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“O DF é muito de direita”

ENTREVISTA DA SEMANA | A VOZ DO BOLSONARISMO EM BRASÍLIA

A deputada Bia Kicis (PL-DF) durante reunião da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, em 2 de março de 2026. Na ocasião, ela concedeu entrevista exclusiva ao Grupo RDM e debateu pautas econômicas e a reforma da escala de trabalho. (Foto: Humberto Azevedo / RDM)

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Bia Kicis confirma chapa pura com Michelle Bolsonaro no DF e admite divisão no PL sobre apoio a Arruda

 

Em entrevista exclusiva ao Grupo RDM, a deputada defendeu a candidatura “chapa pura” do partido ao Senado, nega rompimento com Ibaneis e diz que partido deu liberdade a Fraga para apoiar ex-governador.

 

Por Humberto Azevedo

 

Em meio à efervescência política que antecede as eleições de 2026 no Distrito Federal, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) concedeu uma entrevista exclusiva à reportagem do Grupo RDM e traçou um panorama detalhado das estratégias de seu partido para a sucessão local.

 

Figura central do bolsonarismo e uma das vozes mais influentes da direita no Congresso, Kicis confirmou que o PL seguirá com candidatura própria majoritária — encabeçada por ela e pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro — e negou qualquer racha com o governador Ibaneis Rocha (MDB) motivado pelo escândalo do Banco Master.

 

Entretanto, a bolsonarista – tida como uma das maiores vozes do bolsonarismo – admitiu a convivência interna com diferentes palanques, permitindo que aliados históricos, como o deputado Alberto Fraga (PL-DF), apoiem a pré-candidatura do ex-governador José Roberto Arruda PSD).

 

Aliada de primeira hora do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) — condenado em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado — Bia Kicis reafirma seu protagonismo na articulação da direita no Planalto Central.

 

Reeleita em 2022 com mais de 214 mil votos, a parlamentar tenta agora migrar da “Câmara baixa” para a “Casa alta” do Legislativo (Senado Federal), apostando na força do eleitorado conservador do DF e na popularidade da ex-primeira-dama.

 

A entrevista concedida no último 2 de março, durante reunião da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, da qual Kicis é secretária-geral, que debateu o impacto no setor produtivo com o possível fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 e ou 36 horas semanais.

 

Questionada sobre o trabalho que pretende destacar na campanha ao Senado, a deputada disse: “faço um belo trabalho na economia, na agricultura, no agrofamiliar. Sou a parlamentar que mais investiu na saúde e na agricultura do Distrito Federal. É uma questão de comunicar à sociedade”.

 

“A gente pretende caminhar juntas. Acredito que juntas teremos muita força no DF. O DF é muito de direita, é muito bolsonarista”, afirmou Kicis, ao projetar a parceria com Michelle Bolsonaro na chapa majoritária.

 

DIVISÃO NO PL

 

Apesar da unidade em torno do nome de Michelle Bolsonaro como peça-chave da estratégia nacional do PL, o cenário no Distrito Federal apresenta nuances que expõem a complexidade das alianças regionais.

 

Enquanto a cúpula do partido, liderada pela ex-primeira-dama, abraçou a pré-candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP), setores da legenda, representados pelo deputado Alberto Fraga, inclinam-se ao apoio do ex-governador José Roberto Arruda (PSD).

 

Kicis tratou a divergência como parte da dinâmica política e garantiu que não há punição ou rompimento. Ex-secretário durante a gestão Arruda, Fraga recebeu sinal verde da legenda para caminhar com o ex-governador, numa decisão que, segundo Kicis, visa manter a coerência interna.

 

A deputada destacou que, se Michelle Bolsonaro pode apoiar uma candidata de outro partido (Celina Leão), não haveria motivo para impedir que Fraga fizesse o mesmo com Arruda.

 

“O deputado Fraga tem liberdade. O partido deu a ele liberdade para apoiar o candidato Arruda sem precisar se desligar do partido. Até porque a nossa primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, também abraçou a candidatura de uma pessoa que não é do nosso partido, que é a Celina Leão. Por uma questão de coerência, foi permitido que o deputado Fraga também pudesse abraçar a candidatura do Arruda”, explicou.

