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A pesquisa mostra quem lidera hoje. Mas a eleição será decidida por outra pergunta: quem ainda tem espaço para crescer?

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Pesquisas eleitorais costumam provocar uma reação quase automática. Os olhos se voltam para a intenção de voto, os candidatos comemoram ou lamentam posições, e o debate político passa a girar em torno de quem está na frente e quem está atrás. Mas uma boa pesquisa faz muito mais do que isso. Ela revela tendências, mostra limites de crescimento e ajuda a compreender como o eleitor está construindo sua percepção sobre cada candidatura.

 

Foi exatamente isso que mostrou o levantamento do Instituto de Pesquisa Catarinense (IPC), contratado pela Associação Catarinense de Jornais (ACJ). Realizada entre os dias 9 e 13 de julho, a pesquisa ouviu 1.050 eleitores em 54 municípios catarinenses, possui margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-09576/2026 e SC-09951/2026.

 

No cenário estimulado para o Governo do Estado, os números são os seguintes:

 

* Jorginho Mello (PL): 53,3%

* João Rodrigues (PSD): 26,2%

* Gelson Merísio (PSB): 8,6%

* Laís Chaud (UP): 1,7%

* Ralf Zimmer (PRD): 0,9%

* Marcelo Brigadeiro (Missão): 0,8%

* Não sabem: 4,9%

* Brancos e nulos: 3,7%

 

À primeira vista, o cenário parece confortável para o governador Jorginho Mello. Com 53,3% das intenções de voto, ele aparece, hoje, em posição de vencer a eleição ainda no primeiro turno. Mas é justamente nesse ponto que a análise precisa começar, e não terminar.

 

Toda liderança expressiva produz um efeito colateral inevitável: aumenta o grau de exposição pública. Quem governa toma decisões diariamente, enfrenta crises, anuncia investimentos, desagrada setores e assume responsabilidades que os adversários ainda não precisaram assumir. Isso explica por que o mesmo levantamento mostra Jorginho também liderando outro indicador.

 

Na rejeição, os números são:

 

* Jorginho Mello: 16,7%

* Gelson Merísio: 14,3%

* Ralf Zimmer: 8,3%

* João Rodrigues: 6,6%

* Marcelo Brigadeiro: 6,4%

* Laís Chaud: 4,3%

 

Além disso, a pesquisa aponta que 23% dos entrevistados afirmam não rejeitar nenhum dos candidatos, 7,4% rejeitam todos os nomes apresentados e 13,1% não souberam responder.

 

É exatamente aqui que a pesquisa deixa de ser uma simples fotografia eleitoral e passa a oferecer elementos para compreender a dinâmica da disputa.

 

Existe uma tendência de interpretar a maior rejeição como um problema eleitoral. Nem sempre é assim. Rejeição e conhecimento caminham juntos. Quanto maior a exposição de um candidato, maior tende a ser também o número de pessoas que formam uma opinião definitiva sobre ele, seja positiva ou negativa. É o preço político de quem ocupa o poder. Nesse contexto, os 16,7% de rejeição de Jorginho não podem ser analisados isoladamente. Eles fazem parte da condição de quem governa e, ao mesmo tempo, lidera com ampla margem as intenções de voto.

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A situação de João Rodrigues é diferente. Seus 26,2% nas intenções de voto mostram que ele se consolidou como principal nome da oposição. Ao mesmo tempo, sua rejeição de 6,6% indica que ainda possui um espaço relativamente amplo para ampliar sua exposição sem carregar, por enquanto, um elevado desgaste. Mas esse dado também precisa ser interpretado com cautela. João ainda será submetido ao teste mais difícil da campanha. Quanto maior sua presença nos debates, na propaganda eleitoral e no confronto direto com o governo, maior será também o escrutínio sobre sua trajetória, suas propostas e suas posições. A história das eleições mostra que candidatos de oposição costumam iniciar a disputa com rejeição menor exatamente porque ainda não enfrentaram o mesmo nível de exposição do governante.

 

Talvez o dado mais delicado da pesquisa seja o de Gelson Merísio. Com 8,6% das intenções de voto e 14,3% de rejeição, ele enfrenta uma equação politicamente difícil. Hoje, há mais eleitores afirmando que não votariam nele do que eleitores declarando intenção de voto. Esse tipo de cenário costuma limitar o crescimento de uma candidatura, porque antes de conquistar novos apoios ela precisa reduzir resistências já consolidadas.

 

Mas talvez o dado mais importante da pesquisa não pertença a nenhum candidato.

 

Os 23% dos entrevistados que afirmam não rejeitar nenhum dos nomes representam um espaço político enorme. Em um ambiente marcado por forte polarização, quase um quarto do eleitorado ainda mantém disposição para avaliar alternativas. Esse grupo indica que a eleição está longe de estar emocionalmente encerrada. Há um contingente significativo de eleitores que continua aberto ao convencimento.

 

Da mesma forma, os 7,4% que rejeitam todos os candidatos revelam um fenômeno que merece atenção. Mais do que rejeitar nomes específicos, esse grupo expressa um sentimento de afastamento em relação à política. Dependendo da evolução da campanha, poderá migrar para candidaturas alternativas, optar pela abstenção ou simplesmente anular o voto.

 

Há ainda outro dado frequentemente ignorado. Os 13,1% que não souberam responder demonstram que uma parcela importante do eleitorado sequer consolidou sua percepção sobre os candidatos. Em uma campanha longa, esse grupo tende a ser particularmente sensível aos acontecimentos políticos dos próximos meses.

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O que a pesquisa diz. E o que ela ainda não diz.

 

A pesquisa diz que Jorginho Mello lidera com ampla vantagem e, hoje, venceria a eleição em primeiro turno. Diz que João Rodrigues se consolidou como principal adversário. Diz que Gelson Merísio enfrenta dificuldades adicionais em razão da relação entre intenção de voto e rejeição. E diz que existe um grupo expressivo de eleitores ainda sem rejeições consolidadas.

 

Mas ela ainda não responde algumas perguntas fundamentais.

 

Como a campanha oficial influenciará a rejeição dos candidatos mais expostos?

 

João Rodrigues conseguirá ampliar seu conhecimento mantendo baixos índices de rejeição?

 

Jorginho conseguirá preservar sua vantagem sem que o desgaste natural de quem governa aumente significativamente sua rejeição?

 

Os debates, a propaganda eleitoral e os fatos políticos dos próximos meses terão força para alterar esse cenário?

 

Essas respostas ainda não existem.

 

E talvez seja justamente isso que torna esta pesquisa tão interessante.

 

 

PONTO DE VISTA

 

Existe um hábito quase automático na política brasileira. Quando uma pesquisa é divulgada, todos procuram descobrir quem está ganhando. Poucos perguntam por quê. E quase ninguém pergunta até quando.

 

Talvez esse seja o maior erro das análises eleitorais.

 

Pesquisas não antecipam o futuro. Elas mostram onde cada candidatura está naquele momento. O que transforma uma fotografia em tendência é a capacidade — ou a incapacidade — de cada campanha administrar os meses seguintes.

 

Quem lidera precisa evitar o excesso de confiança.

 

Quem aparece atrás precisa evitar a ansiedade.

 

Quem tem baixa rejeição precisa tomar cuidado para que a visibilidade não a transforme em desgaste.

 

E quem já enfrenta resistência elevada terá de convencer antes mesmo de conquistar novos votos.

 

No fundo, todos disputam o mesmo ativo.

 

Confiança.

 

É ela que explica por que alguns candidatos crescem mesmo enfrentando críticas. É ela que explica por que outros estacionam mesmo investindo pesadamente em campanha.

 

A política costuma acreditar que eleições são vencidas por quem conquista mais votos.

 

Mas existe outra forma de enxergar esse processo.

 

Muitas vezes, elas são vencidas por quem consegue crescer sem perder confiança no caminho.

 

A pergunta que fica

 

A liderança confortável registrada hoje será suficiente para atravessar uma campanha inteira ou os próximos meses mostrarão que, em política, preservar a confiança pode ser muito mais difícil do que conquistar a liderança?

 

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