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SOBRETUDO

A aprovação de Jorginho não é apenas alta. Ela começa a se transformar em um ativo político difícil de enfrentar.

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Pesquisas de aprovação costumam ser mais importantes do que pesquisas eleitorais quando ainda falta um longo caminho até a eleição. Intenção de voto fotografa uma disputa. Aprovação mede a relação entre governo e sociedade. E é justamente por isso que os números divulgados nos últimos dias merecem uma análise mais cuidadosa do que a simples comemoração dos aliados ou a tentativa de relativização dos adversários.

Com aprovação próxima de 78%, Jorginho Mello alcança um patamar que não pode ser tratado como algo rotineiro. Em qualquer estado brasileiro, um índice dessa magnitude chama atenção. Em um ambiente político nacional marcado por polarização, desgaste institucional e forte cobrança sobre governantes, chama ainda mais.

Mas a pergunta realmente importante não é quanto Jorginho tem de aprovação.

A pergunta é por que ele conseguiu chegar até aqui com esse nível de aprovação.

O governo conseguiu construir uma percepção de presença

Existe uma diferença importante entre realizar ações de governo e conseguir fazer com que a população perceba essas ações.

Muitos governos executam obras, anunciam investimentos e lançam programas sem conseguir transformar isso em percepção popular.

O governo Jorginho parece ter conseguido superar essa barreira.

Ao longo dos últimos anos, o governador construiu uma rotina de presença constante nas regiões. Participou de entregas, anúncios, encontros com prefeitos e agendas municipalistas em praticamente todas as partes do Estado.

Essa estratégia produz um efeito político relevante.

O cidadão pode não acompanhar os detalhes da administração estadual, mas percebe que existe um governador circulando, visitando municípios e participando dos debates locais.

Na política, presença costuma gerar proximidade. E proximidade frequentemente gera aprovação.

A economia ajudou mais do que a política

Outro fator que ajuda a explicar os números aparece fora do ambiente partidário.

Santa Catarina atravessa um período econômico relativamente favorável quando comparado à média nacional. O Estado mantém indicadores positivos em geração de empregos, desempenho industrial, exportações, agronegócio e abertura de empresas.

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Nenhum governador é responsável sozinho por esses resultados. Mas todo governador acaba sendo beneficiado quando a população percebe um ambiente econômico mais positivo.

O eleitor normalmente não separa com precisão o que é mérito do governo estadual, do governo federal ou do setor privado. Ele costuma avaliar sua realidade cotidiana.

Se o emprego existe, se a economia se movimenta e se a sensação predominante é de estabilidade, isso inevitavelmente impacta a avaliação do governante.

A ausência de crises também conta

Existe um aspecto pouco discutido na análise política.

Governos muitas vezes não perdem popularidade por aquilo que fazem.

Perdem por causa das crises que enfrentam.

Até aqui, a gestão estadual não conviveu com nenhum episódio de grande proporção capaz de produzir desgaste prolongado junto à opinião pública.

Não houve colapso administrativo.

Não houve escândalos de grande repercussão.

Não houve uma crise institucional capaz de dominar o debate público durante meses.

Isso não gera manchetes positivas.

Mas ajuda a preservar a imagem do governo.

E preservar imagem costuma ser tão importante quanto construir imagem.

O dado mais relevante talvez esteja na desaprovação

Quando um governo alcança aprovação próxima de 78%, o olhar do analista precisa se voltar para outro número.

A desaprovação.

Porque é ela que mostra o tamanho do espaço disponível para a oposição.

E hoje esse espaço parece relativamente limitado.

Isso não significa que não exista eleitor insatisfeito.

Existe.

Mas significa que a oposição ainda não conseguiu transformar essa insatisfação em um sentimento coletivo capaz de ganhar escala.

Toda candidatura competitiva nasce da identificação de um problema que o governo não conseguiu resolver.

Até aqui, os números sugerem que essa narrativa ainda não encontrou força suficiente para alterar a percepção predominante da população.

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A aprovação cria força. Mas também cria responsabilidade

Existe uma tendência de enxergar pesquisas de aprovação apenas como vantagem.

Não são apenas isso.

Elas também aumentam a cobrança.

Quando um governo alcança índices tão elevados, a expectativa da população cresce na mesma proporção.

O eleitor passa a esperar mais resultados.

Passa a exigir mais entregas.

Passa a observar com mais atenção temas como infraestrutura, mobilidade, saúde e segurança.

Em outras palavras, a aprovação elevada protege o governo no presente, mas aumenta a responsabilidade sobre o futuro.

O que a pesquisa realmente diz sobre 2026

Seria um erro afirmar que esses números definem a próxima eleição.

Não definem.

Falta muito tempo.

A política é dinâmica e governos podem enfrentar desgastes inesperados.

Mas a pesquisa revela algo importante.

Hoje, a oposição não enfrenta apenas um candidato forte.

Enfrenta um governo bem avaliado.

E existe uma diferença enorme entre as duas situações.

Derrotar um candidato é uma tarefa eleitoral.

Derrotar um governo bem avaliado exige convencer a população de que existe uma alternativa melhor do que algo que ela aprova.

Esse costuma ser um desafio muito mais complexo.

 

PONTO DE VISTA

A aprovação de Jorginho Mello não deve ser analisada como um simples indicador de popularidade. Ela representa algo mais profundo.

Representa a capacidade de um governo transformar presença política, ambiente econômico favorável e estabilidade administrativa em percepção positiva junto à população.

Os números não significam que a eleição de 2026 está decidida. Política não funciona dessa forma.

Mas significam que qualquer projeto de oposição precisará partir de uma constatação objetiva: hoje, a maioria dos catarinenses parece aprovar o rumo adotado pelo governo estadual.

E enquanto essa percepção permanecer dominante, a principal tarefa dos adversários não será atacar o governo.

Será convencer o eleitor de que existe um caminho melhor do que aquele que ele acredita estar funcionando.

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