A eleição em Santa Catarina entrou na semana decisiva. E, enquanto a disputa pelo Governo começa a ganhar contornos mais definidos, é no Senado que está concentrada uma das maiores incógnitas da eleição.
A pesquisa Quaest colocou Carol De Toni com 17%, Carlos Bolsonaro com 16% e Esperidião Amin com 15%. Os três aparecem tecnicamente empatados. Décio Lima tem 10%.
Mas há um número ainda mais importante: 22% dos eleitores continuam indecisos na pesquisa estimulada para o Senado. Na espontânea, quando os nomes não são apresentados, a indefinição chega a 71%.
É aí que começa a verdadeira reta final.
Não se trata mais apenas de conquistar quem ainda não decidiu em quem votar. Trata-se também de disputar o eleitor que já escolheu um nome, mas ainda precisa escolher o segundo.
E essa diferença muda completamente a lógica da campanha.
O eleitor não vota necessariamente em bloco
Santa Catarina elegerá dois senadores. Portanto, um candidato não precisa necessariamente retirar votos de outro para crescer. Pode conquistar o segundo voto de quem já está decidido por um adversário.
É nesse ponto que a eleição começa a ficar particularmente interessante.
A polarização nacional pode produzir a impressão de que determinados grupos votarão automaticamente em dois nomes do mesmo campo político. Os números, porém, não permitem afirmar isso.
Carol De Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin aparecem próximos na fotografia atual, mas isso não significa que estejam disputando exatamente o mesmo eleitor em todas as regiões e segmentos.
O eleitor pode escolher um nome por identidade política e outro por experiência, proximidade regional, confiança ou simplesmente combinar seus dois votos de acordo com critérios diferentes.
Por isso, os próximos dias podem ser decisivos.
A guerra pelo eleitor já conquistado
Quando uma campanha passa a atacar diretamente um adversário, existe um efeito que não pode ser ignorado: ela não fala apenas com quem já conhece os dois.
Também apresenta um candidato ao eleitor que ainda não prestava atenção nele.
Isso ficou evidente na disputa entre Amin e Carlos Bolsonaro.
O confronto entre os dois deixou de ser apenas uma divergência entre candidatos e passou a ocupar espaço na comunicação eleitoral. O resultado é que ambos passam a ser mais conhecidos por eleitores que talvez ainda não tivessem formado uma opinião sobre um deles.
Isso pode produzir diferentes efeitos eleitorais. Mas uma coisa é objetiva:
a exposição também é disputa.
E, a poucos dias da eleição, cada movimento pode interferir na escolha do segundo voto.
Enquanto isso, o Governo segue outro caminho
A diferença entre as duas disputas chama atenção.
Enquanto Jorginho Mello aparece com vantagem muito ampla na corrida pelo Governo, a disputa pelo Senado continua concentrada em uma faixa muito mais estreita.
São duas eleições acontecendo simultaneamente, mas em momentos diferentes.
No Governo, a discussão está muito mais concentrada na dimensão da vantagem apresentada pelas pesquisas.
No Senado, a pergunta é outra:
quem conseguirá transformar intenção em voto e, principalmente, quem conseguirá ocupar uma das duas vagas quando uma parcela significativa do eleitor ainda não definiu sua combinação?
A última semana
Não há como antecipar o resultado.
Pesquisa é fotografia, não resultado de urna. E a proximidade entre os três primeiros, dentro da margem de erro, recomenda cautela.
O que os números permitem dizer é que a disputa pelo Senado continua aberta.
E isso coloca os candidatos diante de uma última semana diferente.
Já não basta falar para a própria bolha.
É preciso ampliar conhecimento, consolidar identidade, convencer quem está indeciso e, talvez principalmente, conquistar espaço no segundo voto daqueles que já escolheram outro candidato.
É nesse momento que a campanha deixa de ser apenas uma corrida para conquistar votos.
Passa a ser uma disputa pelo eleitor do adversário.
E, em uma eleição para duas vagas, essa pode ser a diferença entre aparecer na fotografia da pesquisa e chegar à urna com uma combinação de votos capaz de garantir uma das duas cadeiras.
A semana começou. No Governo, a disputa tem uma dinâmica. No Senado, a eleição continua aberta. E os próximos dias serão justamente aqueles em que cada candidato tentará transformar o eleitor do adversário em seu segundo voto.




