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Apesar da permissão, Kicis fez questão de pontuar a situação jurídica do ex-governador: “Ele tem uma situação de insegurança jurídica, mas hoje é pré-candidato”.

 

CHAPA PURA E O CASO IBANEIS

 

Secretária-geral da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, a parlamentar é uma das vozes da direita no Congresso e pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. (Foto: Vinicius Loures / Agência Câmara)

Um dos pontos mais sensíveis abordados na entrevista foi a relação do PL com o governador Ibaneis Rocha (MDB). Nos bastidores, articulistas chegaram a cogitar que o escândalo envolvendo o Banco Master teria sido o estopim para um distanciamento entre o bolsonarismo e o chefe do Executivo local.

 

Kicis, no entanto, foi enfática ao rejeitar essa leitura e apresentou uma cronologia para justificar a decisão do partido de lançar chapa pura. Segundo a deputada, sua pré-candidatura foi lançada em 11 de novembro de 2025, data anterior à explosão do escândalo do Banco Master.

 

Portanto, a opção por candidatura própria não teria relação com o episódio envolvendo a instituição financeira, mas com uma decisão estratégica tomada ainda no ano passado.

 

“Não houve rompimento com o governador Ibaneis por causa do Banco Master. Não foi isso que aconteceu. O PL optou por ter chapa pura. E isso aconteceu antes do escândalo. Não é correto dizer que o PL largou mão do governador Ibaneis”, afirmou, em tom de correção.

 

“Eu sou pré-candidata. Michele Bolsonaro, por indicação do presidente Bolsonaro, deve ser pré-candidata. O governador Ibaneis, se ele quiser ser pré-candidato, continuar sendo, é uma opção dele. Mas ele não vai ser ou deixar de ser em razão do PL”, completou.

 

CPMI DO BANCO MASTER

 

Reeleita em 2022 com mais de 214 mil votos. a parlamentar defendeu a candidatura “chapa pura” do PL no DF, com Michelle Bolsonaro e ela, e comentou os cenários para a sucessão no governo local.  (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

Questionada sobre os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master, Kicis assegurou que a base governista não arrefeceu os esforços para instalar a CPMI no Congresso Nacional. Embora reconheça que na Câmara Legislativa do DF o cenário seja distinto, a deputada garantiu que, no plano federal, a articulação segue firme e com maioria assegurada.

 

A CPMI do Banco Master é um dos focos de tensão entre oposição, governo e STF no parlamento, e Bia Kicis, como uma das lideranças da direita na Câmara, tem atuado para viabilizar a abertura dos trabalhos. Se aberta esta CPMI, a investigação promete movimentar o cenário político nos próximos meses.

 

“Primeiro, nós ainda estamos lutando pela CPMI do Banco Master, sim. Na Câmara Legislativa é uma outra realidade, mas no Congresso nós estamos lutando. Já temos maioria e vamos buscar a instalação dessa CPMI”, garantiu.

 

“Estamos dizendo que soltou a mão, é isso”, resumiu, ao diferenciar o rompimento político da decisão estratégica de lançar candidatura própria.

 

APOIO A CELINA LEÃO

 

Para encerrar, a deputada foi direta ao ser questionada sobre o apoio maciço do PL à vice-governadora Celina Leão. Em um cenário de indefinições e negociações de bastidores, Kicis reafirmou o compromisso atual com a vice-governadora, mas, com a pragmática experiência de quem transita no parlamento, deixou uma brecha para o futuro.

 

A ressalva de que “na política as coisas mudam” ecoa o tom realista da entrevista, que combinou afirmações de força e unidade com a admissão de que o tabuleiro eleitoral ainda pode sofrer alterações. Por ora, no entanto, o PL segue com Celina Leão.

 

“Hoje o quadro que existe é esse. Esse é o desenho. Na política as coisas mudam. Até agora não há nenhum motivo para a gente largar a mão, abrir mão desse apoio à vice-governadora Celina. Então estamos com ela e vamos aguardar os acontecimentos”, concluiu.

 

Abaixo, segue a entrevista com Bia Kicis concedida com exclusividade para a reportagem do Grupo RDM.

 

RDM: Como está a situação política em Brasília? Parece que não vai sair nem na Câmara dos Deputados, nem no Senado, nem no Congresso, ou na Câmara Legislativa, a CPI do Banco Master, não?

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Bia Kicis: Primeiro, nós ainda estamos lutando pela CPMI do Banco Master, sim. Na Câmara Legislativa é uma outra realidade, mas no Congresso nós estamos lutando. Já temos maioria e vamos buscar a instalação dessa CPMI.

 

RDM: E essa história que o PL, o bolsonarismo aqui em Brasília ter rompido com o governo do Ibaneis Rocha?

Bia Kicis: Não houve, eu queria corrigir essa história de que o PL teria rompido com o governador Ibaneis por causa do Banco Master. Não foi isso que aconteceu. Estamos dizendo que soltou a mão, é isso. O PL optou por ter uma candidatura chapa pura. E isso aconteceu antes do escândalo do Banco Master. Então, eu lancei a minha pré-candidatura no dia 11 de novembro de 2025. E o escândalo do Banco Master surgiu depois. Então não é correto dizer que o PL largou a mão do governador Ibaneis. Não, o PL optou por ter chapa pura. Eu sou pré-candidata. Michele Bolsonaro, por indicação do presidente Bolsonaro, deve ser pré-candidata. Então a gente deve seguir com essa chapa pura. O Governador Ibaneis, se ele quiser ser pré-candidato, continuar sendo, isso é uma questão dele, é uma opção dele. Mas ele não vai ser ou deixar de ser em razão do PL.

 

RDM: Agora, e a pré-campanha da senhora aqui? A senhora foi a mais votada em 2022 para deputada federal. E está preparando agora uma campanha majoritária. Como está isso?

Bia Kicis: Exatamente, a gente pretende caminhar juntas. A gente acredita que juntas teremos muita força, as duas, no DF. O DF é muito de direita. O DF é muito bolsonarista. E a gente sabe também que o trabalho que eu desenvolvi e tenho desenvolvido no parlamento não é dedicado exclusivamente a pautas ideológicas. Faço um belo trabalho na questão da economia, da agricultura, do agrofamiliar. Eu sou a parlamentar que mais investiu na saúde do Distrito Federal, a que mais investiu na agricultura do Distrito Federal. Então tem todo esse trabalho que eu acho que é uma questão de comunicar à sociedade. Porque eu acho que com isso a gente aumenta muito a chance de chegarmos ao nosso objetivo, que é o Senado.

 

RDM: Mas como a senhora vê o cenário político em que uma parte do PL defende o apoio a candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), em detrimento de uma outra parte que defende o apoio a candidatura da atual vice-governadora, Celina Leão (PP). Como que a senhora veria essa divisão?

Bia Kicis: Nós temos o deputado [Alberto] Fraga, que é muito próximo ao Arruda, ao ex-governador Arruda, que hoje é pré-candidato. E que tem uma situação de insegurança jurídica, mas hoje ele é pré-candidato. O deputado Fraga, do meu partido, foi, inclusive, secretário quando o Arruda foi governador. Então, ele tem liberdade, o partido deu a ele liberdade para ele apoiar o candidato Arruda sem precisar se desligar do partido. Até porque a nossa primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, também abraçou a candidatura de uma pessoa que não é do nosso partido, que é também a candidata Celina Leão. Então, por uma questão, até de coerência, foi permitido que o deputado Fraga também pudesse abraçar a candidatura do Arruda.

 

RDM: Para encerrar, então, a senhora, o PL, massivamente vai apoiar a candidatura da vice-governadora na eleição de Brasília?

Bia Kicis: É, hoje o quadro que existe é esse. Esse é o desenho. Na política as coisas mudam. Muitas pessoas estão preocupadas com a questão do máximo. Até agora não há nenhum motivo para a gente largar a mão, abrir mão desse apoio à vice-governadora Celina. Então estamos com ela e vamos aguardar os acontecimentos.

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