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SOBRETUDO Entre 49% e 58,8%: o que as pesquisas estão dizendo sobre a eleição em SC

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A nova pesquisa do Paraná Pesquisas coloca uma diferença importante na mesa eleitoral de Santa Catarina. Jorginho Mello aparece com 58,8% das intenções de voto, enquanto João Rodrigues tem 16,5% e Gelson Merísio, 11,3%.

O número do governador chama atenção não apenas pelo tamanho da vantagem, mas porque está acima dos percentuais encontrados pelos demais institutos que pesquisaram Santa Catarina nas últimas semanas.

E é justamente aí que está o ponto mais interessante desta pesquisa: menos do que olhar para os 58,8% como uma fotografia isolada, é preciso entender o que existe de consistente por trás desse número e o que ainda pode ser diferença metodológica entre institutos.

A liderança de Jorginho não é novidade. O tamanho dela é.

A liderança de Jorginho aparece de maneira consistente nas pesquisas.

A Quaest, realizada entre 20 e 23 de agosto, encontrou 50% para o governador, 17% para João Rodrigues e 4% para Gelson Merísio.

A AtlasIntel, com entrevistas realizadas entre 4 e 9 de setembro, apontou Jorginho com 51,6%, João com 18,5% e Merísio com 17,6%.

O Neokemp, realizado entre 10 e 11 de setembro, encontrou 51,2% para Jorginho, 24% para João Rodrigues e 15,1% para Merísio.

Já o Real Time Big Data, com entrevistas entre 12 e 16 de setembro, registrou Jorginho com 49%, João com 15% e Merísio com 8%.

Agora, o Paraná Pesquisas, realizado entre 20 e 22 de setembro, coloca Jorginho em 58,8%, João em 16,5% e Merísio em 11,3%.

Portanto, há duas conclusões diferentes que precisam ser separadas.

A primeira é bastante clara: Jorginho lidera em todos os levantamentos recentes.

A segunda exige mais cautela: não há consenso entre os institutos sobre o tamanho dessa liderança.

E essa diferença não é pequena.

O intervalo que merece atenção

Entre as pesquisas mais recentes, Jorginho aparece em 49%, 51,2%, 51,6% e agora 58,8%.

Isso significa que três institutos, em levantamentos realizados entre o início e a metade de setembro, ficaram muito próximos, na faixa dos 49% aos 52%.

O Paraná Pesquisas, realizado entre 20 e 22 de setembro, rompe essa faixa e leva o governador para quase 60%.

É um dado que não pode ser ignorado.

Mas também seria precipitado transformar automaticamente os 58,8% em uma nova média do eleitorado catarinense.

Pesquisas diferentes podem produzir resultados diferentes por uma série de fatores: período de coleta, composição da amostra, método de entrevista, questionário e metodologia utilizada.

O Paraná Pesquisas realizou entrevistas presenciais em 52 municípios. Foram ouvidos 1.384 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de setembro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SC-00523/2026.

Essa diferença metodológica é importante porque pesquisas realizadas com métodos distintos não devem ser tratadas como se fossem medições absolutamente idênticas.

Além disso, existe uma diferença temporal. A pesquisa do Paraná terminou em 22 de setembro. Entre alguns dos levantamentos anteriores e essa nova rodada, houve vários dias de campanha, propaganda eleitoral e exposição dos candidatos.

Em eleição, uma semana pode produzir movimento.

Mas não explica, sozinha, uma diferença de quase dez pontos.

Por isso, a próxima rodada de pesquisas terá papel importante para saber se estamos diante de uma aceleração real da candidatura de Jorginho ou de um resultado mais alto produzido pelo método e pelo momento específico da coleta.

O dado mais forte talvez esteja fora da intenção estimulada

Existe outro número do Paraná Pesquisas que merece atenção.

Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Jorginho chega a 42,5%. João Rodrigues aparece com 10% e Gelson Merísio com 6,2%.

Ainda assim, 34,6% não souberam ou não responderam.

É uma diferença importante.

O governador não aparece apenas com vantagem quando seu nome é apresentado. Ele também apresenta uma vantagem bastante ampla quando o eleitor precisa lembrar espontaneamente em quem pretende votar.

