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SOBRETUDO. Quem perdeu o controle do próprio partido

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A política catarinense vive um momento curioso. Não é falta de articulação, nem de movimento. É algo mais básico. Falta de controle. E isso começa a aparecer de forma cada vez mais clara dentro dos principais partidos do estado.

 

MDB já não é comandado por um único centro

O caso mais evidente é o MDB.

A direção, liderada por Carlos Chiodini, mantém um caminho alinhado ao projeto de João Rodrigues.

Mas a base não está esperando.

Prefeitos, deputados e lideranças já operam em outra direção, muitos deles próximos ao governo de Jorginho Mello.

Quando um partido começa a tomar decisões diferentes dependendo de quem executa, ele deixa de ter comando único.

Passa a ter múltiplos centros de poder.

E isso raramente termina em unidade.

Progressistas vive o mesmo problema, com outro formato

O Progressistas enfrenta uma situação semelhante, mas com uma diferença importante.

Aqui, o desalinhamento está entre liderança e estrutura partidária.

O senador Esperidião Amin já definiu seu caminho político.

Mas o partido, como instituição, não acompanhou de forma homogênea.

Resultado, um partido que tem posição
mas não tem coesão.

E isso enfraquece qualquer estratégia antes mesmo da eleição começar.

PSD depende de decisões que não controla

O projeto liderado por João Rodrigues parece organizado.

Mas há um detalhe que muda tudo.

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Ele depende diretamente de partidos que não estão sob seu controle. MDB e Progressistas.

Ou seja, o PSD hoje lidera um projeto
sem controlar as variáveis principais dele.

Isso não é liderança consolidada.
É liderança condicionada.

PL ocupa espaço deixado pelos outros

Enquanto isso, o PL opera com uma vantagem clara.

Tem comando definido, tem direção alinhada e executa sem ruído interno relevante.

A aproximação com bases de outros partidos, especialmente do MDB, mostra isso na prática.

Não é apenas articulação.

É ocupação de espaço deixado por quem não consegue decidir.

União Brasil observa e espera o melhor cenário

O União Brasil segue em uma posição estratégica.

Sem se expor, sem fechar completamente posição, mantendo margem de negociação.

Isso pode parecer hesitação. Mas, na prática, é cálculo.

Entrar no jogo certo no momento certo.

A esquerda também tem fissuras sob a superfície

A construção em torno da candidatura de Gelson Merisio tenta sustentar uma imagem de unidade, mas também enfrenta seus próprios desafios.

A aliança reúne partidos diferentes, com objetivos distintos e bases que nem sempre caminham naturalmente juntas. Dentro do PT, por exemplo, ainda existem resistências à ausência de candidatura própria, mesmo que minoritárias.

Além disso, o próprio Merisio precisa ser assimilado por um campo político onde não construiu sua trajetória. Isso exige tempo, coerência e capacidade de manter o equilíbrio entre discurso e prática.

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É uma construção que funciona no cálculo eleitoral, mas que ainda será testada quando a disputa sair do acordo e entrar na pressão real da campanha.

O sistema político começa a girar em falso

Quando você junta tudo isso, o cenário fica claro.

Partidos grandes sem controle interno
projetos dependentes de terceiros
decisões sendo empurradas

O sistema começa a girar, mas não avança.

E quem avança nesse ambiente é quem consegue manter direção clara.

 

PONTO DE VISTA

O que Santa Catarina vive hoje não é apenas uma disputa eleitoral antecipada. É uma crise silenciosa de comando político.

MDB e Progressistas já mostram dificuldade de alinhar suas estruturas. O PSD lidera, mas depende de decisões que não controla. A esquerda tenta construir unidade, mas ainda precisa provar que ela se sustenta sob pressão.

Ao mesmo tempo, quem tem direção mais clara começa a ocupar espaço sem necessariamente aparecer mais.

No fim, a eleição não será decidida apenas por quem tem mais alianças ou mais discurso.

Será decidida por quem conseguir manter o próprio campo unido enquanto os outros se desorganizam.

E, hoje, esse parece ser o ativo mais raro na política catarinense.

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