O ex-vereador de Florianópolis Pedrão, Pedro de Assis Silvestre, decidiu não disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e passa a assumir uma das coordenações da campanha presidencial de Augusto Cury, do Avante, em Santa Catarina.
A decisão tem também um componente estratégico. Pedrão entende que seu principal projeto político está em Florianópolis e que o desafio que pretende construir é uma nova candidatura à Prefeitura da Capital em 2028. Mas, para ele, isso não significa usar a eleição deste ano como uma espécie de atalho para chegar à próxima disputa municipal.
Pedrão considera que não seria correto disputar uma vaga de deputado estadual apenas para ganhar visibilidade, ampliar seu nome e utilizar o mandato ou a própria campanha como trampolim para uma candidatura à Prefeitura dois anos depois. Na avaliação dele, o eleitor escolhe um candidato para exercer a função para a qual está sendo eleito, e não para que o político utilize aquela eleição em benefício de um projeto eleitoral pessoal.
A crítica ganha relevância diante do movimento de pré-candidatos que disputam neste ano vagas de deputado estadual ou federal já mirando uma candidatura majoritária em 2028. Para Pedrão, essa estratégia pode até ser eleitoralmente eficiente, mas não é honesta com o eleitor.
“Não considero correto usar uma eleição para deputado estadual ou federal como trampolim para uma eleição futura. O eleitor está escolhendo alguém para exercer uma função. Ele não está dando um voto para que o político ganhe visibilidade, fique conhecido e depois use isso para disputar outro cargo. Se eu tenho como projeto disputar a Prefeitura de Florianópolis em 2028, preciso ser transparente com o eleitor e não transformar uma eleição de deputado em instrumento para um projeto pessoal”, afirma Pedrão.
A opção, portanto, foi não disputar a eleição proporcional e concentrar esforços na coordenação da campanha presidencial de Augusto Cury em Santa Catarina.
Ao explicar sua decisão, Pedrão também reforça a visão política que o aproximou do candidato do Avante:
“Acreditamos que o Brasil merece um líder maior que rivalidades ideológicas e partidárias, merece um líder qualificado, de caráter reto e desejo de servir. Como brasileiro, desejo que a onda da eficiência administrativa afogue os males do ego ideológico nesta eleição.”
Escritor e médico psiquiatra, Augusto Cury estreia em uma eleição presidencial defendendo uma agenda centrada em gestão, saúde emocional, eficiência administrativa e mudanças no modelo político brasileiro. Entre suas propostas está a adoção do semipresidencialismo, com a divisão de responsabilidades entre presidente e primeiro-ministro.
Cury também defende um pacto nacional entre diferentes forças políticas e afirma que pretende estabelecer uma relação pragmática com o chamado Centrão, resumida por ele na ideia de “usar o Centrão e não ser usado por ele”.
Nas pesquisas mais recentes, Cury ainda aparece distante dos líderes da corrida presidencial, mas registra crescimento em alguns levantamentos. Na pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 21 e 23 de agosto, aparece com 2% das intenções de voto. No Datafolha realizado entre 18 e 21 de agosto, também marcou 2%. Já na pesquisa PoderData/Aya divulgada em 27 de agosto, chegou a 4%, empatado numericamente com Ronaldo Caiado e Renan Santos.
Pedrão tem sua trajetória política construída em Florianópolis. Foi vereador da Capital por dois mandatos e disputou a Prefeitura em 2020 e novamente em 2024. Em 2022, concorreu a deputado estadual, recebeu 27.344 votos e ficou como primeiro suplente, chegando posteriormente a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Agora, ao optar por não disputar novamente uma eleição proporcional e assumir uma posição estratégica na campanha presidencial de Cury, Pedrão sinaliza que pretende manter sua atuação política sem abrir mão do projeto de voltar a disputar a Prefeitura de Florianópolis em 2028.
A diferença, segundo ele, está no caminho escolhido para chegar até lá: sem transformar o voto recebido para uma função em instrumento de promoção pessoal para outra eleição.

