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Isso ajuda a explicar por que a liderança de Jorginho aparece de forma consistente nos diferentes levantamentos.

Mas os 34,6% de eleitores que ainda não responderam espontaneamente também lembram que existe uma parcela relevante do eleitorado que ainda não consolidou sua escolha.

É justamente nesse espaço que a campanha pode produzir mudanças.

E João Rodrigues?

Aqui está outro ponto que merece ser tratado com cuidado.

João Rodrigues aparece com 16,5% no Paraná Pesquisas. É praticamente o mesmo percentual encontrado pela Real Time, que registrou 15%.

Na AtlasIntel, entretanto, apareceu com 18,5%. No Neokemp, chegou a 24%.

Ou seja, ao contrário do que acontece com Jorginho, existe uma oscilação maior no desempenho de João entre os institutos.

O mesmo vale para Merísio.

Ele chegou a 17,6% na AtlasIntel, 15,1% no Neokemp, caiu para 8% na Real Time e agora aparece com 11,3% no Paraná Pesquisas.

Essa sequência revela algo importante sobre a disputa.

A liderança de Jorginho é estável. A disputa pelo segundo lugar é muito mais volátil.

E isso tem consequência eleitoral porque, enquanto o primeiro colocado mantém uma distância considerável em todos os levantamentos, os candidatos que aparecem atrás ainda disputam espaço, reconhecimento e capacidade de concentração de votos.

O que mudou desde agosto?

Se compararmos com a Quaest de agosto, existe uma mudança evidente.

Naquele levantamento, Jorginho tinha 50%, João 17% e Merísio 4%.

Agora, o Paraná apresenta 58,8%, 16,5% e 11,3%.

Jorginho aparece 8,8 pontos acima daquele levantamento específico. João praticamente permaneceu no mesmo lugar, enquanto Merísio aparece acima dos 4% registrados em agosto.

Mas é preciso evitar uma leitura simplista de que Jorginho necessariamente “ganhou” 8,8 pontos no eleitorado.

Os levantamentos foram realizados em momentos diferentes e por institutos diferentes.

O que podemos dizer com segurança é outra coisa: desde agosto, Jorginho permanece na liderança e nenhum dos levantamentos recentes apresentou um cenário em que seus adversários tenham se aproximado dele.

Essa é a tendência mais consistente da série.

A avaliação do governo ajuda a compreender o cenário

O Paraná Pesquisas encontrou 78% de aprovação para a administração de Jorginho Mello.

Na avaliação qualitativa, 64,7% classificam o governo como ótimo ou bom, 22,1% como regular e 11,8% como ruim ou péssimo.

Esse dado é importante porque oferece um contexto para o desempenho eleitoral encontrado pelo instituto.

Não significa que 78% de aprovação se transformem automaticamente em 78% de votos. Não existe essa relação mecânica.

Mas uma administração com avaliação positiva elevada cria um ambiente eleitoral diferente daquele em que o candidato à reeleição enfrenta forte rejeição à própria gestão.

Nesse levantamento, a rejeição de Jorginho aparece em 18,2%, enquanto João Rodrigues registra 9,5% e Merísio, 34,3%.

Mais uma vez, os números precisam ser lidos dentro da metodologia e do momento da pesquisa.

Mas ajudam a compreender o quadro.

Senado: aqui a história é outra

Se para o governo existe uma liderança relativamente consolidada, a disputa pelo Senado continua muito mais aberta.

A Paraná Pesquisas coloca Carol de Toni em 42,3%, Carlos Bolsonaro em 36% e Esperidião Amin em 34,2%.

Como são duas vagas e o eleitor pode indicar dois nomes, os percentuais não somam 100%.

A diferença entre Carlos Bolsonaro e Amin é de apenas 1,8 ponto, dentro da margem de erro de 2,7 pontos. Portanto, os dois aparecem tecnicamente empatados.

Mas aqui existe uma mudança relevante em relação ao cenário de agosto.

