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NINGUÉM SABE ONDE ESTÁ O VOTO EM SC — MAS TODO MUNDO JÁ ESTÁ FAZENDO CONTAS

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Os partidos já fizeram suas contas. As campanhas já escolheram seus protagonistas. As pesquisas começaram a desenhar cenários. O rádio e a televisão já entraram na disputa. As redes sociais estão tomadas por candidatos, apoiadores e militantes. Mas existe uma variável fundamental que ainda não apareceu por inteiro nessa equação: o eleitor.

E talvez seja justamente aí que esteja a maior incógnita das eleições de 2026.

Santa Catarina tem mais de 5,7 milhões de eleitores. É gente demais para ser tratada como uma massa uniforme e, principalmente, como se todos já tivessem escolhido lado. A política costuma olhar para o eleitorado através das pesquisas, das pesquisas internas dos partidos, das redes sociais e da movimentação das militâncias. O problema é que esses ambientes não representam necessariamente o conjunto de quem vai apertar a tecla da urna em 4 de outubro.

Quem acompanha política diariamente tende a acreditar que todo mundo está acompanhando política diariamente. Não está.

Para uma parcela significativa da população, a eleição ainda é um assunto distante. Há quem não saiba quais são os candidatos, quem ainda não tenha decidido em quem votar, quem sequer tenha começado a prestar atenção na disputa proporcional e quem só vai formar sua opinião quando a campanha entrar de fato na rotina.

E isso muda muita coisa.

Porque existe uma diferença enorme entre o eleitor que acompanha uma disputa há meses e aquele que só começa a prestar atenção quando encontra um candidato na televisão, recebe uma indicação de alguém em quem confia ou simplesmente se depara com a eleição no cotidiano.

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O primeiro já está contabilizado nas estratégias políticas. O segundo é o voto que ainda não apareceu.

Essa diferença também explica por que algumas projeções podem transmitir uma segurança que o cenário real ainda não permite. Saber quem lidera hoje é importante. Saber quem tem estrutura, recall, dinheiro, presença territorial e capacidade de comunicação também. Mas nenhuma dessas variáveis substitui uma pergunta básica: quantos eleitores ainda não decidiram?

E há outra questão ainda mais importante: quantos vão votar?

Abstenção, votos brancos e nulos não são detalhes estatísticos. Eles interferem no universo de votos válidos e, consequentemente, na matemática das eleições proporcionais. Uma mudança no comportamento do eleitor pode alterar o quociente eleitoral, a disputa pelas sobras e a distância entre um candidato eleito e outro que fica pelo caminho.

É por isso que a eleição proporcional é particularmente sensível ao comportamento de quem hoje parece estar fora do debate.

O eleitor não precisa participar de reunião partidária, acompanhar deputado nas redes sociais ou discutir pesquisa para exercer enorme influência sobre o resultado. Basta comparecer à urna e fazer suas escolhas. E algumas delas serão feitas em disputas nas quais o eleitor ainda conhece pouquíssimos nomes.

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Talvez esteja aí uma das maiores diferenças entre a eleição vista pelos políticos e a eleição vivida pelos cidadãos.

Para os partidos, a campanha já é uma operação. Para os candidatos, uma corrida. Para as equipes de marketing, uma guerra por atenção. Para quem acompanha política, um assunto diário.

Para boa parte do eleitorado, ainda não.

E quando esse eleitor entrar na disputa, muita coisa que hoje parece consolidada pode simplesmente deixar de parecer.

VEREDITO SOBRETUDO

A política está cometendo um erro clássico: está confundindo movimento com voto e barulho com decisão. Candidatos já fazem contas como se milhões de eleitores tivessem escolhido seus nomes. Não escolheram. E justamente esse eleitor silencioso, que hoje parece irrelevante para as estruturas partidárias, pode ser quem defina as cadeiras, derrube favoritos e altere completamente o desenho que a política acredita ter montado.

A eleição não será decidida por quem está fazendo mais campanha agora. Será decidida por quem ainda não disse em quem vai votar.

A PERGUNTA QUE FICA

Se os políticos já sabem quem pretendem eleger, os partidos já sabem quantas cadeiras querem conquistar e as pesquisas já apontam favoritos, quem está prestando atenção naquele eleitor que ainda não escolheu ninguém?

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