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Dos R$ 89 bi, 94% já foram executados, de acordo com a ministra.

ENTREVISTA DA SEMANA | RECUPERAÇÃO GAÚCHA DEPOIS DA GRANDE ENCHENTE

Então secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, durante anúncio de novas medidas de apoio à população e à reconstrução do Rio Grande do Sul, em maio de 2024. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

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Após dois anos da maior tragédia climática do país, governo federal assina contratos de R$ 5,4 bilhões para prevenir novas enchentes no RS

 

Ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Miriam Belchior, esteve em Porto Alegre no último dia 7 de maio, onde anunciou ordens de serviço, entregou moradias, e detalhou o programa de renegociação de dívidas.

 

Por Humberto Azevedo

 

Em visita ao Rio Grande do Sul (RS) exatamente dois anos após a maior enchente da história do estado, a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Miriam Belchior, assinou no último dia 7 de maio contratos que liberam R$ 5,4 bilhões para obras de prevenção contra novas cheias nas bacias de São Leopoldo, Arroio Feijó, Rio Gravataí, Eldorado do Sul e Rio dos Sinos.

 

Os recursos fazem parte de um fundo de R$ 6,5 bilhões depositado pelo governo federal em dezembro de 2024, que também viabilizará outras intervenções estruturantes. Desde a ocorrência da maior tragédia climática que o país vivenciou, o governo federal já investiu R$ 89 bilhões em ações no estado, sendo que 94% dos recursos já foram executados.

 

As novas obras, no entanto, enfrentam atrasos devido à decisão do governo estadual de realizar novas licitações, enquanto a União defendia a contratação direta das empresas que já haviam elaborado os projetos originais. “É claro que isso está acarretando um atraso”, admitiu a ministra, mas afirmou que o dinheiro segue rendendo e aguarda os projetos.

 

“Foram 89 bilhões de reais que o governo federal colocou no Rio Grande do Sul. 94% desses recursos já foram executados. A gente reservou para recuperar o estado da destruição, seja ajudando as pessoas com auxílio de 5 mil e 100 reais, seja para recuperação de escolas, unidades de saúde, rodovias, pontes”, comentou a ministra.

 

“Hoje a gente dá a ordem de serviço da primeira etapa de uma obra na Bacia de São Leopoldo. Já são 50% da obra começa hoje. E vamos assinar quatro contratos no valor de 5,4 bilhões para as obras do Arroio Feijó, do Rio Gravataí, de Eldorado do Sul e da Bacia do Rio dos Sinos”, complementou Belchior.

 

OBRAS PREVENTIVAS

 

Antes da assinatura dos atos, as autoridades participaram de uma reunião a respeito dos projetos do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE). (Foto: Eduardo Costa / Secom-CC)

A primeira ordem de serviço contempla a elevação do Dique de Contenção (DIC) de São Leopoldo, que passará da cota de 1941 para a cota de 2024, aumentando a proteção contra enchentes. Também serão assinados contratos para projetos das demais bacias, com execução a cargo do governo do estado e municípios.

 

A ministra criticou indiretamente a opção do governador Eduardo Leite (PSD) por novas licitações, o que postergou o início das obras. “Nós tínhamos justificativa jurídica para fazer uma contratação direta das empresas que já tinham feito inicialmente esses projetos, mas foi uma opção e a gente respeita. O que nós esperamos é que esses projetos sejam desenvolvidos rapidamente”.

 

“Tem determinados tipos de obras que não tem sentido o governo federal fazer. As rodovias fizemos, foram entregues. A ponte do Vale do Caí foi entregue em tempo recorde. Mas tem obras que têm que ser feitas por estados e municípios”, observou.

 

“Em São Leopoldo, é recuperação do DIC, elevação do DIC para aumentar a capacidade de, em uma eventual chuva, atualizar ele da cota de 1941 para a cota de 2024. Tanto a obra de São Leopoldo como a obra de Porto Alegre são obras de prevenção”, complementou.

