Uma colheitadeira nova pode custar cerca de R$ 2 milhões, valor que dificulta a aquisição do equipamento por pequenos e médios produtores. Para reduzir esse custo e atender às necessidades pontuais da safra, o agrônomo Werther Ferreira, de Uberlândia (MG), criou uma plataforma digital que conecta produtores a proprietários de máquinas agrícolas disponíveis para locação.
O negócio começou com investimento de R$ 100 mil e hoje reúne cerca de 3 mil máquinas cadastradas, 1.200 produtores e 1.500 prestadores de serviço em diferentes regiões do país. A plataforma funciona como um marketplace: o produtor informa a operação que precisa realizar e recebe opções de equipamentos. A empresa cobra comissão de 5% a 15% sobre as transações. “O custo das máquinas aumenta a cada atualização tecnológica, mas elas trabalham apenas em pequenas janelas de tempo e passam muitos meses paradas. Nossa ideia foi justamente aumentar a utilização desses ativos”, afirma Ferreira.
Para o produtor rural Laerte Neto, a solução ajudou a reduzir um problema que já havia provocado prejuízos. Dono de uma fazenda de cerca de 700 hectares, ele estima que seu parque de máquinas valha entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões, mas não possuía colheitadeira própria. “Eu não tinha colheitadeira própria e estava enfrentando problemas com prestadores de serviço. Uma colheita mal executada chegou a gerar prejuízos de cerca de R$ 400 por hectare”, conta. Depois de encontrar um parceiro pela plataforma, passou também a disponibilizar suas próprias máquinas quando estão ociosas.
A empresa atua em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, café e reflorestamento. Em 2025, foram cerca de 250 operações, e a projeção é chegar a 350 na próxima safra, com faturamento anual de aproximadamente R$ 5 milhões. Para Ferreira, a expansão do modelo acompanha a profissionalização do campo e a necessidade de reduzir capital imobilizado em equipamentos. “O fazendeiro virou produtor rural e hoje é um empresário rural. As propriedades passaram a ser encaradas como empresas, onde cada investimento precisa gerar retorno”, afirma.



















