Adriane Lopes detalha políticas públicas em entrevista exclusiva
Em entrevista a reportagem do Grupo RDM, a política do PP detalhou os avanços das suas ações realizadas à frente da capital sul-mato-grossense em diversas áreas como empreendedorismo, educação e como mantém relação institucional e republicana com o governo federal do presidente Lula – apesar das diferenças ideológicas e partidárias.
Por Humberto Azevedo
Em entrevista exclusiva ao grupo RDM, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), traçou um panorama completo das ações de sua gestão, com avanços significativos em desenvolvimento econômico, saúde, segurança e educação. No campo do empreendedorismo, segundo ela, a administração municipal tem atraído investimentos através do Programa de desenvolvimento econômico e social (Prodes), que incentiva à instalação de empresas em complemento pela modernização administrativa da Lei de Liberdade Econômica, sancionada na gestão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), que desburocratizou 90 setores do país.
O parque tecnológico e o decreto de Sandbox (estímulo ao empreendedorismo e inovação) representam o eixo de inovação do Centro de Inovação e Tecnologia a ser instalado num prédio abandonado há três décadas, o que simboliza a revitalização do centro urbano da capital sul-mato-grossense. O investimento recebe, além dos aportes municipais, com recursos federais. Na saúde, a gestão de Lopes buscou priorizar a atenção primária para alcançar a meta de cobertura populacional em 84%, que se dá através de 74 unidades de saúde e 250 equipes.

Os programas de ciclo de vida organizam o atendimento por faixas etárias e necessidades específicas, enquanto ação inédita revisa 3,5 mil solicitações diárias no sistema de regulação para identificar pacientes que já não necessitam de consultas. Com um investimento de R$ 10 milhões em oftalmologia, esta ação permitirá a realização de 18 mil procedimentos anuais.
A segurança pública, na gestão da prefeita, recebeu reforço com a contratação de 380 guardas municipais, a criação da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) e do Grupamento Especializado com Motopatrulhamento Ostensivo e Preventivo (GEMOP), vinculado a Guarda Civil Metropolitana (GCM), além de investimentos feitas na ronda escolar e na patrulha Maria da Penha destinada a diminuir as ocorrências de violência doméstica.
EDUCAÇÃO
Na educação, a prefeitura nos dois mandatos de Adriane Lopes retomou 13 obras de Escola Municipal de Educação Infantil (EMEIs) paralisadas, com duas já entregues, o que – segundo a prefeita – já reduziu em 50% a fila de espera por vagas na educação infantil. Para melhorar os índices de alfabetização, a gestão à frente do Poder Executivo local desde 2022, implementou um assessoramento pedagógico continuado, formação de professores alfabetizadores e avaliações diagnósticas regulares.

A parceria com o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, ambos do Ministério da Educação (MEC) complementam essas ações. Na mobilidade urbana, Adriane destaca projetos de interligação cicloviária e a centralização de mais de 100 cruzamentos semaforizados.
A prefeita também orgulha-se de manter o legado de Campo Grande como a capital brasileira mais arborizada do país. Em seus mandatos, Lopes destaca que distribui anualmente 50 mil mudas e atualizou o manual de arborização urbana da cidade.
Questionada sobre as relações políticas sendo filiada ao PP, partido de oposição ao governo federal, Adriane Lopes afirmou manter uma “relação institucional sólida e republicana com o governo federal”, priorizando resultados concretos para a população.
A prefeita enfatizou o trabalho e a parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o papel da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) na defesa das pautas municipalistas, garantindo que as políticas públicas federais cheguem efetivamente aos cidadãos campo-grandenses.
BIOGRAFIA
De agente de segurança à primeira prefeita reeleita de Campo Grande, Adriane Lopes, Aos 48 anos, tornou-se prefeita em 2022 ao herdar o mandato do então prefeito Marquinhos Trad – que renunciou ao cargo para disputar a eleição para o governo estadual. Natural do Paraná, mudou-se para a capital sul-mato-grossense aos nove anos.
