As chuvas de setembro atrasaram a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro e reduziram a concentração de açúcar na matéria-prima durante a reta final da safra 2026/27. O cenário ocorre enquanto o mercado internacional registra maior demanda, com a Índia, segundo maior produtor mundial, autorizando a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos. Cerca de 800 mil toneladas já foram solicitadas, parte delas destinada ao produto brasileiro.
Até o fim de agosto, as usinas do Centro-Sul haviam processado 413,55 milhões de toneladas de cana, alta de 2,2% em relação ao mesmo período da safra anterior. O aumento, porém, não se refletiu na produção de açúcar. Na primeira quinzena de setembro, uma pesquisa com dez analistas estimou queda de 35,4% na moagem, para 29,8 milhões de toneladas, e recuo de 42,5% na fabricação de açúcar, para 2,09 milhões de toneladas.
A chuva também afetou a qualidade da matéria-prima. O Açúcar Total Recuperável (ATR) foi estimado em 147,53 quilos por tonelada na primeira metade de setembro, ante 154,59 quilos um ano antes. A redução pode afetar a remuneração dos produtores, enquanto o excesso de umidade dificulta a entrada das máquinas no campo, aumenta os custos de transporte e reduz o ritmo de operação das usinas.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 705,2 milhões de toneladas de cana no país, alta de 4,7%, mas prevê queda de 2,9% na fabricação de açúcar, para 42,89 milhões de toneladas. No Centro-Sul, a projeção oficial é de 39,51 milhões de toneladas, enquanto estimativas mais recentes apontam possibilidade de volume inferior a 38 milhões. Com a safra entrando no período decisivo, a sequência de dias secos será determinante para recuperar a colheita; caso as chuvas persistam, parte da cana poderá ficar no campo e ser processada apenas na próxima temporada.





















