O nível do Rio Tapajós caiu 28 centímetros em 15 dias em Santarém (PA), aumentando a preocupação com a navegação e o escoamento de grãos pelo Norte do país. Cerca de 30 entidades do agronegócio pediram ao governo uma dragagem emergencial nos trechos mais rasos da hidrovia, que transportou 16,8 milhões de toneladas em 2025.
O alerta ocorre diante da previsão de chuvas abaixo da média na Região Norte entre outubro e dezembro. Segundo prognóstico do Inmet e do Inpe, algumas áreas de Roraima, Amazonas e Pará podem registrar acumulados até 200 milímetros inferiores à média histórica. A preocupação é que a vazante avance e reduza o calado das barcaças antes da recuperação das chuvas.
O setor estima que uma eventual restrição na hidrovia poderia reter entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de grãos e elevar os custos logísticos em até R$ 800 milhões. O Dnit cancelou uma licitação de R$ 74,8 milhões para dragagem entre Itaituba e Santarém, que previa intervenções em sete pontos considerados críticos.
A dragagem, porém, enfrenta questionamentos de comunidades indígenas, entidades socioambientais e do Ministério Público Federal, que defende licenciamento ambiental e consulta às comunidades afetadas. O governo informou que monitora as condições do rio, enquanto a Antaq solicitou planos de contingência aos terminais e transportadores. A hidrovia segue navegável, mas entra no período de maior risco com o nível em queda e sem definição sobre novas intervenções.




















