A disputa pelo Senado em Mato Grosso expôs uma nova rachadura entre Janaína Riva (MDB) e José Medeiros (PL), que fazem parte do mesmo grupo político. Sem citar diretamente o nome do adversário, Janaína afirmou que se sente usada nas últimas eleições e deixou claro que não pretende mais ocupar o papel de apoiadora sem receber reciprocidade.
Em entrevista à Rádio Cidade, de Alto Araguaia, a candidata contou que apoiou Medeiros na eleição anterior e relembrou que ele chegou a utilizar sua imagem em materiais de campanha do PL ao lado do então presidente Jair Bolsonaro.
“Eu apoiei esse candidato nas últimas eleições. Ele mandou fazer material do PL com a minha foto e com a foto do presidente Bolsonaro. Eu só servi para apoiar, eu não sirvo para ser apoiada”, afirmou.
A declaração deixou evidente o incômodo de Janaína com a relação política construída anteriormente. Segundo ela, a experiência serviu de alerta e mudou sua postura diante da atual disputa eleitoral.
“Eu vejo que, infelizmente, fui usada nas últimas eleições e agora eu não me permito mais ser usada”, disparou a emedebista.
Janaína também ampliou a crítica para a participação das mulheres na política. Na avaliação dela, o discurso de valorização feminina perde força quando uma candidatura de mulher passa a disputar espaço diretamente com um homem que já ocupa ou busca manter um mandato.
“Quando uma mulher coloca em risco o mandato de um homem, reagem desse jeito. Porque, no discurso, a participação feminina é muito bonita, mas, na prática, as mulheres que estão na vida pública sabem do que eu estou falando”, afirmou.
Durante a entrevista, a candidata também apresentou propostas para um eventual mandato no Senado. Entre as prioridades citadas estão o endurecimento das penas para estupro, pedofilia e feminicídio, além de mais investimentos e tecnologia para combater as organizações criminosas.
Janaína ainda defendeu investimentos em infraestrutura, atração de indústrias, programas habitacionais, creches com horário estendido e escolas em período integral. Segundo ela, manter crianças e adolescentes por mais tempo nas escolas também pode ajudar a afastá-los do recrutamento pelo crime organizado.
Ao pedir um dos dois votos para o Senado, Janaína reforçou a defesa da presença feminina na disputa, mas afirmou que não pretende dizer ao eleitor quem deve receber o segundo voto. “Eu defendo que ao menos um dos votos nessa eleição seja para uma mulher. Que não for para mim, para outra candidata mulher”, completou.
Com informações da Assessoria.































