Projeto na Assembleia Legislativa propõe garantir o medicamento Mounjaro gratuitamente em Santa Catarina e reacende discussão sobre custo, critérios médicos e sustentabilidade do sistema público de saúde.
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina discute um projeto que pode provocar forte debate no sistema público de saúde do estado: a proposta de garantir o medicamento Mounjaro gratuitamente pelo SUS para pacientes que tenham indicação médica.
O medicamento, que tem como princípio ativo a tirzepatida, foi desenvolvido inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, mas ganhou enorme visibilidade internacional após estudos demonstrarem efeitos significativos na perda de peso. Hoje ele é considerado um dos tratamentos mais eficazes no combate à obesidade, condição que já atinge milhões de brasileiros.
A proposta em discussão na Assembleia pretende ampliar o acesso ao medicamento para pacientes que não têm condições de custear o tratamento, cujo valor mensal pode ultrapassar milhares de reais na rede privada. Na prática, o projeto busca antecipar uma política pública que ainda não foi incorporada de forma ampla pelo sistema nacional de saúde.
A obesidade como problema de saúde pública
O pano de fundo da proposta é um problema crescente. A obesidade deixou de ser tratada apenas como questão estética e passou a ser considerada uma doença crônica associada a diversas complicações, como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e distúrbios metabólicos.
Nesse contexto, medicamentos de nova geração surgem como ferramentas terapêuticas importantes. Estudos clínicos mostram que a tirzepatida pode provocar perdas de peso superiores a 20% em determinados casos, resultado considerado expressivo na medicina.
Defensores do projeto argumentam que ampliar o acesso ao tratamento pode reduzir custos futuros do próprio sistema público, ao evitar complicações graves relacionadas à obesidade.
O desafio do custo
Mas a proposta abre uma discussão inevitável: a sustentabilidade financeira.
Medicamentos inovadores costumam ter alto custo e incorporação gradual no sistema público. Para que o fornecimento seja viável, é necessário estabelecer critérios claros de indicação médica, acompanhamento clínico e avaliação de impacto orçamentário.
Sem esse cuidado, o risco é transformar uma política de saúde em uma despesa difícil de sustentar a longo prazo.
Uma discussão que vai além da política
A proposta catarinense antecipa um debate que inevitavelmente ocorrerá em todo o país: como incorporar novas tecnologias médicas ao sistema público sem comprometer sua sustentabilidade.
A medicina evolui rapidamente. O sistema público, por sua vez, precisa equilibrar inovação com responsabilidade fiscal.
Se a discussão for conduzida com base técnica e critérios médicos claros, Santa Catarina pode abrir caminho para um modelo de tratamento mais moderno para doenças crônicas.
Mas o sucesso da iniciativa dependerá menos da aprovação da lei e mais da capacidade de transformar a proposta em política pública equilibrada, com acesso justo e responsabilidade no uso dos recursos da saúde.





























