Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

SOBRETUDO Acordo rompido no Progressistas pode colocar eleição de Amin em risco

publicidade

A crise que vinha sendo administrada dentro do Progressistas chegou a um ponto de ruptura. O acordo construído na convenção estadual tinha uma lógica simples: cada candidato manteria sua posição na disputa pelo Governo do Estado. Quem apoiasse João Rodrigues seguiria com João. Quem apoiasse Jorginho Mello continuaria com Jorginho. Acima dessa divisão, havia objetivos comuns: fortalecer o partido, eleger o maior número possível de deputados e garantir a eleição de Esperidião Amin ao Senado.

Era uma fórmula de convivência. Não exigia unanimidade. Exigia respeito ao que havia sido combinado.

É justamente esse acordo que está no centro da crise.

Da propaganda à ruptura

A tensão começou quando materiais gravados por candidatos do Progressistas para a propaganda eleitoral passaram a ser veiculados com referências e símbolos de João Rodrigues e Antídio Lunelli. Dezessete candidatos contestaram a utilização de suas imagens e pediram a retirada das peças ou de suas participações na propaganda.

O argumento não era impedir que Amin apoiasse João, nem impedir que candidatos do partido fizessem suas próprias escolhas majoritárias. A reclamação era sobre a utilização de suas imagens para produzir uma associação política que, segundo eles, não havia sido autorizada.

Amin decidiu manter a estratégia e levou a questão ao jurídico da campanha  

A decisão do jurídico preservou a possibilidade de manutenção dos materiais assinados, mas também admitiu a retirada daqueles candidatos que expressamente não quisessem permanecer nas peças. E foi exatamente o que os 17 fizeram.

A decisão resolveu o aspecto jurídico da permanência das peças, mas não resolveu o conflito político entre Amin e os candidatos.

Agora é oficial

Na nova manifestação encaminhada a Amin, os candidatos afirmam que lamentam a decisão de não restabelecer as peças nos termos anteriormente acordados e ratificam expressamente o pedido de autoexclusão de suas inserções e de qualquer material partidário que utilize suas imagens, nomes ou manifestações sem autorização.

Leia Também:  Comissão pode votar nesta quarta relatório sobre regulamentação do trabalho por aplicativo

Mais importante: eles vinculam diretamente essa decisão ao rompimento do entendimento construído na convenção.

Dizem que cumpriram sua parte e respeitaram o que havia sido definido. Não anunciam uma campanha contra Amin, mas também não reafirmam apoio à sua candidatura.

É uma ruptura política sem necessidade de declaração de guerra.

O problema de Amin

É aqui que a crise deixa de ser apenas um problema do Progressistas e pode se transformar em um problema eleitoral de Esperidião Amin.

Amin é presidente estadual do partido e candidato ao Senado. Para vencer, precisa mais do que história e reconhecimento. Precisa de estrutura, presença territorial e gente pedindo votos nos municípios.

E parte dessa estrutura está justamente nos candidatos proporcionais.

Se os 17 deixam de participar da propaganda e, principalmente, deixam de trabalhar pela candidatura de Amin, o senador pode perder uma parcela importante da capacidade de transformar seu patrimônio político em votos.

Amin não corre o risco apenas de perder a participação de 17 candidatos na propaganda. Corre o risco de perder parte da estrutura política que poderia ajudá-lo a transformar reconhecimento em voto.

Não é preciso que façam campanha contra ele.

Basta que deixem de fazer campanha por ele.

E isso acontece justamente numa eleição para o Senado em que duas vagas estão em disputa e a diferença entre os candidatos pode ser pequena.

A conta pode ser eleitoral

A convenção tinha criado uma solução para a divisão interna do Progressistas. O partido aceitaria que seus candidatos estivessem em palanques diferentes para governador, desde que preservassem um projeto comum para o partido e para o Senado.

Esse equilíbrio acabou.

Agora, a questão política está nas mãos dos candidatos.

Quem vai pedir voto para Amin?

Essa pergunta é mais importante do que parece.

Porque a Justiça pode decidir sobre a permanência ou não de um candidato em uma peça eleitoral. Não pode obrigar um deputado, prefeito, vereador ou liderança a pedir voto para um candidato ao Senado.

Leia Também:  PIB do Paraná cresce 3,8% no primeiro semestre, acima da média nacional

Isso é política.

E é justamente aí que o rompimento pode custar caro.

Sobretudo

O Progressistas conseguiu, na convenção, construir uma unidade possível.

Não eliminou a divisão entre João Rodrigues e Jorginho Mello. Criou uma forma de conviver com ela.

O acordo era esse.

Segundo os 17 candidatos, Amin rompeu unilateralmente esse entendimento ao manter uma propaganda que associava suas imagens a candidaturas majoritárias que não haviam autorizado. Eles reclamaram, Amin foi à Justiça, a Justiça admitiu a retirada de quem assim desejasse e os candidatos ratificaram formalmente sua autoexclusão.

Agora a ruptura está materializada.

E Amin pode ter criado um problema para a própria candidatura ao Senado.

Porque os 17 não precisam fazer campanha contra ele.

Não precisam anunciar apoio a outro candidato.

Não precisam sequer transformar o episódio em uma guerra pública.

Podem simplesmente não pedir voto para Amin.

Em uma eleição apertada, isso pode fazer diferença.

O Progressistas ainda pode recompor essa relação. Mas a questão deixou de ser sobre propaganda.

É sobre confiança.

A Justiça pode decidir quem permanece ou não em uma peça eleitoral. Não pode obrigar ninguém a pedir voto.

E é aí que está o risco de Amin.

Ele pode manter a propaganda que a Justiça permitiu. Pode manter a presidência do partido. Pode manter sua candidatura ao Senado.

O que ele não consegue determinar é quem estará disposto a pedir voto por ele.

Em uma eleição apertada, essa pode ser a diferença entre estar na disputa e conquistar uma das duas cadeiras.

O acordo que sustentou a unidade possível do Progressistas foi rompido. Agora, Amin terá de descobrir quanto dessa unidade era estrutura eleitoral e quanto dela era apenas confiança.

A urna costuma fazer essa conta sem piedade.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade