O Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e julho de 2026, 7,4% menos que no mesmo período do ano passado. Mesmo com a redução do volume, o gasto aumentou 7,3%, para cerca de R$ 44,8 bilhões, segundo dados do mercado. O cenário mantém pressionados os custos de produção e reduz a margem dos agricultores.
A queda recente das cotações internacionais não foi suficiente para devolver os preços aos níveis anteriores aos conflitos que afetaram as rotas de comércio. Em junho, a tonelada de fertilizante importado custava, em média, cerca de R$ 2,25 mil, valor 26% superior ao de um ano antes. A ureia teve maior alívio, mas produtos fosfatados continuam pressionados pelo preço elevado do enxofre.
A dependência externa agrava o problema. O país importa entre 80% e 85% dos fertilizantes utilizados no campo, enquanto as compras das principais matérias-primas recuaram 8,6% no primeiro semestre. A produção nacional também caiu 17% nos cinco primeiros meses, para aproximadamente 2,4 milhões de toneladas, sem compensar a redução das importações.
Para o produtor, a combinação de adubo caro e preços menos favoráveis para culturas como soja, milho e cana dificulta a manutenção do ritmo de compras. Parte dos agricultores já adiou negociações ou reduziu volumes, mas uma eventual diminuição da adubação abaixo da recomendação técnica pode afetar a produtividade. A perspectiva de melhora depende da oferta internacional, da normalização das rotas no Oriente Médio, do câmbio e da recuperação das cotações agrícolas.




















