CENTRO-OESTE

Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

DIRETO DO SALÃO VERDE | A REAÇÃO GOVERNISTA AOS ÁUDIOS DE FLÁVIO BOLSONARO PARA VORCARO

Pedro Uczai anuncia notícia de fato à Polícia Federal com pedido de prisão preventiva do senador e bloqueio da mansão avaliada em R$ 6 milhões em Brasília. (Foto: lula Marques / Agência Brasil)

publicidade

Após áudios exporem relação promíscua entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, governistas pedem prisão preventiva e cassação

 

Deputados do PT, PCdoB e PSOL apresentam notícia de fato à Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) com pedido de quebra de sigilo, bloqueio de bens e investigação por lavagem de dinheiro e corrupção.

 

Por Humberto Azevedo

 

A divulgação de áudios e mensagens pelo site “The Intercept Brasil”, nos quais o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se dirige ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, como “irmão” e cobra o pagamento de milhões de dólares para a produção de um filme sobre a biografia do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, levou lideranças dos partidos que compõem a base do governo do presidente Lula a apresentarem uma notícia de fato criminal à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) com pedido de instauração de inquérito e prisão preventiva.

 

O documento, assinado pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Tarcísio Motta (PSOL-RJ), além de uma representação ao Conselho de Ética do Senado que solicita a cassação do parlamentar fluminense, aponta indícios de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro, tráfico de influência e organização criminosa. Os parlamentares governistas também cobraram a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do senador.

 

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”, frase atribuída a Flávio Bolsonaro em mensagem a Daniel Vorcaro na véspera da prisão do banqueiro, citada na notícia de fato.

 

“Não se doa R$ 134 milhões a ninguém sem haver relação pessoal, política e até afetiva. Essa frase ‘irmão, me dá uma luz’ é mais reveladora do que todas as nossas falas juntas”, comentou o líder petista – deputado Pedro Uczai (SC).

 

RELAÇÃO PROMÍSCUA

 

Uczai cobra a quebra de sigilo bancário e telemático de Flávio Bolsonaro para rastrear R$ 134 milhões negociados com banqueiro investigado. (Foto: lula Marques / Agência Brasil)

Durante a coletiva de imprensa, que acabou não tendo questionamentos da imprensa e somente pronunciamento dos parlamentares, já na noite desta última quarta-feira, 13 de maio, os parlamentares detalharam o conteúdo das conversas que, segundo eles, evidenciam uma “intimidade criminosa” entre o filho do ex-presidente e o dono do Banco Master, instituição alvo da Operação Compliance Zero e que entrou em liquidação.

 

Dentre o material apresentado pelo Intercept mostram Flávio Bolsonaro cobrando parcelas atrasadas de um suposto acordo milionário e pedindo urgência para não “perder tudo”.

 

“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”, diz um outro trecho do áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro reproduzido nos documentos encaminhados à PF e à PGR.

Leia Também:  Mauro diz que gestão de Emanuel é 'desastrosa' e povo vai pagar

 

“O áudio é estarrecedor. O senador Flávio Bolsonaro diz que está sem graça de cobrar, mas cobra. Fala de parcelas atrasadas, de contas a pagar, de risco de dar calote em atores americanos. Isso não é patrocínio cultural, é relação de dependência financeira com um banqueiro investigado”, afirmou a líder do PCdoB na Câmara – deputada Jandira Feghali (RJ).

 

“Essa relação Vorcaro-Clã-Bolsonaro a gente já vem denunciando há muito tempo, desde que o Vorcaro transformou o Banco Master com autorização da gestão de Roberto Campos Neto no governo Bolsonaro. Agora ficou explícito: é unha e carne, irmão me dá luz. É Bolso Master”, continuou a deputada Jandira Feghali.

 

ESQUEMA FINANCEIRO

 

Líder do PT na Câmara, Uczai classifica áudios como “extremamente graves” e defende CPI imediata para investigar o esquema “Bolso Master”. (Foto: lula Marques / Agência Brasil)

A notícia de fato encaminhada à PF destaca ainda a movimentação de valores vultosos: aproximadamente US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), dos quais ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Os parlamentares apontam que os recursos teriam sido enviados para uma conta no estado do Texas (EUA) ligada a um fundo associado ao advogado de Eduardo Bolsonaro, exigindo investigação sobre possível evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

 

O líder do PSOL na Câmara, Tarcísio Motta (RJ), afirmou que o orçamento do filme “Dark Horse” é “absolutamente incompatível” com a trajetória política de Jair Bolsonaro e que há fortes indícios de que o dinheiro serviu para “esquentar” recursos oriundos de corrupção. “Que retorno era esse que o Vorcaro esperava? O retorno da corrupção, da venda do Master para o BRB, do dinheiro do servidor público do Rio de Janeiro”, disse.

