A defesa do rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, pediu à Justiça do Rio de Janeiro a suspensão da ação penal em que ele responde ao lado de Marcinho VP e outras nove pessoas. Protocolado na quinta-feira (17), o pedido questiona a integridade das provas digitais usadas na investigação sobre suposta organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho.
Os advogados sustentam que há divergências na extração de dados de um celular apreendido durante a investigação. Segundo parecer técnico apresentado pela defesa, o arquivo disponibilizado tem 214 GB, enquanto o relatório de extração cita 429 GB e outro documento do inquérito aponta aproximadamente 646 GB. A petição afirma que não há explicação nos autos para a diferença entre os volumes.
A defesa também questiona o chamado hash, código utilizado para verificar a integridade de arquivos digitais. Segundo os advogados, o código registrado pela polícia não corresponde ao calculado pelo perito no material entregue à defesa. O documento ainda aponta falta de informações sobre IMEI, número de série, lacres e registros da apreensão dos aparelhos, além de questionamentos sobre a origem e a preservação de dados obtidos em serviços de nuvem.
Com base no parecer, os advogados pedem que a 1ª Vara Especializada no Combate ao Crime Organizado determine uma perícia oficial no acervo digital para verificar sua integridade, integralidade e cadeia de custódia. A defesa também quer a suspensão da ação até a conclusão da análise e solicita que o perito contratado acompanhe o procedimento como assistente técnico.

