 

HABITAÇÃO

 

Durante reunião ampliada com o governador Eduardo Leite, foram assinados diversos atos que autorizam início de obras em municípios gaúchos. (Foto: Eduardo Costa / Secom-CC)

No capítulo habitacional, a ministra anunciou que 13 mil famílias desabrigadas pela enchente já foram realojadas por meio da compra assistida – programa inédito no qual o governo federal pagou até R$ 200 mil por imóvel usado escolhido pela própria família. Outras 12 mil moradias estão em construção e devem ser entregues até o final de 2026.

 

O Rio Grande do Sul também foi contemplado com 150 mil novas unidades do Minha Casa Minha Vida desde 2023, sendo 110 mil já entregues. “Durante sete anos, nenhum imóvel havia sido contratado”, lembrou a ministra, comparando o ritmo de reconstrução com outras tragédias no país: em Petrópolis e no litoral norte de São Paulo, as entregas começaram com dois anos e meio.

 

“Dessas 25 mil famílias, cerca de metade já está morando numa outra casa. Nós inauguramos a compra assistida: o governo federal garantiu 200 mil reais para cada família e ela escolheu onde queria morar. Metade já está morando nessas novas casas. (…) Outras enchentes no Brasil: Itajaí, Litoral Norte de São Paulo, Petrópolis, Teresópolis, Litoral Sul da Bahia – começaram a ser entregues com dois anos e meio após a enchente. O Rio Grande do Sul, com dois anos, já entregou 13 mil imóveis e tem 12 mil contratados que serão entregues até o final do ano”, completou.

 

EDUCAÇÃO E IFRS

 

Ministra Belchior na inauguração da nova sede do IFRS em Viamão, que contou com R$ 42 milhões em investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento. (Foto: Eduardo Costa / Secom-CC)

Na área da educação, a ministra participou da inauguração da sede própria do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) no campus de Viamão, adquirido em acordo de troca por dívidas. O prédio, que antes pertencia à Pontifícia Universitária Católica (PUC), permitirá ampliar o número de vagas de 1,2 mil 1,8 mil – um aumento de 50%.

 

A passagem da ministra pelo Rio Grande do Sul ainda serviu para iniciar a ordem de serviço para a reitoria do Instituto Farroupilha, em Santa Maria. Segundo ela, o governo Lula criou mais cinco institutos federais no Rio Grande do Sul e, em todo o país, a meta é chegar a 700 unidades, com 111 novas escolas técnicas inauguradas no atual mandato.

 

“O presidente Lula é egresso de uma escola técnica, então ele sabe a importância que isso tem para a economia e também para as famílias de ter um filho encaminhado a partir de uma educação técnica adequada. Nós vamos chegar a 700 institutos federais em todo o país. (…) Hoje se inaugura a sede própria do Instituto de Viamão, nas antigas instalações da PUC, com centro tecnológico. Nós estamos aumentando as vagas de 1.200 para 1.800 vagas, 50% a mais de alunos na Escola Técnica de Viamão”, celebrou.

 

DÍVIDAS E JUROS

 

Vista de Porto Alegre dois anos depois das enchentes que inundaram a capital gaúcha e deixaram 90% do estado debaixo d’água. (Foto: Camila Domingues / Governo do Estado do Rio Grande do Sul)

Na oportunidade, a ministra comentou os detalhes do novo programa do Desenrola, lançado no dia 4 de maio, voltado para quem paga as contas em dia mas sofre com juros abusivos, especialmente no rotativo do cartão de crédito e no consignado CLT. A solução, segundo ela, será a criação de um fundo garantidor para possibilitar juros mais baixos aos trabalhadores informais, que não têm bens para dar como garantia.

 

Uma resolução publicada na véspera do Dia do trabalhador, em 30 de abril, impede a contratação de empréstimos consignados com taxas acima de um parâmetro definido pelo governo, desestimulando práticas abusivas. Para inadimplentes, o programa anterior oferece descontos de 30% a 90% e juros de 1,99% ao mês.

