O Brasil registrou 232.382 afastamentos do trabalho por transtornos mentais entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento do projeto Data Cajuína. O número representa queda de 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 267.690 casos. Apesar da redução, mais de meio milhão de trabalhadores se afastaram por esse motivo ao longo de 2025.
Para a psiquiatra Viviane Idaló, sobrecarga, pressão excessiva, jornadas prolongadas, dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal e adaptação constante às novas tecnologias podem contribuir para o adoecimento. “É fundamental entender que a saúde mental não depende apenas do indivíduo. A organização e as condições de trabalho também podem influenciar o bem-estar psíquico”, afirma. Alterações persistentes no sono, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento estão entre os sinais de alerta.
A tecnologia também passou a integrar essa discussão. Embora ferramentas como a inteligência artificial possam diminuir tarefas repetitivas, o uso inadequado pode elevar a pressão por produtividade e o receio de substituição. Segundo a psicóloga Dara Luiza, a psicoterapia pode atuar tanto no tratamento quanto na prevenção, ajudando o trabalhador a identificar sinais de sofrimento e desenvolver estratégias para lidar com situações que estejam sob seu controle.
A prevenção ganhou reforço com a atualização da NR-1, que desde 26 de maio de 2026 inclui expressamente os riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A medida amplia a responsabilidade das empresas na identificação e prevenção desses fatores. A Unimed Cuiabá também mantém, por meio do Viver Bem, programas como Mente Saudável e Empresa Saudável, com atuação de equipes multidisciplinares voltada à promoção da saúde e à qualidade de vida.


















