O ministro Carlos Lupi decidiu pedir demissão uma após suposto esquema que desviava dinheiro das aposentadorias vir a público em investigação conjunta da AGU e da PF; “Tomo esta decisão com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento”, diz.
Por Humberto Azevedo
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, decidiu pedir demissão nesta sexta-feira, 2 de maio, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lupi vinha enfrentando uma pressão gigantesca para se sustentar no cargo desde que na última semana veio a público uma investigação conjunta da Advocacia-Geral da União (AGU) com a Polícia Federal (PF), de que um suposto esquema de desvio em aposentadorias estava acontecendo desde o ano de 2019.
Em sua substituição, foi decidido pelo presidente Lula que o Ministério da Previdência será agora comandado pelo ex-deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE), que até então exercia o cargo de secretário-executivo da pasta. Na despedida, Lupi publicou um texto nas suas redes digitais em que afirma ter tomado a “decisão com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento”
Em nota, divulgada pelo Palácio do Planalto, a assessoria da Presidência da República informou que “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na tarde desta sexta-feira, 2 de maio, o pedido de demissão do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, durante audiência” e que “o presidente convidou o ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da Previdência, para ocupar o cargo de ministro”.

A exoneração de Lupi e a nomeação de Wolney Queiroz serão publicadas ainda nesta sexta-feira, 2 de maio, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). O suposto esquema envolveria cifras de quase R$ 3,5 bilhões e afetaria de 10% a 30% dos aposentados, que teriam uma parte (até 30% do valor do benefício) de suas aposentadorias desviadas para associações, sem autorizações. O suposto esquema teria iniciado no ano de 2019 a partir do cadastro destas associações pelo Ministério da Previdência em 2017.
“Entrego, na tarde desta sexta-feira, a função de ministro da Previdência Social ao presidente Lula, a quem agradeço pela confiança e pela oportunidade. Faço questão de destacar que todas as apurações foram apoiadas, desde o início, por todas as áreas da Previdência, por mim e pelos órgãos de controle do governo Lula. Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”, escreveu Lupi em suas redes digitais.
“Continuarei acompanhando de perto e colaborando com o governo para que, ao final, todo e qualquer recurso que tenha sido desviado do caminho de nossos beneficiários seja devolvido integralmente. Deixo meu agradecimento aos mais de 20 mil servidores do INSS e do Ministério da Previdência Social, profissionais que aprendi a admirar ainda mais nestes pouco mais de dois anos à frente da Pasta”, completou o agora ex-ministro Carlos Lupi, que volta a exercer o comando da direção e executiva nacional do PDT, ao qual estava licenciado desde janeiro de 2023 quando assumiu a função de ministro.
INSUSTENTÁVEL
Para o líder da oposição na Câmara dos Deputados, deputado Zucco (PL-RS), a saída do ministro da Previdência, Carlos Lupi, é a confirmação de que sua permanência no cargo se tornou insustentável diante da “gravidade do escândalo envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões”. “Sua omissão, somada às inúmeras irregularidades identificadas, torna justa – embora tardia – a sua exoneração”, comentou.

“No entanto, é preciso deixar claro que esta é apenas a segunda peça de uma grande engrenagem de corrupção a ruir. A queda do presidente do INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social], seguida agora da saída do ministro, marca o início de uma série de afastamentos que devem alcançar diversos escalões do governo. As investigações já demonstram que o esquema funcionou durante anos com a conivência de agentes públicos e privados, incluindo integrantes do governo em diferentes níveis”, completou Zucco em nota distribuída à Imprensa.
“Há indícios da participação de entidades ligadas a partidos políticos, como a CONTAG, historicamente associada à esquerda, que recebeu grande parte dos recursos descontados dos beneficiários – um fato inaceitável. E o que dizer entidade que tem como diretor vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) bateu recorde em 2023 no recolhimento de mensalidades associativas por meio de aposentadorias e pensões do INSS”, complementou.
“É inadmissível que brasileiros vulneráveis tenham sido lesados por um esquema que contou com o silêncio e, em muitos casos, a participação de servidores públicos e entidades próximas ao poder. A oposição continuará atuando com firmeza. A CPI da Previdência já foi protocolada na Câmara, e uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) está prestes a ser formalizada, com as assinaturas no Senado já reunidas e o apoio crescente na Câmara. O escândalo está apenas começando. A verdade virá à tona, e os responsáveis, independentemente do cargo que ocupem, precisarão responder por seus atos. O Brasil exige justiça”, finalizou o oposicionista.
























