Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
SOBRETUDO

A oposição entra na fase decisiva. Agora já não basta criticar, será preciso convencer.

publicidade

A pré-campanha de 2026 em Santa Catarina começa a mudar de natureza. Durante muitos meses, o centro do debate esteve nos bastidores: pesquisas, alianças, chapas, federações, movimentações partidárias e especulações sobre quem estaria com quem. Esse período está chegando ao fim. Aos poucos, a política entra em uma fase muito mais exigente. A partir de agora, o eleitor deixará de perguntar quem será candidato e começará a fazer uma pergunta muito mais difícil de responder: por que esse candidato merece governar Santa Catarina?

Essa mudança parece simples, mas altera completamente a lógica da eleição. Até aqui, a oposição cumpriu um papel esperado. Fiscalizou o governo, explorou desgastes, questionou obras, reagiu às pesquisas e procurou construir uma narrativa de alternância de poder. É uma estratégia legítima e faz parte da democracia. Mas chega um momento em que isso deixa de ser suficiente. O eleitor passa a querer conhecer o projeto de quem pretende substituir o governo. Criticar exige diagnóstico. Governar exige solução. E apresentar soluções concretas costuma ser muito mais complexo do que apontar problemas administrativos.

Esse desafio não vale apenas para João Rodrigues. Vale para qualquer candidatura que pretenda disputar o governo estadual. Santa Catarina possui um eleitorado que historicamente valoriza gestão. Antes de escolher um governador, costuma observar quem demonstra maior capacidade de execução e quem transmite segurança para conduzir o Estado. Por isso, apenas explorar o desgaste natural de quem governa dificilmente será suficiente para alterar um cenário que hoje ainda é favorável a Jorginho Mello. Da mesma forma, o governador também entra em uma nova etapa da disputa. Quem busca a reeleição não pode viver apenas das entregas realizadas. Precisa convencer o eleitor de que ainda possui um projeto para os próximos quatro anos. A reeleição nunca representa apenas um julgamento do passado. Ela também é um voto de confiança no futuro. É exatamente por isso que a campanha começa a deixar de ser uma disputa entre críticas e respostas para se transformar em uma comparação entre projetos.

O Senado entra em uma disputa onde o maior adversário pode estar no mesmo campo político

Leia Também:  SOBRETUDO. Jorginho decidiu transformar a disputa pelos prefeitos em demonstração pública de força política

Se a disputa pelo Governo do Estado apresenta hoje um favorito, a corrida pelo Senado caminha no sentido oposto. Talvez seja a eleição mais aberta e imprevisível das últimas décadas em Santa Catarina. A entrada de Antídio Lunelli alterou profundamente o cenário político. Esperidião Amin perdeu parte de um eleitorado que parecia consolidado, Caroline De Toni passou a dividir ainda mais o voto conservador, Carlos Bolsonaro preserva uma base fiel, mas convive com elevados índices de rejeição, enquanto Décio Lima mantém seu espaço e Afrânio Boppré tenta consolidar o eleitorado de esquerda. O resultado é uma eleição em que praticamente todos possuem possibilidades reais de vitória, mas nenhum conseguiu construir uma vantagem confortável.

Esse cenário produz uma consequência pouco observada. Na eleição para governador, normalmente o principal adversário está no campo oposto. Na disputa pelo Senado, o maior concorrente muitas vezes está ao lado. Hoje, candidatos da direita e da centro-direita disputam, em diferentes níveis, praticamente o mesmo eleitor. Isso aumenta a fragmentação, dificulta consolidações e torna a campanha extremamente sensível a pequenos movimentos. Se esse quadro permanecer até a eleição, não será surpresa se uma das vagas for definida por uma diferença mínima de votos. Nesse ambiente, a estratégia muda completamente. Mais importante do que conquistar novos eleitores será evitar perder espaço para candidatos que dialogam com o mesmo público. Será uma campanha de precisão, onde erros podem custar muito mais do que em disputas tradicionais.

A verdadeira eleição está sendo construída longe dos holofotes

Enquanto boa parte da atenção permanece concentrada nas pesquisas e nas declarações públicas, outra eleição está sendo construída de forma silenciosa. Ela acontece nos municípios, nas conversas com prefeitos, vereadores, lideranças regionais e comunitárias. É nesse ambiente que as campanhas procuram consolidar uma estrutura capaz de transformar discurso em voto. A intensificação das agendas de João Rodrigues ao lado de lideranças do MDB, Progressistas e União Brasil demonstra que essa articulação regional ganhou prioridade. Ao mesmo tempo, Jorginho Mello continua ampliando sua base política, fortalecendo alianças e reduzindo espaços de incerteza antes mesmo do início oficial da campanha.

Leia Também:  Motorista de aplicativo é encontrado morto em Chapecó; suspeitos são presos no Paraná

Essa talvez seja uma das características mais importantes da eleição de 2026. Ela poderá ser decidida menos pelos grandes atos partidários e mais pela capacidade de construir presença nos municípios. Santa Catarina continua sendo um estado onde lideranças locais exercem forte influência sobre o comportamento do eleitor. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e dirigentes regionais ainda possuem um papel decisivo na organização das campanhas. Ignorar essa realidade seria um erro estratégico. Quem chegar ao período eleitoral com a rede municipal mais estruturada largará em vantagem quando a disputa pelo voto realmente começar.

 

PONTO DE VISTA

A política catarinense está deixando para trás a fase mais confortável da pré-campanha. Durante meses foi possível crescer ocupando espaços, formando alianças e criticando adversários. Agora começa a etapa mais difícil: convencer. O governo precisará mostrar por que merece permanecer. A oposição terá de demonstrar por que seria capaz de fazer melhor. Os candidatos ao Senado enfrentarão uma disputa intensa dentro do próprio campo político. E todos dependerão de uma estrutura regional sólida para transformar articulações em votos.

Se fosse possível fazer uma estimativa neste momento, ela não seria sobre quem vencerá a eleição, mas sobre como ela será vencida. Tudo indica que os próximos meses serão menos marcados por grandes confrontos e mais por uma disputa silenciosa de credibilidade, capacidade de gestão, articulação política e apresentação de projetos. Quem chegar à reta final apenas com críticas ao adversário corre o risco de descobrir que isso já não basta. O eleitor catarinense costuma premiar quem demonstra competência para administrar, capacidade para unir e clareza sobre o futuro que pretende construir. É justamente aí que a eleição começa a mudar de patamar. Campanhas podem nascer nos partidos e nos bastidores, mas são as propostas, a credibilidade e a confiança que, no fim, transformam candidatos em governantes.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade