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Consumo das famílias recua e expõe peso das dívidas e dos juros

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O consumo das famílias brasileiras recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026, após crescer 0,8% nos três primeiros meses do ano, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, a economia avançou 0,5%, mas perdeu força em relação ao crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre.

Para o economista Ricardo Julio Rodil, líder de Capital Markets da Cowe Macro, o resultado mostra o impacto do endividamento e dos juros ainda elevados sobre o orçamento doméstico. “Se você tem 100 para gastar, não tem como se endividar mais, já está gastando 80 em juros e parcelas já assumidas, só sobram 20. Se você precisa 25, acabou”, resume. Segundo ele, o consumo também é pressionado por gastos recorrentes e pelo uso do crédito para despesas básicas.

Embora o mercado de trabalho esteja em um momento positivo, com desemprego em mínima histórica e renda real em alta, Rodil avalia que o aumento dos gastos públicos e a falta de investimentos produtivos ajudam a manter a inflação e os juros elevados. Para ele, medidas que estimulem a compra de máquinas e equipamentos, reduzam custos de importação e ampliem o financiamento poderiam elevar a produtividade e permitir crescimento do consumo sem gerar a mesma pressão sobre os preços.

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Mesmo com a Selic em queda, de 15% para 14% ao ano desde março, o economista afirma que o nível dos juros ainda impede uma recuperação mais rápida. “Ainda tendo caído, é um nível estratosférico”, diz. Rodil, porém, mantém uma perspectiva positiva para o médio prazo e avalia que um avanço no controle da dívida pública poderia abrir espaço para cortes mais consistentes nos juros e para a retomada dos investimentos.

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