 

“Quem mais sofre com a Selic alta são os informais, porque eles não têm garantia para dar. Essa medida vai trabalhar com algum mecanismo garantidor, com recursos de fundo garantidor, para permitir que especialmente os informais possam fazer a renegociação das suas dívidas e ficar menos apertados no fim do mês. (…) Nós priorizamos inadimplentes com 90 dias até dois anos de atraso – desconto entre 30% e 90%, juro de R$ 1,99. Para os outros, estamos finalizando os detalhes. A resolução do consignado já está em vigor: o sistema não deixa finalizar contrato com taxas superiores ao parâmetro”, avaliou.

 

ENTREVISTA

 

Abaixo, segue as demais declarações da ministra concedidas em entrevista à Rádio Gaúcha.

 

Pergunta: A senhora está em Porto Alegre para assinar a autorização para obras financiadas pela União, ainda relacionadas à grande enchente de dois anos atrás, de 2024. Que obras são essas que serão autorizadas hoje, ministra?

Miriam Belchior: Em primeiro lugar, o governo federal, como vocês sabem, atuou muito firmemente aqui durante as consequências do desastre de maio de 24. Foram 89 bilhões de reais que o governo federal colocou no Rio Grande do Sul. 94% desses recursos já foram executados. E a gente reservou, isso foi para recuperar o estado da destruição, seja ajudando as pessoas com auxílio de 5 mil e 100 reais para os atingidos pelas enchentes, para a recuperação das escolas, unidades de saúde, rodovias, pontes e etc. Mas nós pensamos também no futuro. Discutimos com o governo do estado e as prefeituras atingidas um conjunto de obras de prevenção de cheias para o futuro. E hoje, a gente dá a ordem de serviço da primeira etapa de uma obra na Bacia de São Leopoldo. Já são 50% da obra começa hoje. E vamos assinar quatro contratos no valor de 5,4 bilhões para as obras do Arroio Feijó, do Rio Gravataí, de Eldorado do Sul e da Bacia do Rio dos Sinos, que pega a maioria dos municípios que foram atingidos. Com base nesse contrato, serão feitos os projetos, o governo do estado trabalhando nisso, para fazer os projetos e se iniciarem essas obras fundamentais para que a gente garanta as condições para que não se repita uma situação como aquela que ocorreu em maio de 24.

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Pergunta: A senhora sabe que nós, no Rio Grande do Sul, estamos todos muito aflitos, ministra, porque há essa previsão de um super El Ninho lá no Pacífico e aí com reflexos muito fortes e perigosos aqui no Rio Grande do Sul. Essas obras, porque a gente sabe, o governo federal reservou R$ 6 bilhões naquele fundo para obras de infraestrutura mesmo. Só que nesse momento, cidades como Eldorado do Sul, por exemplo, estão totalmente desguarnecidas. Recém ficou pronta a atualização do programa. Há de parte do governo federal também uma preocupação com o fato de que as obras estão muito atrasadas para o que se prevê com acontecimentos climáticos para o segundo semestre deste ano?

Miriam Belchior: É sempre um drama para nós, o governo federal, de disponibilizar o recurso. Tem determinados tipos de obras que não tem sentido o governo federal fazer. As rodovias fizemos, foram entregues. A ponte do Vale do Caí foi entregue em tempo recorde. A recuperação toda das estradas foram destruídas. Mas tem obras que têm que ser feitas por Estado e municípios. Não tem sentido o governo federal assumir. Mas tem sim, é isso que o presidente Lula fez, reservou 6 bilhões e meio de reais, depositou esse dinheiro no fundo que patrocinará essas obras e nós estamos aguardando as providências do governo do Estado. Nós achávamos até que os projetos podiam ter sido atualizados. Nós tínhamos justificativa jurídica para fazer uma contratação direta das empresas que já tinham feito inicialmente esses projetos, mas foi uma opção e a gente respeita a opção do governo do Estado de fazer uma nova licitação para esses projetos. É claro que isso está acarretando um atraso se tivéssemos tomado outro caminho. Mas eu acho que o governo do Estado deve ter suas razões para ter tomado essa decisão. O que nós esperamos é que esses projetos sejam desenvolvidos rapidamente para que o dinheiro está lá, rendendo inclusive, para que ele possa ser utilizado nessas intervenções estruturantes, são 6 bilhões e meio de reais, é muito recurso, dá para fazer muita coisa para proteger a população gaúcha.