Formada em Direito com pós-graduação em Administração Pública, sua carreira política iniciou como vice-prefeita em 2017, sendo reeleita em 2020. Em 2024, venceu o segundo turno com 51,45% dos votos, derrotando Rose Modesto (União Brasil). Sua gestão tem como marcas a desburocratização municipal através da Lei de Liberdade Econômica e a utilização do programa Prodes para atração de investimentos.
ENTREVISTA
Abaixo, segue a íntegra da entrevista que a prefeita Adriane Lopes (PP) de Campo Grande concedeu com exclusividade para a reportagem do Grupo RDM.
RDM: Como a prefeitura está atraindo novos investimentos e fomentando o empreendedorismo local? Há algum projeto de infraestrutura urbana em andamento, financiado em parceria com o governo federal, que a senhora considera prioritário para o desenvolvimento da cidade?
Adriane Lopes: Temos atraído investimentos e fomentado o empreendedorismo, especialmente por meio do Prodes, nosso programa de incentivo à instalação de empresas. Contamos com polos empresariais dotados de infraestrutura para receber novas indústrias, que ajudam a desenvolver a cidade e gerar empregos. Também modernizamos e desburocratizamos processos com a Lei de Liberdade Econômica, que reduziu a burocracia para mais de 90 setores da nossa cidade, uma reforma administrativa que visa agilidade nos processos e melhor atendimento à população, além da Lei que reduz a carga tributária para franqueadores, estimulando novos negócios. Temos ainda o Parque Tecnológico, um espaço voltado ao empreendedorismo e à inovação, com foco em pequenos negócios, e implantamos o decreto de Sandbox, que estimula a criação de soluções inovadoras. Em relação à infraestrutura, obtivemos financiamento para a implantação do Centro de Inovação e Tecnologia. A obra será feita em um prédio que estava há 30 anos com uma obra paralisada. Após a conclusão, contribuirá para o adensamento e revitalização da área central. Recebemos ainda recursos federais para pavimentação e drenagem. Este ano, na seleção do PAC, não tivemos grandes projetos aprovados, mas seguimos em tratativas com o governo federal para ampliar as parcerias e investimentos em Campo Grande.
RDM: O SUS é um sistema tripartite. Como a prefeitura tem trabalhado a integração entre a atenção básica, sob sua gestão, e a rede estadual de média e alta complexidade? Há algum projeto em conjunto com o governo do estado para desafogar as filas de especialidades e reduzir os tempos de espera para procedimentos?

Adriane Lopes: A atenção primária é a porta de entrada do cidadão para qualquer tipo de atendimento em saúde. Por isso, em Campo Grande, temos trabalhado com foco na promoção e na prevenção, que são as bases de um sistema de saúde eficiente. Hoje, mais de 84% da população está coberta pela Atenção Primária, com 74 unidades de saúde e 250 equipes atuando diretamente na mitigação de agravos e no cuidado integral do paciente. Outro ponto importante são os programas de ciclo de vida, presentes em todas as unidades de saúde. Eles direcionam o atendimento conforme a necessidade de cada paciente, seja para grupos de prevenção de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, para o combate ao tabagismo, ou ainda para o cuidado com a saúde da mulher, da criança, do homem, do idoso, além de ações voltadas à segurança alimentar e à saúde reprodutiva. Essas ações fortalecem o cuidado contínuo e evitam o agravamento das doenças, reduzindo a necessidade de encaminhamentos para os serviços de média e alta complexidade. Hoje, em Campo Grande, são inseridas cerca de 3,5 mil novas solicitações por dia no sistema de regulação, vindas de todo o Estado. Desse total, aproximadamente 1,5 mil pacientes são regulados diariamente. Para melhorar o acesso e reduzir o tempo de espera nas especialidades, estamos revisando e otimizando as solicitações já existentes no sistema. Estamos verificando se os pacientes ainda aguardam por consulta ou procedimento, se já foram atendidos por outros meios, ou se continuam residindo em Campo Grande. Essa atualização é fundamental para garantir que os atendimentos ocorram de forma mais ágil e organizada. Também temos buscado constantemente o apoio do Estado e da União para ampliar o acesso aos serviços especializados. Um exemplo é a área de oftalmologia, que vai receber investimento de R$ 10 milhões para a realização de cerca de 18 mil procedimentos ao longo de um ano — o que representa um avanço significativo na ampliação da oferta de atendimentos e na redução do tempo de espera da população.
