Santa Catarina chega às eleições de 2026 com um eleitorado diferente daquele que foi às urnas em 2022.
São 5.725.753 eleitores. Um crescimento de 4,3% em quatro anos.
Mas o número que mais chama atenção está dentro desse crescimento: quase 400 mil eleitores vieram de outros Estados para Santa Catarina desde 2022.
E de onde eles vieram?
109 mil do Rio Grande do Sul.
71 mil do Paraná.
48 mil de São Paulo.
37 mil do Pará.
14 mil da Bahia.
E outros 118 mil de diferentes Estados.
É muita gente.
É praticamente a população eleitoral de uma grande cidade catarinense entrando no mapa político do Estado.
E aqui está o ponto que merece reflexão.
Não dá para dizer como esse eleitor vai votar. Nem seria correto tentar encaixá-lo em um determinado campo político apenas pelo Estado de origem.
Mas uma coisa é inegável: ele não fazia parte do eleitorado catarinense de 2022 e agora fará parte da decisão de 2026.
E não foi apenas gente chegando de fora.
Mais de 100 mil eleitores também mudaram de município dentro de Santa Catarina.
Ou seja, o eleitorado se movimentou nos últimos quatro anos.
Enquanto isso, a política continua, muitas vezes, olhando para o mapa eleitoral antigo.
Olha os resultados de 2022. Os redutos tradicionais. As lideranças históricas. As estruturas partidárias. Os municípios onde determinado candidato sempre foi forte.
Tudo isso continua valendo.
Mas não explica sozinho o eleitor de 2026.
Santa Catarina mudou.
E mudou também a concentração dos votos.
Os dez maiores colégios eleitorais do Estado já reúnem 2,23 milhões de eleitores, quase 40% de todo o eleitorado catarinense.
Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José, Itajaí, Chapecó, Palhoça, Criciúma, Jaraguá do Sul e Lages concentram uma parcela enorme da decisão eleitoral.
Isso cria uma questão que vai muito além da eleição deste domingo.
A representação política acompanhou o crescimento e a transformação dessas cidades?
Porque uma coisa é a população crescer.
Outra é o peso eleitoral crescer.
E outra, ainda, é esse peso se transformar em representação.
Joinville é um exemplo evidente dessa discussão. A cidade tem o maior eleitorado de Santa Catarina, mas há anos convive com o debate sobre a dificuldade de transformar seu tamanho eleitoral em uma bancada proporcional à sua importância.
E talvez essa seja a questão central.
Não estamos falando apenas de quantos eleitores Santa Catarina tem.
Estamos falando de quem são esses eleitores, onde eles estão e se os partidos estão enxergando essa mudança.
O eleitor que veio do Rio Grande do Sul não é simplesmente “mais um eleitor”. Assim como o que veio do Paraná, de São Paulo, do Pará ou da Bahia.
Cada um traz sua história, suas experiências e suas referências.
Não significa que votarão da mesma forma.
Significa que o mapa político catarinense ganhou novos habitantes.
E existe uma pergunta incômoda para partidos e candidatos:
eles estão fazendo campanha para o eleitor que Santa Catarina tem hoje ou continuam falando com o eleitor que conheciam ontem?
Essa resposta não está nas pesquisas.
Está nas urnas.
Santa Catarina mudou.
O eleitorado mudou.
As cidades mudaram.
Agora, talvez seja hora de perguntar se a representação política também mudou.
Porque o mapa eleitoral de 2026 já não é o mesmo de 2022.



