 

Pergunta: Isso que a senhora falou do que vai ser assinado, do arroz e o feijão, é outra coisa ou faz parte do mesmo pacote? Não é dinheiro novo, só é assinatura dos contratos para colocar adiante a obra.

Miriam Belchior: Exatamente, nós reservamos durante maio, junho e julho, nós estamos aqui debaixo d’água, está certo? Tentando fazer o atendimento para as famílias, para as empresas, num trabalho de parceria com o governo do Estado e os governos municipais. Durante o segundo semestre foram discutidas quais seriam essas obras estruturantes fundamentais. Então, não se tinha todos os projetos ainda, mas definimos 8 conjuntos de obras essenciais para fazer a prevenção aqui nas áreas atingidas. Em dezembro de 24, o governo federal depositou os R$ 6,5 bilhões, mesmo não tendo ainda os projetos, mas para garantir que esse recurso, inclusive, pudesse ir rendendo, os recursos pudessem render para dar conta desses investimentos. O dinheiro foi integralmente depositado lá no finzinho, entre 20 e 30 de dezembro de 2024. Então, o que nós estamos fazendo hoje é assinar os contratos, já tem 4 contratos que já tinham sido assinados, nós estamos assinando hoje mais 4 e dando a primeira ordem de serviço, que eu acho que é muito importante a gente saudar esse momento que começa e inicia com essa obra de São Leopoldo, as primeiras obras de prevenção.

 

Pergunta: O que será feito em São Leopoldo, especificamente, para a gente ter uma ideia do Vale dos Sinos, São Leopoldo foi uma das cidades mais afetadas.

Miriam Belchior: Tem duas obras, uma em São Leopoldo e uma em Porto Alegre, que serão executadas pelas prefeituras. No caso de São Leopoldo, é recuperação do DIC, elevação do DIC para aumentar a capacidade de, exatamente, em uma eventual chuva, atualizar ele da cota de 1941 para a cota de 2024, exatamente isso que está fazendo. Então, tanto a obra de São Leopoldo, como a obra de Porto Alegre, que também será executada pela prefeitura, são obras que têm o mesmo objetivo, são obras de prevenção. Então, aumenta a proteção.

 

Pergunta: Uma das medidas foi a suspensão da dívida do Estado com a União e agora o governador Eduardo Leite diz que iniciou conversas com o governo federal pedindo a prorrogação dessa suspensão, vinculando o recurso, a partir de junho do ano que vem, a investimentos em irrigação. Há possibilidade de essa suspensão ser prorrogada, ministra?

Miriam Belchior: Olha, essa é a primeira vez que eu ouço o assunto, e para ser justa com o governador, na segunda ele me pediu uma agenda para ontem [6 de maio], aí a minha equipe informou a equipe do governador de que eu viria para cá, então ele falou, não, já que a senhora vem, a gente conversa aqui. Então eu não tenho informação a respeito disso, acho que a prorrogação de três anos que o presidente Lula concedeu ao governo gaúcho, acho que foi fundamental, fez parte, além dos 89 bilhões que nós colocamos, se tornou também essa medida, se não me engano são 14,7 bilhões oriundos disso que constituíram o Furings [Fundo do Plano Rio Grande], e são 15 bilhões que já estão ali e que podem ser utilizados para qualquer atividade. Hoje teremos uma reunião aqui na sequência, dessa entrevista, vamos ter uma reunião com a equipe do governador e das prefeituras, onde nós vamos discutir o andamento de todas essas obras. Os 6,5 bilhões que nós colocamos em dezembro, estamos começando obras agora, então como eu não conheço a proposta eu não posso dizer, mas certamente ela vai ser analisada com o carinho que merece o povo gaúcho.