Na Quaest realizada entre 20 e 23 de agosto, Amin aparecia com 19%, Carlos Bolsonaro com 16% e Carol de Toni com 12%.

Depois, levantamentos realizados em setembro passaram a mostrar Carol de Toni ocupando a primeira posição, enquanto Amin e Carlos Bolsonaro apareciam mais próximos.

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O Paraná Pesquisas reforça essa configuração.

Mas existe uma ressalva fundamental: não se deve comparar diretamente os percentuais do Senado entre todos os institutos como se fossem exatamente a mesma régua.

O Paraná Pesquisas apresenta a soma das duas escolhas possíveis. Como o eleitor pode votar em dois candidatos, os percentuais naturalmente ficam mais altos.

O que pode ser comparado com mais segurança é a posição relativa dos candidatos.

E aí existe uma tendência que merece atenção: Carol aparece na parte superior do pelotão nos levantamentos realizados depois do início da propaganda eleitoral, enquanto Amin, que liderava numericamente a Quaest de agosto, passou a dividir o espaço do segundo grupo com Carlos Bolsonaro.

O que essa pesquisa realmente muda?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Ela não muda o fato de que Jorginho lidera.

Isso já estava estabelecido.

Ela muda a dimensão possível dessa liderança.

Se os próximos institutos confirmarem um percentual próximo de 58%, teremos uma evidência muito mais forte de que houve crescimento real do governador ao longo de setembro.

Se os próximos levantamentos voltarem para a faixa de 49% a 52%, a leitura será diferente: o Paraná Pesquisas terá mostrado um cenário mais favorável a Jorginho, mas não necessariamente uma mudança estrutural no patamar eleitoral.

É por isso que a próxima pesquisa será especialmente importante.

Ela ajudará a responder se os 58,8% representam um novo patamar ou uma fotografia específica.

E existe outra pergunta que a campanha precisa responder

Com 58,8% na pesquisa estimulada, a discussão eleitoral inevitavelmente muda de natureza.

Mas é preciso cuidado com conclusões antecipadas.

O levantamento mostra uma vantagem expressiva no primeiro turno. Não significa que todos os possíveis cenários de uma eventual segunda etapa estejam definidos.

Primeiro turno e segundo turno são eleições diferentes.

No primeiro, há fragmentação, identidade partidária, múltiplas candidaturas e diferentes estratégias de campanha.

Em um eventual segundo turno, a lógica muda.

Portanto, os números atuais mostram uma vantagem expressiva de Jorginho no primeiro turno, mas não permitem transformar isso automaticamente em uma conclusão sobre todos os cenários possíveis da eleição.

A eleição, até aqui, tem duas velocidades

O retrato produzido pelas pesquisas recentes parece apontar para duas eleições acontecendo simultaneamente.

Uma é a disputa pelo governo, na qual Jorginho aparece consistentemente à frente e com uma distância significativa dos demais candidatos.

Outra é a disputa pelo Senado, onde três nomes concentram a maior parte das intenções e a segunda vaga permanece especialmente aberta.

É justamente por isso que olhar apenas para a manchete dos 58,8% seria pouco.

A questão relevante é que, depois de várias pesquisas, já existe uma convergência importante sobre quem lidera o governo.

Ainda não existe a mesma convergência sobre qual é exatamente o tamanho dessa liderança.

E, no Senado, existe liderança numérica de Carol de Toni, mas uma disputa muito mais comprimida pelas duas vagas.

No fim, a nova pesquisa não encerra a eleição.

Ela aumenta a importância da próxima.

Porque agora a pergunta deixou de ser apenas quem está na frente.

É saber quanto dessa vantagem é tendência consolidada e quanto é fotografia de um instituto, de uma metodologia e de um momento específico da campanha.

E essa diferença, em uma eleição que ainda não chegou às urnas, é exatamente o que uma análise responsável precisa preservar.

Fonte: Paraná Pesquisas. Levantamento realizado entre 20 e 22 de setembro de 2026, com 1.384 eleitores de 16 anos ou mais, em 52 municípios de Santa Catarina, por meio de entrevistas presenciais. Nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,7 pontos percentuais. Pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº SC-00523/2026.

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