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SOBRETUDO SENADO EM SC: CAROL CRESCE, AMIN PERDE FORÇA E A DISPUTA COMEÇA A MUDAR DE DONOS

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A nova pesquisa Neokemp reforça uma aposta que esta coluna vem fazendo há algum tempo: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro são, hoje, os dois nomes que enxergamos com maior probabilidade de ocupar as duas cadeiras de Santa Catarina no Senado. A disputa está longe de estar encerrada, mas os números começam a desenhar uma tendência que merece ser observada com atenção.

Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira, Carol aparece na liderança do primeiro voto, com 27,1%. Carlos Bolsonaro tem 21,7%, Esperidião Amin 16,7% e Décio Lima 15,9%. Quando o eleitor é perguntado sobre o segundo voto, Carol novamente aparece em primeiro, com 22,8%, seguida por Carlos, com 21,8%, e Amin, com 20,4%. Na soma das duas escolhas, Carol chega a 49,9%, Carlos a 43,6%, Amin a 37,1% e Décio a 25,5%. A soma ultrapassa 100% porque cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado em 2026.

A pesquisa foi realizada pela Neokemp, contratada pelo O Correio do Povo, com 1.008 eleitores em 163 municípios, nos dias 10 e 11 de setembro. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número SC-05206/2026.

Mas o dado mais interessante não está apenas na fotografia de setembro. Está no movimento da série. Em julho, Carlos Bolsonaro tinha 27,7% no primeiro voto, contra 21% de Carol. Em agosto, Carol avançou para 25,5% e Carlos caiu para 24,2%. Agora, Carol chega a 27,1%, enquanto Carlos recua para 21,7%. Ou seja, em poucos meses, houve uma inversão clara de posições. Carol saiu de uma condição de segunda colocada para a liderança, enquanto Carlos continua forte, mas perdeu parte da vantagem que apresentava no início da corrida.

E é justamente por isso que nossa segunda aposta continua sendo Carlos Bolsonaro. Ele não desapareceu com a ascensão de Carol. Ao contrário. Seus 21,7% no primeiro voto e 21,8% no segundo mostram uma candidatura bastante equilibrada, com capacidade de aparecer nas duas escolhas do eleitor. Na soma, são 43,6%, número que o mantém claramente dentro da disputa pelas duas vagas. O sobrenome Bolsonaro, a força do campo conservador e sua capacidade de mobilização continuam sendo ativos eleitorais importantes.

O que mudou foi o equilíbrio da disputa. Carol passou a ocupar a primeira posição e Carlos aparece como o nome mais próximo dela. Amin, por sua vez, continua competitivo, mas precisa lidar com um problema que pode ser mais difícil de resolver do que uma simples oscilação de pesquisa.

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Amin pode estar pagando a conta da divisão

A rejeição de Esperidião Amin continua baixíssima, apenas 2,1%. Isso mostra que seu patrimônio político permanece intacto em boa medida. O eleitor catarinense conhece Amin, respeita sua trajetória e não demonstra uma resistência significativa ao seu nome. O problema, portanto, não parece ser rejeição. Pode estar justamente na capacidade de transformar esse patrimônio em mobilização eleitoral.

E aqui entram os acontecimentos recentes dentro do Progressistas. Amin está construindo sua candidatura em um projeto político diferente daquele defendido por boa parte da estrutura municipal progressista. Enquanto o senador se aproximou do grupo de João Rodrigues, uma parcela expressiva de prefeitos e vice-prefeitos do Progressistas declarou apoio à combinação de Amin para o Senado, mas Jorginho Mello para o Governo do Estado. A divisão, que durante algum tempo poderia ser tratada como uma questão interna, ganhou exposição pública e passou a fazer parte da própria disputa eleitoral.

Isso pode ter um efeito importante. Amin pode continuar sendo querido dentro do Progressistas e, ao mesmo tempo, não contar com toda a máquina política do partido trabalhando por sua candidatura na mesma intensidade. São coisas diferentes. Uma liderança pode preservar sua imagem, sua história e sua baixa rejeição, mas perder capacidade de mobilização. E uma eleição para o Senado, especialmente com duas vagas, depende muito dessa capacidade de estar presente nos municípios, nas alianças e na estrutura política local.

Não é possível afirmar que a divisão do Progressistas tenha causado a oscilação de Amin. A pesquisa não mede isso e seria errado transformar uma hipótese em fato. Mas é perfeitamente possível levantar uma questão: a guerra interna do partido pode estar cobrando uma conta eleitoral de Amin justamente no momento em que ele mais precisa consolidar seu primeiro voto.

O número do segundo voto reforça essa leitura. Amin tem 16,7% como primeira escolha, mas chega a 20,4% quando aparece como segunda opção. É um sinal de que existe um eleitorado que gosta de seu nome, mas que não necessariamente o coloca como prioridade. Em uma eleição na qual cada eleitor terá dois votos, isso é importante. Ser lembrado é uma coisa. Ser escolhido é outra.

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A eleição de duas vagas favorece quem consegue ocupar os dois espaços

É por isso que a liderança de Carol nas duas perguntas merece tanta atenção. Ela não depende exclusivamente de um eleitorado que já a colocou como primeira opção. Também aparece como segunda escolha de uma parcela relevante dos catarinenses. Carlos tem comportamento semelhante, com praticamente o mesmo percentual nos dois votos. Isso explica por que enxergamos os dois como as candidaturas mais fortes neste momento.

A eleição, evidentemente, ainda pode mudar. Pesquisas são fotografias, não resultados eleitorais. Há campanha pela frente, televisão, redes sociais, alianças, ataques, movimentos partidários e, principalmente, a capacidade de cada candidato transformar intenção de voto em voto efetivo. Mas quando uma candidatura cresce em sucessivas rodadas, lidera o primeiro e o segundo voto e mantém rejeição muito baixa, não dá para tratar isso como um detalhe.

Nossa aposta, portanto, permanece de pé e agora pode ser apresentada com mais clareza: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro são os dois nomes que, hoje, projetamos como eleitos para o Senado por Santa Catarina. Não significa dizer que a eleição está ganha ou que Amin esteja fora da disputa. Muito pelo contrário. Significa reconhecer que, diante dos números disponíveis e da movimentação política recente, os dois candidatos do campo conservador estão construindo a posição mais favorável.

Amin ainda tem tempo e patrimônio político para reagir. Mas precisa resolver uma equação que talvez seja tão importante quanto conquistar novos eleitores: reunificar uma estrutura política que hoje está dividida sobre o projeto majoritário em Santa Catarina.

Porque eleição para o Senado não se ganha apenas com história, sobrenome ou pesquisa. Ganha-se quando, no dia da eleição, existe uma estrutura capaz de transformar preferência em voto. E, neste momento, a pesquisa Neokemp mostra Carol na frente, Carlos logo atrás e Amin precisando encontrar uma maneira de recuperar terreno.

A disputa ainda está aberta. Mas começa a mudar de donos. E, se a tendência atual se confirmar, Santa Catarina poderá mandar ao Senado dois nomes que já aparecem, hoje, no topo da corrida: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.

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