 

Pergunta: Ministra, a senhora é uma profunda conhecedora da área de habitação, porque já foi da Caixa, a senhora já conhece bem e sabe que esse é um drama ainda das famílias que tiveram, perderam suas casas na enchente. Muita gente já foi contemplada pelo Minha Casa Minha Vida, pelo Compre Assistida, mas ainda tem muitas pessoas morando em lugares provisórios. Quais são as boas notícias que a senhora traz aqui para quem está esperando pela casa própria, depois de ter sofrido com a enchente?

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Miriam Belchior: Então, primeiro, quem sofreu com a enchente, são mais ou menos 25 mil, vou falar em números gerais, mais ou menos 25 mil famílias que a gente identificou que estavam no que a gente chamava no perímetro de inundação, que foram diretamente atingidas e tiveram suas casas destruídas, porque alguns não, e alguns tiveram que ser removidos dessas áreas para que não sofram de novo com algum tipo de enchente. Dessas 25 mil, cerca de metade já recebeu, já está morando numa outra casa, porque nós inauguramos aqui no Rio Grande do Sul essa iniciativa de compra assistida, que o governo federal garantiu 200 mil reais para cada família e ela escolheu onde ela queria morar, foi procurar uma casa nova, usada, no bairro que ela queria, e o governo federal até esse limite de 200 mil reais pagou. Então, metade dessas famílias, mais da metade, porque são 13 mil e uns quebrados, já estão morando nessas novas casas. Para um outro subconjunto de famílias que preferiu outra alternativa, não quis comprar um imóvel usado, nós estamos construindo a outra metade. Então, isso já está em construção para que essas famílias possam, ela já sabe o lugar que elas vão morar, já está definido isso. E o que eu trago, a gente traz essa semana aqui no Rio Grande do Sul, é que nós estamos dando ordem de serviço, que aí não tem a ver diretamente com as enchentes, mas tem a ver com o déficit habitacional do país. Sim, porque para além da enchente, nós temos um déficit habitacional medonho. Ele caiu para cerca de 6 milhões, uma notícia importante do déficit habitacional brasileiro caiu, mas ainda é muito grande como você está colocando. O presidente Lula se comprometeu agora em 2023, no início do seu terceiro mandato, em contratar mais 2 milhões de moradias para o Minha Casa Minha Vida. Então, em dezembro do ano passado, nós já alcançamos, em vez de 4, em 3 anos, nós já alcançamos e devemos bater esse ano em 3 milhões de moradias. E vamos bater isso porque hoje a gente inicia obras, dá autorização para início de obras em 540 casas em 22 municípios, porque a gente faz em Porto Alegre, mas a gente também faz em Tupandi do Sul, em Barra do Guaíra, em Ivoti, em Quatro Irmãos e em municípios pequenos, que parece, não, município pequeno não tem problema de habitação. Não, tem sim déficit habitacional rural, que também precisa ser enfrentado. E, além disso, nós estamos contratando mais 632 unidades habitacionais em São Leopoldo e em Charqueadas. Então, hoje a gente assina o contrato e assina essas ordens de serviço, que são muito importantes para a população gaúcha.

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Pergunta: No caso dessas casas, das famílias que tiveram as residências inundadas, até destruídas na enchente, já se passaram dois anos, é bastante tempo para quem está esperando ainda em casas provisórias, mas tem a questão burocrática, tem a localização, a gente sabe de todos esses entraves. Tem alguma projeção, seja com o governo federal, junto na parceria com as prefeituras e com o estado, quanto tempo ainda é necessário para que todas essas famílias sejam contempladas e estejam na sua casa definitiva, ministra?

