A saída de João Rodrigues da prefeitura, a pesquisa ao Senado e a movimentação de prefeitos mostram que Santa Catarina entrou de vez no jogo eleitoral. O problema é que, apesar do barulho, ainda não há controle claro do tabuleiro.
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João sai do cargo e entra de vez na disputa
A renúncia de João Rodrigues marca o primeiro movimento concreto de campanha.
Não é mais pré-candidatura.
É candidatura em execução.
O gesto vem acompanhado de:
• pacote de R$ 200 milhões em obras
• discurso comparativo com o governo estadual
• críticas diretas, ainda que sem citação nominal, a Jorginho Mello
João tenta fazer algo claro: transformar gestão municipal em argumento estadual
E, mais do que isso, posicionar sua candidatura como alternativa prática, não apenas política.
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O discurso muda de tom — e aponta o caminho da campanha
Há três linhas evidentes na fala de João:
• comparação direta de entregas
• crítica ao que chama de excesso de marketing do governo
• defesa de uma política menos polarizada
Isso indica o desenho da campanha:
– menos ideologia
– mais gestão
– e tentativa de ampliar eleitor além da base tradicional
Mas há um desafio evidente.
Esse discurso precisa chegar onde João ainda não chegou com força: o estado inteiro.
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A base ainda não acompanha o movimento
Apesar do ato forte em Chapecó, o cenário ao redor continua instável.
MDB e Progressistas seguem com problemas internos.
E, mais importante: prefeitos continuam se movendo por lógica própria.
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O MDB expõe sua divisão em público
A reunião liderada por Fernando Krelling
deixou claro que o MDB está longe de uma decisão unificada.
De um lado:
• direção sinalizando aproximação com João
Do outro:
• deputados, prefeitos e lideranças defendendo permanência com o governo
E não é apenas posição política.
OÉ estrutura.
Secretários, cargos e relação direta com o governo pesam.
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Prefeitos escolhem caminho antes do partido
O movimento mais relevante não está nas executivas.
Está nos prefeitos.
No Sul do estado, lideranças municipais do MDB já declararam apoio a
Jorginho Mello, mesmo com o partido discutindo outro caminho.
O motivo é direto: convênios, obras e relação institucional
Na prática, isso significa: o voto está sendo organizado fora dos partidos.
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O Progressistas segue a mesma lógica
O que aconteceu no PP começa a se repetir.
Base alinhada ao governo.
Direção tentando construir alternativa.
E um senador, Esperidião Amin,
tentando sustentar um projeto que depende de unidade que ainda não existe.
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A pesquisa ao Senado revela o problema central
A sondagem da AtlasIntel,
divulgada pelo Estadão, mostra:
• Caroline de Toni — 30,7%
• Esperidião Amin — 20,1%
• Carlos Bolsonaro — 18,3%
Com cerca de 1.600 entrevistas, margem de erro de ±2 pontos e nível de confiança de 95%.
Mas o dado principal não é a liderança.
É a divisão. Os três disputam o mesmo campo político
E isso, historicamente, não se sustenta até o fim.
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O risco de quem está no meio
Amin aparece competitivo.
Mas em posição delicada.
Se houver concentração de voto:
• pode crescer rapidamente
• ou pode ser comprimido entre dois polos
E essa definição ainda não aconteceu.
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O governo segue operando sem entrar no conflito
Enquanto isso, Jorginho mantém outra estratégia.
Participa de atos, amplia base, como na filiação de lideranças ao PL, e evita confronto direto.
O movimento é claro: deixar o adversário gastar energia se organizando
Enquanto isso, consolida apoio.
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O PSD ganha corpo — mas ainda precisa provar escala
A filiação de nomes como Nilso Berlanda ao PSD e o ato em Chapecó mostram crescimento político.
Mas crescimento político não é, automaticamente, crescimento eleitoral.
O desafio continua sendo o mesmo: transformar articulação em capilaridade estadual
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PONTO DE VISTA
Santa Catarina entrou, de fato, na eleição.
Mas ainda não entrou na definição.
Há movimento.
Há discurso.
Há candidatura em campo.
Mas ainda falta o principal: alinhamento entre liderança, partido e base.
João Rodrigues deu o primeiro passo concreto.
O governo mantém a vantagem estrutural.
Os partidos seguem divididos.
E o Senado mostra um eleitor fragmentado.
A eleição começou. Mas ainda não tem dono.
E, neste tipo de cenário, não vence quem sai primeiro.
Vence quem consegue organizar o jogo antes que ele se defina sozinho.




























