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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Resistências ao Código de Condutas

Ministros como Alexandre de Moraes defendem que a ética dos magistrados já é estabelecida pela Constituição. (Foto: Rosinei Coutinho / STF)

De acordo com informações de fontes da Suprema Corte, o presidente daquele colegiado, Edson Fachin, vem enfrentando significativa resistência interna para tentar implementar um Código de Conduta para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta, anunciada no início de sua gestão, esbarra na oposição da maioria dos colegas, que consideram desnecessária a regulação formal de suas condutas. O incômodo central de Fachin reside na participação de ministros em eventos patrocinados por empresas com interesses na Corte e em palestras remuneradas, interpretadas como “aulas” para burlar restrições. Práticas como as viagens em jatinhos particulares ou a participação em eventos financiados por empresas, que têm interesses em ações em tramitação na Corte, são alvo de Fachin.

 

 

Dosimetria aprovada pelo STF

No entanto, fontes do Planalto veem a redução como exagerada e benéfica politicamente aos bolsonaristas. (Montagem sobre fotos de Antônio Augusto e Elaine Menke / STF Agência Câmara)

De acordo com fontes do “centrão”, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) teria afirmado a colegas que não considera o presidente Lula vetando o seu projeto de redução de penas para condenados por tentativa de golpe, aprovado pela Câmara. Segundo as fontes ouvidas pela coluna, a base de sua convicção, conforme relatou a vários parlamentares, é a aprovação prévia da nova dosimetria com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, relator dos processos do 8 de janeiro, que é seu “amigo pessoal”. O texto, aprovado na Câmara, reduz a pena do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro de 27 para cerca de 21 anos e permite regime semiaberto em 30 meses. A aprovação com amplo apoio do “centrão” em aliança com parlamentares bolsonaristas, é exemplo da convicção de que a proposta tem amparo na Suprema Corte, em que ministros avaliam, reservadamente, que a proposta não invade atribuições do Judiciário e pode ser uma “válvula de escape” contra pressões por anistia ampla.

 

 

Antifacção

Agora, os deputados voltarão a analisar as mudanças promovidas no Senado. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

De acordo com informações de fontes governistas e do “centrão”, a aprovação pelo Senado por unanimidade do “PL Antifacção”, que retorna à Câmara com alterações recupera pontos centrais da proposta original do governo, endurecendo penas para integrantes de facções, com condenações que podem chegar a 120 anos, limitando o regime de progressão de penas e destina os líderes em presídios federais de segurança máxima. Financiado por um imposto sobre apostas online (bets), o projeto visa modernizar instrumentos de investigação, como infiltração de agentes e interceptações, e cria um cadastro nacional de criminosos. A versão dos senadores rejeitou classificá-las como terrorismo, optando por atualizar a Lei de Organizações Criminosas.

 

 

Mandato preso

“O Supremo pode cassar essa decisão da Câmara. Não há uma união entre os poderes em prol do país, não existe política pública, não existe patriotismo, na verdade o que existe são disputas de poder que destroem efetivamente a convivência entre os poderes”, avaliou o jurista. (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)

O jurista Miguel Reale Jr. afirmou que a decisão da Câmara que manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) é “absolutamente inconstitucional” e que esta decisão pode ser cassada pelo STF. Na madrugada desta quinta-feira, 11, a Câmara rejeitou a perda do mandato de Zambelli ao não alcançar o quórum de 257 deputados. Votaram pela cassação 227 deputados, 30 a menos que o exigido. Zambelli está presa na Itália e condenada com trânsito em julgado por invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Reale Jr criticou a decisão, classificando-a como grave e um reflexo da disputa de poder entre os Poderes. Segundo ele, o entendimento recente da primeira turma do STF é de que a perda de mandato é automática para condenados que devem cumprir pena em regime fechado, inviabilizando o exercício do cargo.

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Mandado de segurança

Lindbergh promete elevar a pressão sobre a “bancada de foragidos”. No entanto, a prioridade imediata é a votação dos benefícios tributários para fechar o orçamento de 2026. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), anunciou nesta última quinta-feira, 11 de dezembro, uma ação legal e uma estratégia política de enfrentamento após a manutenção do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália. Segundo ele, foi protocolado um mandado de segurança no STF, dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, para exigir que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cumpra decisões judiciais que determinam o afastamento automático de Zambelli e do também deputado condenado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que fugiu para os EUA. A tese é de que o afastamento, com base no artigo 55 da Constituição, é uma decisão administrativa da Mesa, não sujeita a votação em plenário. Lindbergh acusa Motta de prevaricação e crime de responsabilidade por descumprir a ordem judicial e levar o caso à sessão da última quarta-feira, 10.