Miriam Belchior: Então, depende do empreendimento. Por exemplo, na compra assistida, a gente comprou prédios que estavam prontos.

 

Pergunta: É mais rápido?

Miriam Belchior: É mais rápido e conseguimos colocar. Por isso que metade já foi atendida. Em geral, um prédio, quando vai bem, leva 18 meses para ficar pronto. 18 de início, [para] começar a obra. De começar a obra. Teve todo o tempo de contratação, arrumar terreno. Então, a gente acha que, até o segundo semestre, a gente consiga atender a outra metade que já sabe onde vai morar, já sabe a rua, já foi lá visitar a vizinhança, mas que o apartamento vai ficar pronto novinho para lá receber.

 

Pergunta: A senhora diz atender essa segunda metade já com a casa pronta ou início de obra?

Miriam Belchior: Pronta, não, não. Tem 12 mil imóveis já contratados, sendo executados. Inclusive, conjuntos habitacionais entregues. O primeiro foi Venancio Aires. Então, a partir de agora, tem um cronograma de entrega. Tem 12 mil imóveis sendo construídos nesse momento e 13 mil imóveis já entregues. Outras enchentes no Brasil, tempo médio de início da entrega de obras, Itajaí, Litoral Norte de São Paulo, Petrópolis, Teresópolis, Litoral Sul da Bahia, começaram a ser entregues com dois anos e meio após a enchente. O Rio Grande do Sul, com dois anos, já entregou 13 mil imóveis e tem 12 mil contratados que serão entregues até o final do ano. 25 mil imóveis serão entregues até o final do ano. Isso foi possível por causa da compra assistida, esse mecanismo que conseguiu acelerar exatamente para não ficar nesse drama de ficar ou em aluguel social ou em casa de familiares, enfim. E do Minha Casa Minha Vida, são 150 mil imóveis contratados no Rio Grande do Sul. Durante sete anos, nenhum imóvel havia sido contratado e depois que o presidente Lula reassumiu, nós já contratamos 150 mil e já entregamos 110 mil dos 150 mil novos imóveis do Minha Casa Minha Vida no Rio Grande do Sul.

 

Pergunta: Ministra, nesta semana nós tivemos um grande destaque no noticiário econômico, que foi o anúncio do Desenrola para renegociação de dívidas atrasadas. Mas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que agora está no forno para sair uma nova medida e aí com foco em quem paga em dia a conta, mas a conta está muito cara. Que são as dívidas com juros muito altos, tendo o rotativo do cartão de crédito, tendo o próprio consignado CLT, as financeiras que pesaram a mão nas taxas de juros. O que esperar deste novo programa?

 

Miriam Belchior: O objetivo é conseguir um juro mais barato, visto que a Selic está muito alta, é você ter algum tipo de garantia. E quem mais sofre com isso são os informais, Jeane, porque eles não têm garantia para dar. Às vezes ele não tem uma casa própria, ele não tem um veículo, porque isso dá mais segurança para o banco porque você tem um seguro para o empréstimo que está dando. Então essa medida, para poder baixar o juro que será cobrado e renegociar esses contratos que essas pessoas estão se esforçando para pagar, nós vamos certamente trabalhar com algum mecanismo garantidor, com recursos de fundo garantidor, para poder permitir que especialmente os informais que não têm um vínculo empregatício regular, tem renda, mas não tem um vínculo firme, que eles possam fazer a renegociação das suas dívidas e ficar menos apertado no fim do mês para pagar a dívida, que ele está fazendo bem, isso foi uma coisa que o presidente insistiu muito. Nós precisamos ajudar quem está inadimplente, mas quem está lá se esforçando para pagar também precisa ter a sua ajuda.

 

Pergunta: Tem fôlego no fundo garantidor para isso?

Miriam Belchior: Tem, nós acreditamos que sim. Nós não fazemos isso sem todos os cálculos muito bem, cuidadosamente calculados.

 

Pergunta: E tem alguma, ou seja, tem uma ideia de como vão colocar os requisitos para isso, para saber quais pessoas terão acesso a esse incentivo?

Miriam Belchior: Então é isso que nós lançamos junto, porque nós primeiros priorizamos os inadimplentes que têm 90 dias até dois anos de atraso, todo mundo que estiver nessa condição, procure o seu banco para renegociar, você vai ter desconto entre 30% e 90%, dependendo da situação do seu contrato, com juro bem pequeno de R$ 1,99. Para esses outros nós estamos finalizando esses detalhes para poder lançar, então não posso te dizer aqui ainda, porque nós não finalizamos.

 

Pergunta: O secretário [Régis] Dudena [de de Reformas Econômicas] do Ministério da Fazenda disse que a resolução para limitar o juro do consignado CLT já está valendo, inclusive para vetar, travar empréstimos com juro abusivo. Você já consegue visualizar, se isso já movimentou, já mexeu alguma coisa para evitar que o trabalhador tome empréstimo com juro muito alto?

Miriam Belchior: É, na verdade a resolução que foi publicada na outra sexta-feira [24 de abril] já está em vigor, portanto não consegue finalizar o contrato, o sistema não deixa finalizar o contrato para taxas superiores a um determinado parâmetro exatamente para tirar do mercado aquelas empresas financeiras que não praticam juros minimamente confortáveis para a população.

 

Pergunta: Bom, um dos principais motivos da sua vinda aqui também, ministra, tem a ver com a área de educação e eu sei o quanto é caro para a senhora e para o governo os institutos federais. Nós estamos falando aqui do campus de Viamão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. O que mais a senhora tem a dizer sobre esse projeto, esse campus que é aqui, junto a nós em Viamão?

Miriam Belchior: Não, eu acho que em primeiro lugar é dizer que essa política reiniciada pelo presidente Lula que nos levou, vai nos levar agora a 700 institutos federais em todo o país, nesse mandato o presidente criou mais 111 institutos federais e ele faz isso porque ele sabe da importância da preparação dos jovens para o mercado de trabalho, o país precisa disso, ele é egresso de uma escola técnica, então ele sabe a importância que isso tem para a economia e também para as famílias de ter um filho encaminhado a partir de uma educação técnica adequada. Então aqui no Rio Grande do Sul a gente tem um número grande de institutos técnicos, a gente aqui criou quantos agora? Cinco. Mais cinco aqui no Rio Grande do Sul e hoje se inaugura a sede própria do Instituto de Viamão, nas antigas instalações da PUC, inclusive com o centro tecnológico, mas além da entrega, da inauguração aqui da sede própria do Instituto Federal de Viamão, nós vamos também dar a ordem de serviço do prédio da reitoria do Instituto Farroupilha lá em Santa Maria, então são investimentos em educação, tivemos investimento na Universidade Federal também para várias instalações, laboratórios etc. O ministro Leonardo Barchini está aqui também em Porto Alegre, veio comigo ontem e ele está agora fazendo reunião com os institutos, com as universidades e estaremos de tarde então na inauguração.

 

Pergunta: Aqui foi comprado aquele prédio que era da PUC?

Miriam Belchior: Foi comprado. Foi comprado para ser a sede.

 

Pergunta: Recebido em troca de dívidas.

Miriam Belchior: Isso, e nós estamos aumentando com isso também outra coisa muito importante de 1.200 vagas com esse prédio enorme, me contaram que é absolutamente tradicional, houve uma luta importante de manutenção desse prédio e nós estamos aumentando as vagas, o número de vagas de Viamão de 1.200 para 1.800 vagas, 50% a mais de alunos na Escola Técnica de Viamão.

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