JHC: Governo ou Senado?

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares do “centrão”, a definição das candidaturas majoritárias em Alagoas está nas mãos do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC). Enquanto o ministro Renan Filho (MDB) é tido como quase certo candidato ao governo, JHC avalia se disputa o Palácio República dos Palmares ou uma vaga no Senado. Essa decisão é central, pois definirá o destino de sua esposa, a primeira-dama Marina Cândia: se JHC for ao governo, ela poderá ser lançada ao Senado; se ele optar pelo Senado, Marina seria candidata a deputada federal. O grupo de JHC reivindica uma das vagas no Senado, já que Eudócia Caldas, mãe do prefeito de Maceió, herdou o mandato que era do ex-senador Rodrigo Cunha (Podemos), que se elegeu em 2024 vice-prefeito de Maceió na chapa de JHC.
Primeira-dama à Frente

Conforme dados levantados junto a políticos alagoanos, a primeira-dama de Maceió, Marina Cândia, tem pontuado de forma surpreendente nas pesquisas para o Senado, chegando a liderar alguns cenários com até 35% das intenções de voto, à frente de nomes como Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP-AL). Sua projeção, impulsionada por uma forte presença nas redes digitais e agenda de visitas ao interior, é estimulada pelo próprio prefeito e seu marido, JHC. A competitividade de seu nome é vista como um trunfo do casal e um fator de desestabilização para os planos do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, que sonha com uma cadeira no Senado, mas aparece atrás nas sondagens. Com isso, Lira articula um “plano B” para se reeleger deputado federal e retornar à presidência da Câmara em 2027.
“Plano B” de Arthur Lira

Desta forma, conforme avaliação de aliados, o deputado federal Arthur Lira (PP) trabalha seriamente com o seu “plano B” diante das pesquisas desfavoráveis para o Senado. Seu principal objetivo segue sendo se eleger senador, mas o pepista alagoano já começa a costurar um retorno à Presidência da Câmara na legislatura 2027-2028, com sua reeleição como deputado federal. Esse cenário abre espaço para uma composição onde JHC dispute o governo estadual e Marina Cândia o Senado, mantendo Lira no comando da Câmara dos Deputados. As tratativas para definir essa arquitetura eleitoral devem se intensificar após o recesso parlamentar, com a confirmação de Renan Filho (Renanzinho) ao governo estadual fortalecendo a hipótese do prefeito de Maceió de até permanecer no comando da capital para buscar se consolidar seu projeto político.
Ibaneis sabia

De acordo com informações de parlamentares ligados ao Planalto, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, teria afirmado em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), estava ciente da operação de R$ 12,2 bilhões com o Banco Master. A revelação insere um novo elemento político na investigação, que se encontra em sigilo total, e considerada uma das maiores fraudes financeiras recentes do país. Durante o interrogatório, Costa teria confirmado que Ibaneis era informado sobre negócios de grande porte, mas teria tentado isentá-lo da decisão final, atribuindo esta deliberação a uma análise técnica sua. No entanto, de acordo com fontes ouvidas pela coluna, a tese de sua defesa se enfraquece diante da contradição apresentada com a versão do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre a origem dos títulos.
Sem “dosimetria”, anistia

Após o veto do presidente Lula ao projeto que reduzia penas dos condenados do 8 de janeiro, o senador Esperidião Amin (PP-SC), relator da matéria no Senado, apresentou uma proposta de anistia total e irrestrita aos envolvidos. A nova iniciativa, mais ampla que a “dosimetria” barrada pelo Planalto, beneficia desde participantes diretos até quem deu apoio financeiro ou nas redes digitais. Nos bastidores, parlamentares governistas veem a manobra como uma tentativa de Amin de capitalizar eleitoralmente o tema, buscando consolidar o voto dos bolsonaristas em Santa Catarina para sua reeleição ao Senado em outubro. O projeto amplifica o embate político em torno do episódio, tensionando ainda mais as relações entre Congresso, Executivo e Judiciário, com “aviso” de ministros da Suprema Corte de que a iniciativa será considerada inconstitucional, se o veto for derrubado.
Novo aporte na TransNordestina

