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Brasil deverá colher 67,6 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2026

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O Brasil deverá colher 67,6 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2026, segundo nova estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (24). O volume representa alta de 19,6% sobre a safra de 2025 e supera o recorde anterior, de 63,1 milhões de sacas, registrado em 2020. Com 99% da área já colhida, a projeção também ficou 900 mil sacas acima da previsão feita em maio.

Minas Gerais concentra a maior parte do avanço e deverá produzir 35,6 milhões de sacas, crescimento de 38,2%. O Estado responderá por 52,7% de toda a produção nacional e, sozinho, acrescentou cerca de 9,8 milhões de sacas à estimativa brasileira. A expansão foi favorecida pela bienalidade positiva do café arábica, pela distribuição das chuvas antes da florada e por condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento dos grãos.

O arábica será responsável pela maior parte da produção, com 48,2 milhões de sacas, alta de 34,8% em um ano. Já os cafés canéforas, que incluem conilon e robusta, devem recuar 6,6%, para 19,4 milhões de sacas. O Espírito Santo, principal produtor do grupo, deverá colher 16,5 milhões de sacas, queda de 5,4%, influenciada por floradas irregulares e baixas temperaturas. São Paulo terá 6,2 milhões de sacas, enquanto Bahia e Rondônia devem produzir 4,5 milhões e 2,9 milhões, respectivamente.

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A área total destinada ao café chegou a 2,35 milhões de hectares, avanço de 4,4%, e a produtividade média nacional subiu 13,8%, para 34,6 sacas por hectare. A maior oferta começa a aparecer também nas exportações: em agosto, o país embarcou 3,8 milhões de sacas, recorde para o mês e 43,2% acima de agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, porém, os embarques ainda registram queda de 6,6%, com 24,6 milhões de sacas.

Apesar da produção recorde, o mercado externo continua sendo influenciado pela demanda mundial. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta consumo de 179,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, alta de 3,6% e novo recorde. Os estoques globais devem se recuperar, mas permanecem próximos de níveis historicamente baixos, enquanto possíveis efeitos do El Niño sobre países produtores podem limitar a oferta internacional.

A perspectiva de maior disponibilidade brasileira, a proximidade da colheita no Vietnã e o aumento sazonal da produção colombiana tendem a limitar altas mais expressivas nas cotações. Os contratos futuros do arábica tiveram pequenas quedas na quinta-feira, de até 0,2%, indicando reação limitada do mercado ao novo número da Conab, que já era esperado pelos agentes.

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Para os produtores, a safra recorde amplia o volume disponível para comercialização, mas também aumenta a importância de fatores como qualidade, armazenamento e definição do momento de venda. Em Minas Gerais, onde está concentrada mais da metade da produção brasileira, o aumento da colheita reforça o potencial de recuperação da atividade e de expansão das exportações.

A combinação entre maior oferta brasileira e consumo mundial crescente deve manter o mercado atento ao equilíbrio entre produção, estoques e demanda. O desempenho das exportações nos próximos meses será um dos principais indicadores para medir como a safra recorde brasileira será absorvida pelos compradores internacionais.

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