RDM: A segurança é uma atribuição estadual, mas seus reflexos são sentidos no município. Que iniciativas de prevenção social, como iluminação pública, câmeras de monitoramento e programas esportivos para a juventude, a senhora considera mais efetivas, e como tem sido a cooperação com o governador Eduardo Riedel nesta área?
Adriane Lopes: A Guarda Civil Metropolitana (GCM) atua de maneira integrada com as demais forças de segurança do Estado. Temos investido continuamente na corporação, com capacitações, novos equipamentos e valorização dos servidores. Realizamos concurso público para 200 vagas e convocamos 380 novos guardas. Criamos a ROMU (Ronda Ostensiva Municipal), com viaturas novas, e o GEMOP, grupamento especializado em motocicletas, que atua tanto de forma preventiva e repressiva, quanto em ações sociais. Implantamos a Ronda Escolar e vamos fazer um investimento de R$ 1 milhão com novas viaturas, coletes e armamento menos letal. Foram capacitados 250 servidores para atuar diretamente nas escolas. A Patrulha Maria da Penha também recebeu reforços: com recursos de quase R$ 600 mil do governo federal, investiremos em viaturas, coletes e armamento não letal, ampliando a segurança das mulheres. Além disso, todas as bases e gerências regionais estão sendo revitalizadas, com melhorias estruturais e novos equipamentos.
RDM: Diante dos desafios nacionais de alfabetização e evasão escolar, quais ações específicas a prefeitura de Campo Grande tem implementado para melhorar os índices da educação municipal, especialmente nos anos iniciais, e como a senhora avalia a parceria com o Programa Nacional do Livro Didático e outras iniciativas do governo federal?

Adriane Lopes: Ao assumir a gestão, encontramos 13 obras de EMEIs paralisadas. Retomamos os trabalhos: duas já foi entregue, 1 está em fase final e as demais aguardam ordem de início. Em dois anos, reduzimos em 50% a fila de espera por vagas na Educação Infantil, e nossa meta é zerar a fila nos próximos anos. Diante dos desafios nacionais de alfabetização e combate à evasão escolar, Campo Grande tem atuado com um conjunto de políticas públicas integradas, priorizando os anos iniciais da Educação Básica. Nós temos um assessoramento pedagógico contínuo às escolas, com foco na orientação das práticas de leitura, escrita e acompanhamento das aprendizagens; a formação continuada dos professores alfabetizadores, que visa o fortalecimento das práticas pedagógicas e a reflexão sobre o fazer docente; a produção de diretrizes pedagógicas, que norteiam o trabalho pedagógico e garantem coerência entre currículo, avaliação e planejamento; e a consolidação de avaliações diagnósticas que permitem um acompanhamento mais preciso do desempenho dos alunos. A parceria com o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é avaliada de forma muito positiva, pois garante o acesso equitativo a materiais de qualidade e complementa os esforços do município no processo de alfabetização e letramento. Além disso, a colaboração com o governo federal em programas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada tem sido fundamental para o alinhamento das estratégias locais às metas nacionais, fortalecendo as políticas públicas e potencializando os resultados da Rede Municipal de Ensino. Nos últimos anos, Campo Grande tem alcançado avanços consistentes, fruto de uma gestão comprometida com o aprendizado, a valorização dos profissionais da educação e o direito de cada criança a uma trajetória escolar contínua e de qualidade.
