Na reta final da eleição, uma carta enviada pelo secretário-geral nacional do Progressistas, Aldo da Rosa, às lideranças do partido em Santa Catarina chama atenção menos pelo pedido de mobilização e mais pelo que ela revela sobre a construção partidária.
O documento parte de um número expressivo: 638.634 votos de referência obtidos pelo Progressistas nas eleições municipais de 2024, distribuídos pelas diferentes regiões de Santa Catarina. A partir desses números, a mensagem é de que existe uma estrutura municipal construída e que ela precisa estar presente nesta eleição. Eleições 2026 Reta Final.pdf
A carta conversa diretamente com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, candidatos e lideranças.
A ideia central é simples: cada município conhece sua realidade, cada liderança tem sua responsabilidade e, nesta última semana, é hora de transformar a estrutura existente em mobilização.
O exemplo de Itapiranga ajuda a explicar a preocupação. O partido apresenta os resultados de 2020 e, depois, os votos obtidos pelos candidatos em 2022, mostrando que possuir uma estrutura política não significa, necessariamente, conseguir transformá-la em votos nas eleições seguintes.
É justamente aí que aparece a principal mensagem do documento: estrutura precisa estar organizada, liderança precisa estar envolvida e trabalho precisa acontecer.
UMA CARTA QUE OLHA PARA ALÉM DO DOMINGO
Embora tenha como objetivo imediato a reta final de 2026, o texto não parece olhar somente para a eleição que está terminando.
Em diferentes momentos, a carta relaciona o resultado deste ano com a força municipal registrada em 2024 e com a preparação para o próximo ciclo político.
Na prática, existe uma visão de continuidade.
O Progressistas que pretende chegar forte a 2028 precisa preservar e ampliar a estrutura construída nos municípios. E, para isso, a participação das lideranças municipais nesta eleição passa a ter importância também para o futuro.
É uma leitura bastante natural da política partidária.
Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças que hoje ajudam a construir o resultado de 2026 também estarão, amanhã, construindo seus próprios projetos políticos.
Para quem pensa em disputar uma prefeitura em 2028, ou buscar um novo espaço na política municipal, o envolvimento com o partido nesta eleição certamente será parte dessa trajetória.
A carta não precisa dizer isso de maneira explícita para que a mensagem seja compreendida.
Entendedores entenderão.

Para Aldo Rosa “O Progressistas que pretende chegar forte a 2028 precisa preservar e ampliar a estrutura construída nos municípios”.
Foto: Divulgação
A PREOCUPAÇÃO COM O TAMANHO DO PARTIDO
Há outro aspecto interessante.
O documento demonstra uma preocupação permanente com a preservação da força do Progressistas nos municípios. A orientação é para que essa força não seja dispersada e consiga se transformar em representação política.
Na página 6, o texto apresenta os números de 2024 por macrorregião e mostra o potencial eleitoral construído pelo partido: são 356.222 votos para prefeito, 266.839 para vice-prefeito e 463.719 para vereador, chegando à média de 638.634 votos entre as eleições majoritária e proporcional. Eleições 2026 Reta Final.pdf
A partir daí, a proposta é transformar esse potencial em representação na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado.
Não é apenas uma questão de ganhar uma eleição.
É uma questão de manter o partido organizado, reconhecido e competitivo nos municípios.
O RECADO MAIS IMPORTANTE ESTÁ NAS ENTRELINHAS
Talvez essa seja a parte mais interessante da carta.
Ao falar tanto da estrutura municipal, dos números de 2024, da mobilização de 2026 e da preparação para 2028, o documento acaba estabelecendo uma conexão entre os três momentos.
2024 mostrou a força municipal.
2026 precisa transformar essa força em representação.
E 2028 será o próximo capítulo dessa construção.
Por isso, a participação de cada liderança nesta eleição ganha um significado maior.
Não se trata apenas de pedir que prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e dirigentes trabalhem pelos candidatos do partido.
Trata-se também de fortalecer a própria estrutura política que poderá sustentar os projetos dessas lideranças no futuro.
É uma visão de partido.
E talvez seja justamente essa a característica mais marcante da mensagem: a preocupação em não deixar que uma eleição seja tratada como um episódio isolado.
A construção é permanente.
A força está nos municípios.
E o resultado desta eleição também ajudará a mostrar o tamanho dessa força para o próximo ciclo.
No fim, a mensagem é bastante direta, mas sem precisar ser pesada:
quem ajuda a construir o partido hoje também está ajudando a construir o seu espaço político de amanhã.
Entendedores entenderão.






























