O risco de interrupção do atendimento no Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, levou o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) a cobrar atenção para a precariedade da rede especializada no Estado. A unidade, que atende 348 crianças com deficiência, teve as atividades suspensas na sexta-feira (11) por falta de repasses e retomou o atendimento após acordo que prevê o pagamento de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16).
O problema, segundo auditoria do TCE-MT, é mais amplo. Entre 145 famílias de crianças com deficiência ouvidas pelo Tribunal, 90,3% dos responsáveis por autistas disseram já ter enfrentado interrupções no tratamento, e mais da metade percebeu regressão no desenvolvimento dos filhos nesses períodos. O levantamento apontou ainda que 58,1% esperaram mais de um ano pelo início do atendimento ou ainda aguardavam tratamento.
Durante visita ao Campi, na segunda-feira (14), o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, afirmou que o órgão acompanhará a situação. “O centro de acolhimento corre o risco de fechar por falta de pagamento, e isso não pode ser ignorado. Estamos aqui porque a sociedade exige do Tribunal de Contas uma atuação que ajude a assegurar políticas públicas efetivas e serviços de qualidade”, disse. Segundo o diretor da unidade, Anacleto Giraldelli Bezerra, das nove notas fiscais emitidas neste ano, apenas três foram pagas.
A auditoria também identificou 1.462 crianças matriculadas em 70 municípios sem diagnóstico concluído e mostrou que 49,5% das famílias precisaram recorrer à Justiça para obter atendimento. As ações judiciais por reabilitação infantil somaram R$ 32,96 milhões em 2024 e 2025. O TCE informou que os dados serão utilizados no Plano de Metas Mato Grosso 2050, enquanto a situação financeira do Campi continuará sendo monitorada pelo Tribunal.