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) liberou um novo aporte de R$ 106,2 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para as obras da Ferrovia Transnordestina. A autorização foi concedida pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O valor integra um termo aditivo de R$ 3,6 bilhões assinado em 2024, totalizando R$ 1,8 bilhão já repassados. A fase 1 do projeto, que conecta o Piauí ao Porto do Pecém (CE) em 1,2 mil quilômetros, registra 79% de execução física e deve ser entregue até 2027. O secretário de Fundos do MIDR, Eduardo Tavares, destacou o modelo de governança que garante o acompanhamento rigoroso das obras. Em dezembro, foram realizados os primeiros testes de operação após licença do Ibama. A ferrovia, crucial para a logística regional, vai escoar a produção do interior para o litoral nordestino.
Acordo histórico

Após 25 anos de negociação, o Mercado Comum do cone Sul (Mercosul) e a União Europeia aprovaram um dos maiores acordos de livre-comércio do mundo, unindo blocos que somam 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de aproximadamente R$ 120 trilhões (US$ 22,4 trilhões convertidos à cotação de R$ 5,36). A decisão, chancelada pelo lado europeu, representa um marco histórico para o multilateralismo em um cenário global de crescente protecionismo. O tratado amplia as alternativas para as exportações brasileiras, facilita investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para ambas as partes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o fato como uma vitória do diálogo e da aposta na cooperação internacional, destacando seu papel como fator de crescimento econômico.
Ratificação até julho

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) do Senado Federal, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), articula a criação de uma subcomissão para acelerar a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia no Congresso Nacional. Com a aprovação do tratado pelo conselho da União Europeia, o parlamentar sul-mato-grossense pressiona para que a votação no Brasil ocorra até o mês de julho, visando aproveitar a “janela de oportunidade histórica”. A subcomissão terá a função de avaliar os impactos setoriais do acordo antes da fase final de votação. Trad destacou que, após a provável ratificação pelo parlamento europeu, o tratado poderá vigorar bilateralmente entre Brasil e os países europeus assim que aprovado pelo Congresso brasileiro, sem necessidade de esperar outros países do Mercosul.
Crise na Venezuela

Para o presidente da CREDN do Senado, senador Nelsinho Trad, a crise na Venezuela, com o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por uma operação das forças armadas dos Estados Unidos (EUA), é um sinal de “alerta geopolítico”, que estabelece um “precedente grave”. Para o senador sul-mato-grossense, a interferência direta dos EUA precisa ser vista com “cautela”. Trad destacou a necessidade do respeito ao direito internacional, que não prevê a banalização do uso da força. Segundo ele, a reação da China, que condenou a ação e pediu respeito à soberania venezuela, indica que o caso elevou as tensões entre grandes potências globais. Nelsinho Trad ressaltou ainda que, embora o Brasil não esteja no centro dessas disputas, não está imune aos seus efeitos, dada a fronteira direta com a Venezuela e as relações com múltiplos atores internacionais.
Menor inflação desde 2018

O Brasil registrou em 2025 o menor índice de inflação desde 2018, com o IPCA fechando o ano em 4,26%, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (9). O resultado ficou abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e representa o quinto menor patamar dos últimos 31 anos. O presidente Lula celebrou o dado, destacando que ele refuta as previsões pessimistas do mercado e é fruto de uma política econômica séria. O desempenho foi puxado principalmente pela forte alta nos grupos Habitação e Educação, enquanto o item alimentação no domicílio apresentou queda significativa, acumulando variação negativa por seis meses consecutivos. A energia elétrica residencial foi o subitem com maior impacto individual sobre o índice no ano. A divulgação do índice oficial pelo IBGE reacende o debate sobre a condução da política econômica, contrastando com projeções anteriores do mercado.






























