Morre ex-ministro Raul Jungmann

O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu na noite do último domingo, 18 de janeiro, em Brasília, aos 77 anos. Ele lutava há anos contra um câncer no pâncreas e estava internado no hospital DF Star, onde recebia cuidados paliativos. Natural de Pernambuco, Jungmann teve uma longa trajetória política, iniciada no Partido Comunista Brasileiro (PCB) ainda durante a clandestinidade. Ao longo de sua carreira, ocupou cinco pastas ministeriais, incluindo Desenvolvimento Agrário (MDA) e Meio Ambiente (MMA) no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), e Defesa (MD) e Segurança Pública (MSP) no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Foi também presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Sua morte encerra uma trajetória que se confunde com a história da redemocratização brasileira.
Notas de pesar por Jungmann

A morte do ex-ministro Raul Jungmann repercutiu entre autoridades, que destacaram sua integridade e compromisso com a democracia. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, em nota, disse perder “um amigo querido” e elogiou a “rara integridade” e a “densidade republicana” de Jungmann, lembrando seu papel na consolidação da ordem constitucional de 1988. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também manifestou pesar, lembrando que a Casa concedeu a Jungmann uma “Moção de Louvor” em dezembro de 2025, em reconhecimento aos serviços prestados ao país. As homenagens ressaltam a trajetória de um político que, em diferentes governos, que sempre se manteve como defensor do Estado de Direito e do diálogo institucional.
ADPF contesta STF

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu no último sábado, 17 de janeiro, nota pública expressando “elevada preocupação” com as decisões do STF na “Operação Compliance Zero”, que investiga o Banco Master. A entidade afirma que as prerrogativas legais dos delegados estão sendo indevidamente mitigadas por determinações judiciais. A nota reconhece a atuação consolidada entre PF e STF, mas ressalta que o sucesso depende do respeito às atribuições constitucionais de cada instituição. A ADPF critica ordens que impõem prazos exíguos para diligências, determinam acareações fora do planejamento investigativo e ordenam a lacração e o desvio de materiais apreendidos. A associação também questiona a escolha nominal de peritos, prática alheia aos protocolos da PF. O cenário, considerado atípico, é visto como uma afronta à autonomia dos delegados e um risco à elucidação completa dos fatos.
Toffoli quebra sigilos de 101

E por falar no ministro Toffoli, ele autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas na “Operação Compliance Zero”, que apura um suposto esquema bilionário no Banco Master. A decisão também determinou o sequestro de bens que podem atingir R$ 5,7 bilhões, com base em indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais. A investigação, que tem como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, revela um suposto aproveitamento de vulnerabilidades do mercado de capitais. Em paralelo, a Polícia Federal emprega tecnologia avançada, incluindo a “Gaiola de Faraday”, para extrair dados completos de celulares apreendidos, mesmo quando desligados, o que tem causado apreensão em círculos políticos e empresariais de Brasília.
Discussão estratégica

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), preso na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, antes da decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que decidiu que o cumprimento da pena deveria acontecer na “Papudinha”, em meio a tensões familiares sobre a sucessão presidencial de 2026. A visita ocorreu após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro curtir uma publicação que chamava o governador Tarcísio de Freitas de “novo ceo do Brasil”, gesto visto como um aceno eleitoral. Ao deixar a PF, Flávio afirmou que não falava com Michelle há dois dias e que não cairia em “pegadinhas”, reafirmando sua candidatura. Ele contestou pesquisa Quaest que mostra Lula liderando com folga e Flávio tecnicamente empatado com Tarcísio, que tem o melhor desempenho em cenários de segundo turno.
A união da direita

Após a conversa com o pai, o senador Flávio Bolsonaro decidiu lançar abertamente sua nova estratégia para unificar a direita em torno de sua candidatura presidencial, visando alcançar o segundo turno das eleições de 2026. Em um vídeo divulgado nas suas redes digitais, ele pediu que apoiadores cessem ataques a outros nomes do campo, citando como aliados fundamentais o governador paulista Tarcísio de Freitas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Flávio afirmou que todos estarão “juntos no mesmo palanque no tempo certo” para derrotar o governo Lula. A unificação, no entanto, esbarra em resistências internas, com seus irmãos Carlos e Eduardo que veem com desconfiança as movimentações de Tarcísio e Michelle, interpretadas como uma tentativa de anular a influência do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
STF bloqueia emendas a ONGs

O ministro do STF, Flávio Dino, determinou na última quinta-feira, 15 de janeiro, o bloqueio imediato de repasses de emendas parlamentares a Organizações Não Governamentais (ONGs) e entidades do terceiro setor com vínculos familiares ou profissionais com os congressistas que as indicaram. A decisão atinge ao menos R$ 105,2 milhões já transferidos e surge diante de fortes indícios de malversação de recursos públicos. O ministro fundamentou a medida na vedação ao nepotismo e na lei de improbidade, afirmando que tais repasses não são compatíveis com o regime republicano. A ordem, dentro da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, suspende novos desembolsos e determinará auditorias sobre os repasses dos últimos quatro anos. A prática, conhecida como “emenda família”, desvia verbas públicas para entidades sem estrutura adequada, muitas vezes controladas por familiares ou ex-assessores dos parlamentares.
Bolsonaro na “Papudinha”

O ministro do STF, Gilmar Mendes, negou um pedido de habeas corpus que pedia a transferência para prisão domiciliar do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. O caso chegou até ele após o ministro Alexandre de Moraes se declarar impedido de analisar o pleito, por ser a autoridade coatora apontada na ação. O habeas corpus foi impetrado por um advogado não integrante da defesa oficial de Bolsonaro, que alegou condições inadequadas de saúde e de custódia. Em sua decisão, Gilmar Mendes reafirmou a jurisprudência do STF, que não admite esse tipo de recurso quando direcionado contra atos de outro ministro da Corte. Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe, teve sua prisão recentemente transferida da PF para a ala especial da Papudinha, após articulação política que incluiu uma reunião de Michelle Bolsonaro com Gilmar Mendes.
“Conselho da Paz” de Trump convida Lula

De acordo com informações de fontes ligadas ao Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um convite formal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o recém-criado “Conselho de Paz” para a Faixa de Gaza. A proposta, que faz parte de um plano de 20 pontos para encerrar o conflito entre os palestinos do grupo Hamas e o governo israelense, exige contribuições de R$ 5,36 bilhões por nação para membro permanente, condição vista por críticos como uma abordagem mercantilista. O governo brasileiro confirmou o recebimento via embaixada em Washington e iniciou análises detalhadas sobre os objetivos, composição e implicações financeiras do tal conselho. A resposta oficial de Lula deve ocorrer apenas na próxima semana, priorizando uma avaliação criteriosa para evitar precipitações.
Irmãos Batista & o petróleo venezuelano

De acordo com informações de fontes ligadas ao Planalto, os irmãos Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS, estão se movimentando para ampliar os investimentos no setor petrolífero da Venezuela, aproveitando a “janela de oportunidade” do acordo que vem sendo costurado entre o governo bolivariano, os interesses russos e chineses daquele país com o governo dos EUA de Donald Trump. Joesley Batista reuniu-se com a presidenta interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e com autoridades do gabinete de Trump, sinalizando que Caracas estaria disposta a liberalizar sua indústria de óleo e gás. O interesse da família foca no projeto Petrolera Roraima, com potencial de um bilhão de barris, e é conduzido por meio da empresa de energia Fluxus, que já possui ativos na Bolívia, na Argentina e na própria Venezuela.

