RDM: Em um contexto de retomada de programas sociais pelo governo federal, como a prefeitura tem atuado para identificar e amparar as famílias em situação de vulnerabilidade que podem ter ficado fora dos cadastros nacionais, e qual a importância do trabalho em rede com o Ministério do Desenvolvimento Social?
Adriane Lopes: A secretaria municipal de assistência social coordena e executa a política pública de assistência, com 21 CRAS, 4 Centros de Convivência e 4 Centros de Convivência do Idoso, distribuídos pelas sete regiões da cidade. Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), realizamos estudos, aplicamos normativas e garantimos o acesso ao Cadastro Único, essencial para identificar famílias em vulnerabilidade — sejam ou não beneficiárias de programas de transferência de renda. Dessa forma, asseguramos atendimentos contínuos e de qualidade, ampliando o acesso a benefícios, programas e serviços socioassistenciais, fortalecendo a proteção social e a inclusão cidadã.
RDM: Quais as principais medidas do seu governo para melhorar o trânsito e a oferta de transporte público em Campo Grande? Existe algum diálogo com o governo do estado para integrar o transporte municipal com o sistema interestadual de rodovias que cortam a capital?
Adriane Lopes: Estamos executando diversas obras de mobilidade urbana. Um exemplo é a interligação cicloviária entre a Avenida Nosso Senhor do Bonfim, Avenida Cônsul Assaf Trad e Avenida Desembargador Leão Neto do Carmo, cuja ordem de serviço será assinada em breve. Outras obras de interligação estão em fase de licitação pela SISEP. Também está em tramitação o processo para implantação do estacionamento regulamentado, e já centralizamos mais de 100 cruzamentos semaforizados na nossa Central de Controle Integrado, o que melhora o fluxo e a segurança no trânsito da Capital.
RDM: Campo Grande é conhecida por sua arborização. Quais políticas a prefeitura está adotando para conciliar o crescimento urbano com a preservação ambiental, e como projetos federais, como o de saneamento básico, têm contribuído para essa meta?
Adriane Lopes: Campo Grande é referência mundial em arborização urbana. Distribuimos anualmente 50 mil mudas de árvores frutíferas para toda população. Em 2011, fomos uma das primeiras cidades brasileiras a elaborar um Plano Diretor de Arborização Urbana. Segundo o IBGE (2022), somos a capital mais arborizada do país, e desde 2019 – por seis anos consecutivos – recebemos o título de “Cidade Árvore do Mundo” (Tree City of the World) pela ONU. Em setembro deste ano, atualizamos o Manual de Arborização Urbana, com diretrizes técnicas para plantio, manejo e manutenção da vegetação. O documento orienta sobre espécies adequadas, podas, transplantes e demais cuidados, além de promover conscientização e engajamento da população. A lei que instituiu o Plano Diretor de Arborização Urbana está passando por uma revisão e a proposta está alinhada ao projeto de lei federal que instituirá a Política Nacional de Arborização Urbana, reafirmando nosso compromisso com uma cidade mais verde, saudável e resiliente.
RDM: A senhora é do PP, partido de oposição ao governo Lula, e que também é do mesmo partido do governador Eduardo Riedel, que deixou recentemente o PSDB para se filiar ao PP, que apesar de ter se declarado recentemente como de oposição, têm o deputado federal André Fufuca, do partido, ocupando o Ministério do Esporte. Assim, como a senhora define a relação administrativa com o Palácio do Planalto e com o governo estadual, e de que forma essa diferença partidária impacta, na prática, a busca por recursos e a implementação de políticas públicas para Campo Grande?
Adriane Lopes: Nós mantemos uma relação institucional sólida e republicana com o Governo Federal, sempre pautada no diálogo e na busca de resultados concretos para a população. Nosso foco é garantir que as políticas públicas cheguem às pessoas, melhorando a vida de quem vive nas cidades. A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) tem desempenhado um papel fundamental na defesa das pautas municipalistas, fortalecendo a voz dos gestores locais e contribuindo para o desenvolvimento equilibrado do nosso país.


























