Uma carta escondida dentro de um confessionário por mais de quatro décadas revelou os relatos e desabafos do carpinteiro responsável por construir a peça. O móvel, que estava exposto no Museu da Colonização José Felício Jung, em Palma Sola, no Oeste de Santa Catarina, será devolvido à igreja matriz de Anchieta, cidade para a qual foi produzido em 1965.
O bilhete foi encontrado em 2007, quando o confessionário foi desmontado para ser emprestado ao museu. A carta estava escondida em um compartimento próximo ao local onde os fiéis se ajoelhavam para a confissão. O texto foi ditado pelo carpinteiro João Feix e escrito por sua filha, Alice Feix Paetzold, hoje com 81 anos.
Na mensagem, datada de 24 de junho de 1965, João Feix relata detalhes da época e deixa um desabafo sobre o trabalho. “Já sou tão velho, com 60 anos, e ainda tenho que fazer confessionários”, escreveu o carpinteiro.
Além de mencionar que a peça foi construída para a igreja matriz de Anchieta, a carta registra informações históricas sobre o período, citando o então presidente da República, Castelo Branco, o governador de Santa Catarina, Celso Ramos, e o prefeito de Palma Sola, Libório Kuhn. O documento também traz referências ao valor da moeda brasileira em relação ao dólar e à libra esterlina.
O texto termina com uma mensagem de esperança e religiosidade. “Muita felicidade para todos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo”, conclui a carta, preservada por mais de 60 anos dentro do confessionário.