 

“O nome do Vorcaro não ia ficar exposto, mas ele entendia isso como um investimento com retorno. Que retorno? É o retorno da corrupção. Agora descobrimos que o dinheiro do aposentado do Estado do Rio de Janeiro financiou o filme do Bolsonaro através desse esquema de lavagem de dinheiro”, complementou o deputado Tarcísio Motta.

 

“Quem lida com o cinema sabe que um orçamento de R$ 134 milhões é um absurdo. O filme ‘Ainda Estou Aqui’ custou R$ 50 milhões, ‘Lula, o Filho do Brasil’ custou R$ 17 milhões. Qual a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para merecer um filme tão caro? Esse dinheiro certamente não foi para o filme, mas para o bolso de alguém”, acusou a deputada Jandira Feghali.

 

PEDIDOS DE CPI

 

Ninguém doa R$ 134 milhões sem relação pessoal e política”: deputado Pedro Uczai pede investigação no Conselho de Ética do Senado contra Flávio Bolsonaro. (Foto: lula Marques / Agência Brasil)

Além da via judicial, os partidos governistas articulam no Congresso Nacional a instalação de duas comissões parlamentares de inquérito: uma CPI na Câmara para investigar as relações entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), e outra CPI mista com o Senado, solicitada pelas deputadas Fernanda Melchiona (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

Leia Também:  Botelho não consegue garantir espaço e deixa União Brasil nesta semana

 

Todos os parlamentares cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a leitura imediata do requerimento de instalação da CPMI.

 

“O que estava em jogo no grande acordão da extrema-direita para derrubar o veto do presidente Lula ao ‘PL da Dosimetria1 e para rejeitar o nome de Jorge Messias ao STF [Supremo Tribunal Federal] era exatamente evitar a leitura da CPMI do Banco Master. Nós é que tivemos que solicitar a leitura”, lembrou Uczai, que também anunciou pedido de investigação no Conselho de Ética do Senado contra Flávio Bolsonaro.

 

“Um senador da República que se articula com uma corrupção brutal de sonegação ao país, pedindo ‘luz’ a um banqueiro preso, precisa ser visto no Conselho de Ética para se avaliar a possibilidade ou não da continuidade do seu mandato”, sugeriu a deputada Jandira Feghali.

 

“Nós queremos investigação profunda, doa a quem doer. Se houver qualquer relação de algum escritório conosco, que seja investigado. Não estamos aqui protegendo ninguém. O que é grave é um pré-candidato a presidente fazendo relação direta com o dono do Banco Master”, disparou Pedro Uczai (PT-SC).

 

MEDIDAS CAUTELARES

 

Na notícia de fato protocolada na PF e na PGR, os deputados requerem a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro com base nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal, citando “riscos à ordem pública, à ordem econômica e à instrução criminal”. O documento pede ainda busca e apreensão em seus endereços, quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, bloqueio de bens – incluindo a mansão do senador em Brasília – e a proibição de contato com Daniel Vorcaro e testemunhas.

 

“A gravidade concreta dos fatos, a natureza digital das provas, o montante envolvido, a posição institucional do investigado e a proximidade temporal das mensagens com a prisão de Daniel Vorcaro justificam a adoção imediata de medidas cautelares probatórias, patrimoniais e pessoais, inclusive a prisão preventiva”, diz outro trecho da notícia de fato assinada pelos deputados Uczai, Feghali e Motta.

 

O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), foi além e defendeu o uso de tornozeleira eletrônica para o senador, citando “risco real de fuga”. Pimenta também anunciou que pedirá o bloqueio de R$ 65 milhões e o rastreamento internacional dos recursos enviados ao Texas. “Por muito menos, outras pessoas já foram presas ou submetidas a medidas cautelares. A Justiça precisa agir com rapidez”, afirmou.

 

“Os áudios comprovam o que denunciamos: o esquema BolsoMaster. Há indícios de que recursos desviados do Banco Master abasteceram contas da família Bolsonaro nos EUA. Vamos pedir ao ministro André Mendonça o bloqueio imediato de R$ 65 milhões e dos bens, incluindo a mansão de Flávio Bolsonaro, para ressarcir o FGC e os investidores lesados”, informou Pimenta.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade