Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

JOÃO TEM UMA ALIANÇA. MAS ELA VAI VIRAR VOTO?

Screenshot

publicidade

Na política, uma fotografia de convenção impressiona. Uma aliança com grandes partidos produz manchetes. Um palanque cheio transmite força. Mas eleição majoritária não se ganha pela quantidade de siglas. Ganha-se quando elas conseguem transformar estrutura política em voto.

É aí que começa o maior desafio de João Rodrigues.

A última Quaest disponível para Santa Catarina mostrou Jorginho Mello com 50%, João com 17% e Gelson Merisio com 4%. Na espontânea, quando nenhum nome é apresentado, Jorginho aparece com 24%, João com 7% e 65% não apontam candidato. A fotografia favorece amplamente o governador, mas o número de eleitores que ainda não declara preferência mostra que a eleição está longe de ter todos os seus votos definidos.

A aliança precisa sair do papel

João conseguiu montar uma das maiores alianças da eleição. PSD, MDB e Federação União Progressista estão no mesmo projeto. Carlos Chiodini será vice. Esperidião Amin e Antídio Lunelli disputam o Senado pela mesma composição.

No papel, é uma aliança robusta.

O problema é que eleição não acontece no papel.

Cada partido tem candidatos, interesses e prioridades próprias. Deputados precisam de votos. Prefeitos precisam preservar suas bases. Vereadores querem fortalecer seus grupos. Os candidatos ao Senado também precisam construir suas próprias campanhas. Tudo isso precisa caber dentro de um mesmo projeto majoritário.

Uma aliança só existe eleitoralmente quando seus integrantes trabalham pelo mesmo candidato. Caso contrário, pode ser enorme no palanque e pequena na urna.

O problema dos CPFs

O MDB é um exemplo dessa equação. A direção estadual fechou com João, mas o partido passou meses convivendo com lideranças próximas de Jorginho. Parte dessa realidade permanece nos municípios.

Não significa que o MDB esteja fora da aliança. Significa que existe uma diferença entre decisão partidária e comportamento eleitoral individual.

No Progressistas, a contradição é ainda mais evidente. A federação está formalmente na composição de João, enquanto a maioria das lideranças municipais do PP segue alinhada a Jorginho.

Leia Também:  Boi gordo: novo patamar de preços

O mesmo CNPJ pode estar em um projeto majoritário enquanto seus CPFs trabalham em outro.

E essa talvez seja a pergunta mais importante para João neste momento:

quantos partidos estarão com ele no papel e quantos estarão com ele na rua?

João precisa transformar presença em força

A campanha de João informa que ele já percorreu mais de 120 municípios neste ano. A estratégia de ampliar a presença territorial é correta e necessária.

Mas percorrer municípios não é o mesmo que conquistá-los.

É preciso transformar presença em liderança, liderança em rede, rede em mobilização e mobilização em voto.

Essa é a diferença entre uma campanha itinerante e uma campanha territorial.

João precisa fazer com que prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e lideranças locais tenham não apenas compromisso formal com sua candidatura, mas convicção de que ela é competitiva.

Porque existe uma variável que não aparece diretamente nas pesquisas: a coragem política de quem está no município.

A vantagem de Jorginho é maior que os números

Os 33 pontos de diferença na pesquisa estimulada representam uma distância eleitoral. Mas representam também uma diferença de percepção.

Jorginho não precisa convencer o Estado inteiro de que pode ganhar. Ele já lidera e parte de uma posição confortável.

João precisa fazer o contrário: convencer o eleitor, os aliados e principalmente as lideranças municipais de que a disputa pode mudar.

Isso ficou ainda mais importante porque a eleição nacional começa a contaminar a estadual. Jorginho está alinhado a um campo político nacional que hoje aparece forte em Santa Catarina, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro lideram em alguns dos maiores estados do país.

Se a polarização nacional continuar ocupando o centro da campanha, João terá ainda mais dificuldade para fazer o eleitor olhar exclusivamente para a disputa estadual.

A percepção de competitividade

Em eleição majoritária, percepção de competitividade é combustível.

Prefeitos, vereadores e lideranças locais tendem a assumir mais riscos quando enxergam possibilidade real de vitória. Quando essa percepção muda, os apoios também podem mudar de intensidade, mesmo sem mudança formal de partido.

Leia Também:  CI vai debater o 'constraint-off' no setor elétrico e seus custos para o consumidor

Por isso, João não precisa necessariamente virar uma pesquisa de uma hora para outra.

Precisa começar a reduzir a distância.

Se conseguir, poderá produzir um efeito político maior que os próprios pontos conquistados: lideranças hoje cautelosas podem se sentir mais confortáveis para assumir publicamente seu projeto. Se não conseguir, o movimento pode ser contrário.

É assim que uma aliança começa a perder densidade sem precisar romper formalmente.

O teste começa agora

A eleição entrou na fase em que palanques, convenções e fotografias dão lugar ao teste das estruturas.

João tem partidos importantes, prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais, nomes fortes ao Senado e uma chapa competitiva.

O que ainda precisa provar é se tudo isso consegue andar na mesma direção.

Porque uma coisa é reunir forças.

Outra, muito mais difícil, é fazer essas forças acreditarem que vale a pena apostar na mesma candidatura.

VEREDITO SOBRETUDO

A maior dificuldade de João Rodrigues não é falta de aliados. É transformar aliados em uma estrutura eleitoral coordenada e competitiva.

A pesquisa mostra uma vantagem expressiva de Jorginho, mas também revela um eleitorado ainda parcialmente aberto. Existe espaço para mudança. O que não existe é muito tempo para esperar que ela aconteça naturalmente.

João precisa ampliar sua presença fora de seus redutos, fazer a aliança funcionar nos municípios e, principalmente, criar percepção real de competitividade.

Se conseguir, a distância pode começar a diminuir.

Se não conseguir, corre o risco de ter uma das maiores alianças partidárias da eleição sem necessariamente ter a maior força eleitoral.

Porque a urna não soma partidos.

A urna soma votos.

A PERGUNTA QUE FICA

João Rodrigues conseguiu reunir PSD, MDB e Federação União Progressista no mesmo palanque.

Agora precisa fazer algo muito mais difícil:

fazer todos eles acreditarem que pedir o mesmo voto vale a pena.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade