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Sobretudo. PP abandona o muro e escolhe o campo de batalha de 2026

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A nota interna, divulgada pela Executiva estadual do Progressistas aos seus membros, não foi apenas um comunicado partidário. Foi um posicionamento político. Uma declaração pública de rumo. E talvez o movimento mais claro até aqui de consolidação do eixo que começa a desenhar a disputa de 2026 em Santa Catarina.

 

O texto tem alvo, endereço e intenção.

 

A posse de Leodegar Tiscoski na Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços aparece como ponto de partida simbólico. Não pela secretaria em si, mas pelo que ela representa. O PP quis mostrar que continua dentro do centro nervoso do governo Jorginho Mello. Não como figurante. Como peça ativa da engrenagem.

 

Leodegar não foi escolhido aleatoriamente. É um nome com trânsito político, experiência administrativa e capacidade de diálogo nacional. Sua chegada mantém o partido em uma área estratégica do governo e, ao mesmo tempo, reforça a ideia de continuidade de um espaço que já vinha sendo ocupado por Silvio Dreveck.

 

Mas o ponto central da nota não está no governo.

 

Está na política nacional.

 

Quando a Executiva faz questão de destacar a presença de lideranças progressistas ao lado do senador Flávio Bolsonaro em Santa Catarina, o partido deixa de trabalhar apenas nos bastidores e assume publicamente um alinhamento político. Não foi um gesto protocolar. Foi uma fotografia cuidadosamente construída.

 

Ali, o PP manda um recado para três públicos diferentes.

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O primeiro é interno.

 

O partido sabe que ainda existem setores que defendiam uma posição mais independente ou menos vinculada ao bolsonarismo catarinense. A nota praticamente enterra essa possibilidade. O texto cria uma narrativa de convergência natural entre Progressistas, Jorginho Mello e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Não como uma aliança circunstancial, mas como continuidade ideológica e eleitoral.

 

O segundo recado é para o próprio governador.

 

O PP sinaliza fidelidade, mas também demonstra força. O partido lembra que possui base municipal robusta, bancada, nominatas competitivas e capilaridade regional. Em outras palavras: não quer apenas participar do governo. Quer participar da construção do poder em 2026.

 

E isso muda bastante coisa.

 

Porque a partir do momento em que o Progressistas se posiciona de maneira tão explícita, o tabuleiro político catarinense começa a ganhar contornos mais definitivos. A tendência é que outras siglas sejam pressionadas a escolher lado mais cedo do que imaginavam.

 

O terceiro recado vai para a oposição.

 

A nota tenta encerrar qualquer especulação sobre eventual distanciamento entre PP e governo estadual. O partido não apenas reafirma apoio. Ele institucionaliza o alinhamento. Faz isso em documento interno, com chancela da Executiva e com metas eleitorais claramente definidas.

 

E esse talvez seja o trecho mais importante do texto.

 

Ao afirmar que a prioridade do partido é eleger Esperidião Amin ao Senado, ampliar a bancada federal e conquistar cinco cadeiras na Assembleia Legislativa, o PP não está apenas falando de eleição. Está organizando seu projeto de poder.

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Existe ali uma tentativa clara de antecipar o debate de 2026 e pacificar o ambiente interno antes que disputas maiores apareçam.

 

O partido sabe que a próxima eleição será menos sobre ideologia e mais sobre posicionamento estratégico.

 

Quem estiver próximo do núcleo de poder estadual terá vantagem estrutural. Mais presença regional, mais articulação municipal, mais capacidade de formar nominatas competitivas e mais influência nas alianças.

 

Por isso o comunicado também funciona como vacina preventiva contra movimentos dissidentes.

 

Ao usar expressões como “coerência histórica”, “convergência concreta” e “compromisso com resultados”, a Executiva cria uma linha política oficial. Quem sair dela passa automaticamente a ocupar posição minoritária dentro do partido.

 

Mas existe um risco nesse movimento.

 

Quanto mais o PP se aproxima formalmente do campo bolsonarista e do governo Jorginho, menor fica sua margem futura de reposicionamento político. O partido ganha musculatura dentro da base, mas reduz espaço para diálogo em cenários de mudança nacional.

 

Ainda assim, a avaliação interna parece clara: hoje, o custo de ficar neutro é maior do que o custo de escolher um lado.

 

E talvez essa seja a principal mensagem escondida na nota.

 

O Progressistas percebeu que 2026 começou antes do calendário eleitoral.

 

E decidiu que não pretende assistir essa eleição do muro.

 

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