MATO GROSSO

COMBATE ÀS FACÇÕES

Foragido da Justiça de Mato Grosso apontado como liderança de facção criminosa é preso no Paraguai

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Investigado possui histórico de envolvimento em crimes como tráfico de drogas, uso de documento falso, tentativa de resgate de presos e jogos ilícitos

 

Um homem apontado como uma das lideranças de uma facção criminosa investigada na Operação Raspa Brasil foi preso nesta quinta-feira (3.9), em Assunção, no Paraguai.

 

A prisão ocorreu em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, durante ação da Polícia Civil de Mato Grosso, com participação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco), da Gerência de Polinter e Capturas (Gepol), da Polícia Nacional do Paraguai e da Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos.

 

O investigado estava foragido da Justiça e foi localizado utilizando documentação falsa. A mesma prática já havia sido registrada em fevereiro de 2023, quando ele foi localizado em Pontes e Lacerda e identificado com um documento público falsificado.

 

Em outubro de 2025, equipes da GCCO/Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada ao investigado. Na ocasião, quatro pessoas foram presas.

 

Ataques e tentativa de resgate

 

O investigado também é suspeito de participação em um roubo a instituição financeira na modalidade conhecida como “Novo Cangaço”.

 

Em 2022, ele foi citado em uma investigação sobre a escavação de um túnel de aproximadamente 257 metros, construído a partir de uma residência em Cuiabá em direção à Penitenciária Central do Estado (PCE).

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Segundo as investigações, a estrutura seria utilizada para resgatar integrantes da facção que estavam presos na unidade.

 

Raspadinhas ilegais

 

As investigações também identificaram a atuação do investigado na administração de recursos da facção, especialmente no esquema denominado “Raspa Brasil Nacional”.

 

Segundo a GCCO/Draco, ele era apontado como coordenador estadual e atuava na definição de diretrizes financeiras e na expansão da atividade em Mato Grosso.

 

Monitoramentos registraram o investigado transportando banners e materiais de divulgação das raspadinhas. Análises de aparelhos celulares também identificaram videochamadas e comunicações com outros integrantes responsáveis pelo esquema.

 

Segundo as investigações, ele exigia planilhas com informações sobre estabelecimentos comerciais, quantidade de bilhetes distribuídos, valores arrecadados e percentuais de repasse.

 

Em caso de descumprimento, a orientação era acionar a chamada “disciplina” da facção.

 

Localização no Paraguai

 

Após deixar Mato Grosso, o investigado permaneceu por um período no Rio de Janeiro, onde segundo a Policia Civil, manteve contato com outros integrantes da facção.

 

Posteriormente, informações obtidas durante as diligências indicaram que ele havia deixado o país, levando as buscas até o Paraguai.

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Mesmo foragido, ele manteve atividade nas redes sociais utilizando identidades falsas. Em fevereiro de 2026, publicou imagens feitas no Rio de Janeiro ao lado de uma mulher que tinha cinco mandados de prisão em aberto. Em outra publicação, apareceu com uma arma de fogo com características de fuzil. Também foram identificadas postagens relacionadas a atividades físicas, bares e outros aspectos de sua rotina.

 

Questão judicial

 

O investigado já apresentou laudos e alegações de incapacidade mental em processos judiciais. Segundo a GCCO/Draco, porém, os levantamentos realizados durante as investigações registraram comportamentos que, em tese, seriam incompatíveis com uma incapacidade total.

 

Durante o período em que permaneceu foragido, ele participou de videochamadas, transmitiu orientações e cobrou outros integrantes, mantendo, conforme os levantamentos, atuação na facção criminosa.

 

Diante desses elementos, a GCCO/Draco encaminhou informações às autoridades competentes para subsidiar pedido de revisão dos laudos apresentados nos processos judiciais.

 

Com a prisão no Paraguai, serão adotadas as medidas de cooperação internacional necessárias para o cumprimento das ordens judiciais existentes contra o investigado.

 

Assessoria da Polícia Civil.

 

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