Presidente do Senado teria dito na reunião de líderes que “não há hipótese” dele pautar o pedido de impedimento do ministro da Suprema Corte que ingressou na mais alta instância do Poder Judiciário em 2017 após indicação do ex-presidente Temer.
Por Humberto Azevedo
Os parlamentares bolsonaristas celebraram nesta quinta-feira, 7 de agosto, ter alcançado as 41 assinaturas de senadores (maioria simples daquela Casa) a favor da abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e falam, agora, em cobrar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Ao comemorarem nas redes digitais o número de 41 assinaturas, os parlamentares aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) divulgaram agora a pouco a lista dos senadores que teriam assinado o pedido de impedimento do ministro da Suprema Corte que ingressou na mais alta instância do Poder Judiciário, em 2017, após ser indicado para o cargo pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).
Em conversa com líderes partidários da “Casa da Federação”, o presidente do Senado e, consequentemente, do Congresso Nacional, teria dito na reunião que teve nesta última quarta-feira, 6 de agosto, aos vários líderes presentes no encontro, de que “não há hipótese” alguma para que ele coloque pauta, ou aceite para início de tramitação.
“O presidente [se referindo a Alcolumbre] disse que a questão do impeachment é uma atribuição dele. E ele, para usar as palavras dele, disse: ‘não há hipótese de que eu coloque para votar essa matéria’”, disse o líder do PSB no Senado – senador Cid Gomes (CE) – em conversas com jornalistas.
Mas, independente desta fala de Alcolumbre feita reservadamente na reunião de líderes para decidir o que seria feito com a decisão dos senadores bolsonaristas de invadirem e ocuparem a Mesa Diretora daquela Casa federativa, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) – líder do bloco “Vanguarda” – que reúne senadores do PL e do Novo, comentou que eles decidiram em desocupar a Mesa Diretora porque teriam alcançado nesta madrugada as 41 assinaturas de senadores a favor do impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.
O senador bolsonarista do PL mato-grossense ressaltou que o momento “marca a reafirmação do parlamento como espaço de construção coletiva” e “reafirmou a legitimidade da atuação da oposição” em impedir que os trabalhos legislativos fossem reabertos na última terça-feira, 5 de agosto, defendendo que só desocuparam as Mesas Diretoras das Casas legislativas se os presidentes da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado atendessem suas reivindicações em votar o projeto, que concede anistia aos condenados bolsonaristas dos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro Moraes.
“Essa foi uma manifestação legítima, feita em nome do povo. Representamos milhões de brasileiros que esperam do Congresso uma postura firme diante de injustiças. A democracia no Parlamento se constrói por meio de entendimentos, mas é no voto que se decide. A minoria tem o direito legítimo à obstrução, e fizemos isso de forma responsável. Foi uma das experiências mais marcantes dos meus mandatos: exercer o papel de oposição para garantir que a democracia funcione, com respeito ao direito de ir e vir, à liberdade de expressão e ao devido processo legal”, afirmou Wellington Fagundes.
“Esperamos agora que os acordos firmados, tanto na Câmara quanto no Senado, sejam cumpridos. O que queremos é que as matérias sejam colocadas em votação — e que a maioria vença. O que não pode acontecer é o presidente das Casas simplesmente se recusar a colocar a tese da minoria em debate. Essa é a essência da democracia. E é por isso que continuamos cobrando a apreciação dessas pautas, sem manobras ou silenciamento político”, complementou o senador do PL de Mato Grosso.
“O Senado ouviu o clamor do povo e alcançamos as 41 assinaturas para abrir o impeachment de Alexandre de Moraes. O Brasil cansou de abusos, censura e perseguição. A resposta veio de onde devia: da democracia viva nas ruas!”, exclamou o ex-secretário de Previdência e ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo Bolsonaro – Rogério Marinho (PL-RN).
“Estamos aqui no Senado da República onde conquistamos com muita luta as 41 assinaturas de senadores para o impeachment do ministro-ditador Alexandre de Moraes. Já não temos mais democracia há muito tempo. Como pode uma nação democrática ter um ministro que é vítima, que investiga, julga e que condena? Pois bem, atingimos a maioria do Senado e, agora, é cobrar do senador Alcolumbre a responsabilidade de pautar o impeachment de Moraes”, finalizou o líder da oposição na Câmara – deputado Luciano Zucco (PL-RS).
LISTA
Abaixo segue a lista dos 41 senadores que teriam assinado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
- Senador Marcos Rogério (PL-RO)
- Senador Esperidião Amin ( PP-SC)
- Senador Cleitinho (Republicanos-MG)
- Senador Plínio Valério (PSDB-AM)
- Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
- Senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
- Senador Carlos Portinho (PL-RJ)
- Senador Alan Rick (União Brasil-AC)
- Senador Jorge Seif (PL-SC)
- Senador Magno Malta (PL-ES)
- Senador Eduardo Gomes (PL-TO)
- Senador Lucas Barreto (PSD-AP)
- Senador Marcos Pontes (PL-SP)
- Senador Eduardo Girão (NOVO-CE)
- Senador Sérgio Moro (União Brasil-PR)
- Senador Luis Carlos Heinze (PP-RS)
- Senadora Damares Alves (Republicanos-DF)
- Senadora Tereza Cristina (PP-MS)
- Senador Jayme Bagattoli (PL-RO)
- Senador Wilder Morais (PL-GO)
- Senador Styvenson Valentim (PSDB-RN)
- Senador Marcos do Val (Podemos-ES)
- Senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
- Senador Márcio Bittar (União Brasil-AC)
- Senador Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Senador Izalci Lucas (PL-DF)
- Senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
- Senador Nelsinho Trad (PSD-MS)
- Senador Zequinha Marinho (Podemos-PA)
- Senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO)
- Senador Rogério Marinho (PL-RN)
- Senador Wellington Fagundes (PL-MT)
- Senador Carlos Viana (Podemos-MG)
- Senador Margareth Buzetti (PSD-MT)
- Senador Efraim Filho (União Brasil-PB)
- Senador Hiran Gonçalves (União Brasil-RR)
- Senador Jayme Campos (União Brasil-MT)
- Senador Ivete da Silveira (MDB-SC)
- Senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
- Senador Pedro Chaves (MDB-GO)
- Senador Laércio Oliveira (PP-SE)























