eleitoral de 2026. (Justiça Eleitoral)

Em Santa Catarina, isso ganha uma dimensão especial.

O partido tem Jorginho Mello concorrendo à reeleição para o Governo e duas candidaturas fortes ao Senado. Além disso, precisa financiar uma nominata competitiva para a Câmara e para a Assembleia Legislativa.

O dinheiro terá de ser distribuído entre essas prioridades.

E há uma questão política por trás dessa conta: quanto mais forte for a estrutura proporcional, maior será a capacidade do partido de manter presença nos municípios. Ao mesmo tempo, a candidatura majoritária precisa de recursos suficientes para disputar uma eleição estadual.

Não é apenas uma questão contábil.

É uma escolha estratégica sobre onde o partido quer concentrar sua força.

União Brasil: R$ 526 milhões e uma posição diferente em SC

O União Brasil receberá R$ 526,243 milhões. É a terceira maior cota individual do país. (Justiça Eleitoral)

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Em Santa Catarina, entretanto, é preciso separar a estrutura formal da federação da realidade política.

O União Brasil está fechado com João Rodrigues na disputa pelo Governo. Seus principais quadros catarinenses estão trabalhando nesse projeto e a legenda chega à eleição com uma estrutura financeira nacional muito relevante.

Ao mesmo tempo, a federação com o Progressistas existe juridicamente, mas isso não significa que os dois partidos tenham, em Santa Catarina, o mesmo comportamento político.

Essa diferença é importante.

Enquanto o União está fechado com João Rodrigues, a maioria do Progressistas está com Jorginho Mello e trabalha também pela eleição de Esperidião Amin ao Senado.

Portanto, não existe um único projeto político catarinense chamado União Progressista.

Existe uma federação partidária nacional que reúne duas legendas que, em Santa Catarina, estão fazendo movimentos políticos diferentes.

E isso torna a distribuição do Fundo ainda mais interessante.

Progressistas: dinheiro, Jorginho e Amin

O Progressistas terá R$ 417,068 milhões em âmbito nacional. (Justiça Eleitoral)

Em Santa Catarina, a maior parte dos seus quadros está com Jorginho Mello.

Mas o partido tem uma segunda prioridade: Esperidião Amin ao Senado.

É justamente aí que o dinheiro passa a ter importância política.

Amin precisa de uma estrutura estadual. Precisa dos prefeitos, vereadores, deputados, ex-prefeitos e lideranças progressistas espalhados pelo Estado. Precisa que essa estrutura trabalhe pelo seu nome.

E, para isso, a manutenção da unidade interna é fundamental.

O Progressistas terá de equilibrar três interesses: ajudar a campanha de Jorginho, fortalecer a candidatura de Amin e financiar suas próprias candidaturas proporcionais.

Quanto dinheiro irá para cada frente?

Essa é uma das perguntas que os próximos dias começarão a responder.

PSD: mais de R$ 421 milhões

O PSD terá R$ 421,008 milhões. (Justiça Eleitoral)

Em Santa Catarina, a importância do valor é evidente porque o partido tem João Rodrigues na disputa pelo Governo e uma estrutura proporcional que precisa ser preservada e ampliada.

A direção partidária terá de decidir quanto quer investir na candidatura majoritária e quanto será destinado aos candidatos a deputado federal e estadual.

E existe uma lógica política nessa divisão.

Uma candidatura ao Governo precisa de dinheiro para comunicação e presença estadual. Uma nominata forte, por outro lado, significa mais votos para a legenda e maior possibilidade de eleger deputados.

O partido precisa fazer as duas contas ao mesmo tempo.

MDB: R$ 400 milhões

O MDB receberá R$ 400 milhões. (Justiça Eleitoral)

Em Santa Catarina, o partido também está inserido na disputa majoritária e possui candidaturas próprias ao Legislativo, além de participação na corrida ao Senado.

O dinheiro do Fundo pode ser decisivo para preservar a capilaridade que o MDB construiu ao longo de décadas.

Mais uma vez, entretanto, o valor nacional não diz quanto chegará a Santa Catarina.

Essa é a informação que os candidatos realmente querem saber.

Republicanos: R$ 348,588 milhões

O Republicanos aparece com R$ 348,588 milhões, ocupando a sétima posição entre os maiores beneficiários. (Justiça Eleitoral)

É outro partido que chega a 2026 com capacidade financeira muito superior à de várias legendas menores.

E, em uma eleição com tantas candidaturas, ter dinheiro para comunicação, estrutura e deslocamento pode fazer uma diferença enorme.

E as federações?

Aqui existe outra confusão que precisa ser evitada.

Não se pode simplesmente somar os valores do União Brasil e do Progressistas e afirmar que existe um “caixa de R$ 943 milhões” disponível para a União Progressista.

