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A eleição acabou. O velho mapa político de Santa Catarina também.

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A eleição terminou, mas a política catarinense acaba de começar uma nova fase.

E talvez essa seja a principal conclusão que as urnas de 2026 deixaram para Santa Catarina: mais do que escolher nomes, o eleitor mudou a distribuição de poder no Estado.

Jorginho Mello foi reeleito no primeiro turno com 2.942.386 votos, 68,98% dos votos válidos. O PL elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa, com 16 dos 40 deputados estaduais, e também a maior bancada catarinense na Câmara, com sete dos 16 deputados federais. Para completar o novo desenho, as duas vagas ao Senado ficaram com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL. (TRE Santa Catarina)

Não é apenas uma vitória eleitoral.

É uma mudança na arquitetura do poder.

Durante a campanha, a discussão era sobre quem venceria. A partir de agora, a pergunta é outra: o que será feito com o tamanho do mandato recebido?

Jorginho começa seu segundo governo com uma força institucional que muda a relação entre Executivo, Assembleia, bancada federal e Senado. A dificuldade de governar não poderá mais ser explicada simplesmente pela falta de apoio político.

E isso aumenta a responsabilidade.

Quanto maior a força entregue pelas urnas, maior a expectativa por resultados.

A eleição para o Senado também conta uma história que vai além de duas cadeiras.

Carol de Toni e Carlos Bolsonaro ocuparão as vagas que eram disputadas por nomes de diferentes correntes políticas. Entre os derrotados está Esperidião Amin, uma das figuras mais longevas da política catarinense. Carol recebeu 33,47% dos votos e Carlos Bolsonaro, 25,35%. (Folha de S.Paulo)

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Não é necessário transformar isso em uma narrativa simplista de “velha política contra nova política”.

A urna não explica sozinha por que cada eleitor votou como votou.

Mas o resultado revela uma coisa concreta: experiência acumulada e tradição política já não são, por si só, garantia de continuidade.

O capital político precisa ser renovado.

E o PL não saiu da eleição apenas com mais cargos. Saiu com presença simultânea em praticamente todos os centros institucionais relevantes da política catarinense: Governo do Estado, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado.

É aí que começa o verdadeiro teste.

Porque uma bancada grande não é resultado.

Uma eleição vitoriosa não é resultado.

Uma maioria política não é resultado.

Resultado é aquilo que chega à vida das pessoas.

Saúde funcionando melhor. Estradas avançando. Segurança. Educação. Infraestrutura. Investimentos. Menos burocracia. Mais eficiência. Mais capacidade de transformar recursos públicos em serviços públicos.

A nova configuração de poder cria condições para que isso aconteça. Mas também elimina parte das justificativas para que não aconteça.

E existe outra mudança importante.

A política catarinense terá de aprender a lidar com um eleitorado que não parece mais disposto a preservar automaticamente os mesmos protagonistas, as mesmas alianças e as mesmas fórmulas.

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O resultado do Senado é um exemplo disso.

A eleição não apagou a história de Esperidião Amin. Apenas mostrou que a história, sozinha, não garante o próximo capítulo.

Esse talvez seja o maior ensinamento desta eleição.

O eleitor não está apenas escolhendo quem ocupará uma cadeira. Está redefinindo quem terá condições de disputar o centro da política nos próximos anos.

Por isso, talvez seja cedo demais para começar a discutir a sucessão de Jorginho, a próxima eleição municipal ou quem será candidato a alguma coisa em 2030.

Antes disso, existe uma pergunta muito mais importante:

quem conseguirá transformar o poder que recebeu das urnas em resultados concretos?

Essa será a nova régua.

O político que recebeu milhões de votos terá de transformar votos em responsabilidade.

O partido que conquistou grandes bancadas terá de transformar bancada em articulação.

O governo que recebeu uma maioria expressiva terá de transformar confiança em entrega.

Santa Catarina não saiu apenas de uma eleição.

Saiu de um ciclo político.

O mapa mudou.

Os personagens mudaram.

As forças institucionais mudaram.

E agora começa a parte mais difícil: transformar voto em governo, bancada em resultado e poder em responsabilidade.

Porque a eleição pode ser vencida em um domingo.

O mandato começa na segunda-feira.

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