Por Onofre Ribeiro | Em 1975 o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano – CNDU, do Ministério do Interior, previu em estudos regionais que, qualquer que fosse a orientação do crescimento urbano e econômico do Brasil, Cuiabá teria 1 milhão de habitantes no final da década de 1990. Não chegou a 500 mil em 2000. Em 2020 chegou aos 600 mil.
A conclusão parece muito clara. Cuiabá nunca será uma metrópole como Goiânia, por exemplo. Será uma cidade razoavelmente compacta. As demais cidades da Baixada Cuiabana, pode ser que, juntas, somem 1 milhão de habitantes mais de 20 anos depois da previsão do CNDU.

Porém, se não for uma metrópole, será certamente uma cidade cosmopolita. Aliás, sempre foi. Embora fosse uma pequena cidade perdida no interior do Brasil até o começo da grande ocupação a partir dos anos 1970, sempre teve ares de modernidade humanística. Assimilou logo as vantagens de Brasília no Centro Oeste a partir de 1960. Os jovens que antes estudavam no Rio de Janeiro, passaram a estudar em Brasília e assimilar os grandes ares de modernidade da capital do país. Já não se respirava ares da antiga corte carioca. O olhar moderno de Brasília. Bom lembrar que Brasília arrebentou os currais das fazendas de gado do interior do Brasil e abriu olhares para o futuro.
Hoje o Centro Oeste tem, sem dúvida, a cara do Brasil do futuro. Bem longe do litoral colonizado pela Coroa Portuguesa no Período Colonial.
Cuiabá assimilou essa novidade que Brasília trouxe. Na década de 1970 a ocupação da Amazônia no projeto de “Integrar pra não Entregar”, ganhou ares de “Portal da Amazônia”. Era a chegada do Brasil conhecido, e saída para o Brasil amazônico, direção norte.
Entre a chegada-Sul e a saída-Norte, um novo mundo nasceu. Dentro do espírito de Brasília, cuja missão seria construir “uma nova civilização no coração do Brasil”, de fato, nasceu um mundo novo. Economicamente forte e humanamente miscigenado. Culturas novas. Olhares novos.
O futuro já está traçado. Será a referência geodésica do Centro Oeste. De um lado, Brasília. De outro Mato Grosso. Na ponta, Cuiabá
Entre o Sul e o Norte, no coração geodésico Cuiabá reforçou sua posição de capital cosmopolita. Aquela que tem todas as caras, sem perder a sua cara colonial. No silêncio da arquitetura colonial, barroca, no linguajar típico, na percepção espiritual.
O futuro já está traçado. Será a referência geodésica do Centro Oeste. De um lado, Brasília. De outro Mato Grosso. Na ponta, Cuiabá.
A mistura genética. As culturas miscigenadas nesses últimos 50 anos. A cultura nova. A missão de aglutinar o coração de uma região central do país, onde a produção de alimentos vai determinar missões muito grandes no campo internacional.
O mundo pós-pandemia sairá muito modificado. As referências culturais tradicionais não serão as que regerão o mundo futuro. A modernidade só fará sentido se tiver a percepção cosmopolita. Esta será a missão de Cuiabá nesses próximos anos. Em grande velocidade. Em breve, o doce falar do “cadju”, será produto de exportação e de referência da “terra onde jorrará o leite e o mel”, previstos na profecia de 200 anos, de Dom Bosco. O mesmo que previu Brasília…
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso



