As duas legendas têm, nacionalmente, R$ 526,243 milhões e R$ 417,068 milhões, respectivamente. Somados, chegam a aproximadamente R$ 943,3 milhões, mas são cotas partidárias nacionais, sujeitas aos critérios internos de cada legenda.

A federação tem implicações jurídicas e eleitorais, mas a política catarinense não pode ser reduzida a uma planilha nacional.

E a realidade de Santa Catarina deixa isso evidente.

União está com João. A maioria do Progressistas está com Jorginho.

Esse é o cenário político que interessa ao eleitor catarinense.

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Quem realmente ganha com o Fundo?

Os maiores beneficiados são os partidos que possuem grandes bancadas no Congresso e tiveram desempenho expressivo nas eleições anteriores.

O modelo de distribuição reserva 2% do fundo igualmente entre os partidos registrados, enquanto 35% são distribuídos conforme os votos obtidos para a Câmara dos Deputados, 48% de acordo com a bancada da Câmara e 15% conforme a representação no Senado. (Justiça Eleitoral)

É por isso que o tamanho das bancadas se transforma em dinheiro.

Quanto maior a força parlamentar, maior a capacidade de receber recursos eleitorais.

E isso cria um círculo político bastante claro: eleger deputados gera bancada; bancada gera recursos; recursos ajudam a eleger deputados.

É uma das razões pelas quais as grandes legendas tratam a eleição proporcional como prioridade.

Quem recebe menos terá que fazer outra eleição

Na outra ponta estão os partidos pequenos.

Algumas legendas receberão pouco mais de R$ 3,3 milhões em todo o país.

Isso significa que, para esses partidos, o Fundo Eleitoral terá impacto completamente diferente.

Uma legenda com R$ 881 milhões pode distribuir recursos entre centenas de candidaturas e ainda manter uma estrutura nacional relevante.

Uma legenda com pouco mais de R$ 3 milhões precisa escolher muito bem onde colocar cada real.

Em Santa Catarina, isso pode significar candidaturas praticamente sem recursos públicos relevantes, dependendo dos critérios internos e da estratégia nacional de cada partido.

A diferença de capacidade financeira será enorme.

A tabela que explica o tamanho da guerra

Os valores oficiais do FEFC para 2026 são:

Partido Fundo Eleitoral
PL R$ 881,657 milhões
PT R$ 615,368 milhões
União Brasil R$ 526,243 milhões
PSD R$ 421,008 milhões
Progressistas R$ 417,068 milhões
MDB R$ 400,000 milhões
Republicanos R$ 348,588 milhões
Podemos R$ 245,970 milhões
PDT R$ 169,286 milhões
PSB R$ 152,253 milhões
PSDB R$ 147,895 milhões
PSOL R$ 131,506 milhões
Solidariedade R$ 88,527 milhões
Avante R$ 72,517 milhões
PRD R$ 71,819 milhões
PCdoB R$ 60,532 milhões
Cidadania R$ 60,174 milhões
PV R$ 45,184 milhões
Novo R$ 37,044 milhões
Rede R$ 35,804 milhões
Agir R$ 3,308 milhões
DC R$ 3,308 milhões
Democrata R$ 3,308 milhões
Missão R$ 3,308 milhões
Mobiliza R$ 3,308 milhões
PCB R$ 3,308 milhões
PCO R$ 3,308 milhões
PRTB R$ 3,308 milhões
PSTU R$ 3,308 milhões
UP R$ 3,308 milhões

O total é de R$ 4,961 bilhões. (Justiça Eleitoral)

Agora começa a disputa que não aparece na urna

O eleitor vai escolher governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Mas antes disso, dentro dos partidos, haverá uma escolha que pode ser decisiva: quem merece dinheiro para disputar?

É nesse momento que candidaturas consideradas competitivas ganham importância. É quando uma direção partidária precisa decidir se vale mais colocar recursos em um candidato ao Governo, em um candidato ao Senado ou em uma nominata capaz de eleger deputados.

É também quando as lideranças começam a mostrar quem realmente tem prestígio dentro de seus partidos.

Porque dinheiro de campanha não é apenas dinheiro.

É estrutura.

É equipe.

É comunicação.

É deslocamento.

É presença nos municípios.

É capacidade de produzir conteúdo diariamente.

É tempo de campanha.

E, principalmente, é capacidade de permanecer na disputa quando os outros começam a ficar sem combustível.

Por isso, os quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral não são apenas uma cifra gigantesca.

São uma das maiores ferramentas de poder político da eleição de 2026.

Em Santa Catarina, a guerra pelo voto já começou.

Agora começa outra, muito menos visível:

a guerra pelo dinheiro que vai permitir buscar esse voto.

E, nos próximos dias, talvez seja possível descobrir algo ainda mais importante do que quanto cada partido recebeu.

Quem os partidos escolheram para receber a maior parte desse dinheiro.

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