 

 

Motta pressionado

Hugo Motta, em agenda com jornalistas, ouviu relatos sobre os fatos de agressão à imprensa na última terça, 9, onde anunciou a abertura de uma sindicância para investigar o ocorrido com “rigor”, reafirmando o “compromisso da Casa com a liberdade de imprensa e a democracia”. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

Em meio às pressões pelo plano para cassar o mandato do deputado Glauber não ter funcionado, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que os benefícios fiscais não serão votados nesta semana, sendo adiados para a próxima. Em conversa com jornalistas, ele afirmou que reuniões com o relator da matéria, deputado Mauro Benevides (PDT-CE), serão realizadas na segunda-feira, 15, para definir a pauta, incluindo a reforma tributária. Motta declarou que o relatório final será apresentado ao colégio de líderes, e a partir disso a pauta de votação será definida. Para esta sexta-feira, 12, a agenda contém apenas projetos de conselhos, sem nenhum de maior destaque. O presidente também sinalizou que poderá falar com a imprensa sobre os acontecimentos da última terça-feira, mantendo o espírito de diálogo.

 

 

Motta pressionado 2

Segundo apurou a reportagem desta coluna, a avaliação de Lira é compartilhada por boa parte dos deputados do “centrão” e estudam até interromper o mandato de Motta para eleger Lira novamente presidente da Casa. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

De acordo com informações de fontes do “centrão”, o ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), teria criticado duramente a condução da Casa pelo seu sucessor, Hugo Motta, após a suspensão, e não cassação, do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Em grupos de mensagens e a interlocutores, Lira classificou a gestão de Motta como “uma esculhambação” e afirmou que o parlamentar paraibano está “desmoralizado” e é “uma decepção”. Lira teria dito a interlocutores que, se estivesse no comando, Glauber teria sido cassado com mais de 400 votos. O ex-presidente da Casa demonstrou irritação com a decisão de Motta de usar a Polícia Legislativa para retirar a imprensa e de pautar projetos sem acordo amplo, como o da redução de penas. O ex-presidente, padrinho político de Motta, defendeu ainda que o processo da deputada Carla Zambelli (PL-SP) deveria ter sido adiado, pois sua perda de mandato seria decretada por faltas.

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Motta pressionado 3

Motta joga a culpa pela interrupção do sinal da TV Câmara na decisão que teve para retirar os jornalistas do plenário de uma remoção forçada do deputado Glauber Braga. A interrupção do sinal é considerada uma violação da lei que exige transmissão integral das sessões. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

Em respostas às pressões, Motta distribuiu nota oficial dois dias após às graves ocorrências ocorridas na terça, 9, informando que a decisão de interromper o sinal da TV Câmara aconteceu devido a “conduta antirregimental” do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que descumpriu o regimento ao não ceder a presidência ao quarto-secretário, deputado Sérgio Souza (MDB-PR) e, depois, afirmou que não deixaria a cadeira, impossibilitando a continuidade dos trabalhos. Diante disso, o presidente Hugo Motta determinou a suspensão da sessão, o que, por procedimento técnico, levou a TV Câmara a transmitir outro evento. A nota explica que a Polícia Legislativa solicitou a retirada de pessoas do plenário por segurança e que, após tentativas de negociação, foi necessária a remoção do parlamentar. Motta lamentou os transtornos à imprensa, negou a intenção de limitar o trabalho jornalístico e afirmou que os relatos serão incorporados à sindicância em curso para apurar eventuais excessos.

 

 

Pressão sobre o bolsonarismo

A movimentação ocorreu um dia após a Câmara aprovar o projeto que transforma a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro em redução de penas. (Foto: Michel Jesus / Agência Câmara)

Em uma fala com objetivo de pressionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a desistir da pré-candidatura ao Planalto, o presidente nacional do PSD e secretário de Governo do estado de São Paulo, Gilberto Kassab, reafirmou na última quarta-feira, 10, o apoio do partido ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a Presidência em 2026. Em evento na capital federal, Kassab declarou: “Se o Tarcísio for candidato, o PSD vai apoiá-lo”. Caso o governador paulista não concorra, o partido tem dois pré-candidatos próprios: os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Questionado sobre o senador Flávio Bolsonaro, que oficializou sua pré-candidatura, Kassab desejou boa sorte, mas deixou claro que o PSD já tem seu caminho definido.

 

 

Sem mandato

O ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão da Câmara que manteve o mandato de Carla Zambelli e decretou a perda do cargo e a convocação do suplente em 48 horas. (Foto: Luiz Silveira / STF)

A pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, se elevou por todos os lados após a decisão do ministro Alexandre de Moraes anular a votação que não cassou o mandato da deputada presidiária, na Itália, Carla Zambelli (PL-SP), e decretou a perda imediata de seu mandato. Fontes do “centrão” não descartam pressioná-lo ainda mais para renunciar ao cargo ou até mesmo retirá-lo por um processo de impeachment, em virtude do corte do sinal da TV Câmara. A ordem do STF, que considerou nula a decisão do plenário por inconstitucionalidade, determinou que Motta dê posse ao suplente de Zambelli em 48 horas. O ato judicial, somado à insatisfação generalizada com sua gestão e à grave acusação de censura, coloca o mandato do presidente em risco iminente.

 

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