Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

SOBRETUDO. Jorginho decidiu transformar a disputa pelos prefeitos em demonstração pública de força política

publicidade

Jorginho decidiu transformar a disputa pelos prefeitos em demonstração pública de força política

 

A fala do governador Jorginho Mello no Sul do estado talvez tenha sido uma das manifestações políticas mais importantes das últimas semanas em Santa Catarina. Não apenas pelo conteúdo da declaração, mas pelo que ela revela sobre o momento real da pré-eleição de 2026.

 

Ao afirmar que “100% dos prefeitos do PP estão comigo” e que “grande parte dos prefeitos do MDB também” acompanham seu projeto de reeleição, Jorginho deixou claro que decidiu disputar publicamente algo que até pouco tempo era tratado apenas nos bastidores, o controle territorial da política catarinense.

 

E isso muda bastante o cenário.

 

A disputa deixou de ser apenas partidária. Virou disputa por estrutura real.

 

Durante muitos meses, o debate político catarinense ficou concentrado nas executivas estaduais, nas alianças formais e nas declarações de lideranças históricas.

 

Mas o governador começa a sinalizar outra leitura política.

 

Na prática, Jorginho parece trabalhar com a lógica de que eleição não se vence apenas com apoio institucional de partidos. Se vence com prefeitos, bases municipais, vereadores, estrutura regional e presença territorial organizada.

 

E é justamente aí que o governo acredita possuir vantagem hoje.

 

A declaração feita no Sul não foi improvisada. Ela foi uma demonstração pública de confiança sobre o controle político das bases municipais.

 

O PP vive hoje uma situação politicamente rara

 

O Progressistas talvez seja atualmente o partido mais complexo da política catarinense.

 

Porque existe uma diferença cada vez mais evidente entre a direção política defendida por sua principal liderança histórica e o comportamento prático das suas bases municipais.

Leia Também:  Megaoperação mira PCC e cumpre 559 mandados em quatro estados

 

O senador Esperidião Amin assumiu a presidência estadual do partido e se alinhou politicamente ao projeto de João Rodrigues.

 

Mas, ao mesmo tempo, prefeitos, vereadores e lideranças regionais do PP seguem cada vez mais próximos da estrutura do governo estadual.

 

Isso acontece por razões muito objetivas.

 

Prefeitos operam política municipal todos os dias. Dependem de obras, convênios, investimentos, relação administrativa e acesso à máquina estadual.

 

E Jorginho entendeu rapidamente esse ponto.

 

O governo aposta no pragmatismo das bases municipais

 

Talvez a principal estratégia política do governador neste momento seja justamente essa:

fortalecer relação direta com prefeitos independentemente da posição formal das executivas partidárias.

 

O governo percebeu que parte importante da política catarinense funciona muito mais pelo pragmatismo administrativo do que pela fidelidade ideológica absoluta.

 

Por isso, a fala de Jorginho sobre prefeitos do PP e MDB possui um peso político muito maior do que aparenta inicialmente.

 

Ela tenta consolidar uma narrativa clara:

o governo pode até enfrentar resistência em algumas cúpulas partidárias, mas mantém forte presença nas bases municipais.

 

E em eleições estaduais isso costuma fazer enorme diferença.

 

João Rodrigues enfrenta um desafio silencioso

 

O problema para João Rodrigues talvez não seja construir discurso oposicionista. Ele já demonstrou capacidade política para isso.

 

O desafio maior começa a ser outro:

transformar alianças partidárias em mobilização territorial efetiva.

 

Porque existe uma diferença importante entre:

ter apoio formal de lideranças estaduais

e possuir prefeitos efetivamente engajados na campanha.

Leia Também:  Fapesc credencia instituições de ensino superior catarinenses para participação em editais de bolsas de Mestrado e Doutorado

 

E o governador começa justamente a explorar essa diferença.

 

O MDB vive problema parecido

 

Quando Jorginho afirma que parte importante dos prefeitos do MDB também está com ele, o recado político é semelhante.

 

O MDB catarinense continua dividido entre:

a direção estadual alinhada ao projeto oposicionista

e prefeitos que mantêm forte relação administrativa com o governo estadual.

 

Isso produz um ambiente delicado para o partido.

 

Porque quanto mais a eleição se aproxima, mais difícil fica sustentar uma divisão entre discurso institucional e comportamento político real das bases.

 

A eleição catarinense começa a ganhar outra lógica

 

Talvez a principal mudança do cenário político catarinense esteja exatamente aqui.

 

A disputa de 2026 começa lentamente a sair do campo exclusivamente ideológico e entrar em uma lógica muito mais territorial e estrutural.

 

Prefeitos passam a pesar mais.

Bases municipais passam a importar mais.

Estrutura regional começa a valer mais do que apenas discurso político.

 

E isso favorece naturalmente quem ocupa o governo estadual.

 

PONTO DE VISTA

 

A declaração de Jorginho no Sul talvez tenha sido menos uma fala sobre partidos e mais uma demonstração de força territorial.

 

O governador parece cada vez mais convencido de que sua vantagem para 2026 não está apenas na máquina pública ou no discurso ideológico.

 

Está principalmente na capilaridade política construída junto aos prefeitos e lideranças municipais.

 

E isso cria um cenário desafiador para a oposição.

 

Porque alianças estaduais podem produzir manchetes.

 

Mas são as bases municipais que normalmente sustentam campanhas competitivas no interior de Santa Catarina.

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade