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Agricultores franceses bloqueiam Paris em protesto contra acordo UE-Mercosul

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Na manhã desta quinta-feira (8/1), agricultores franceses realizaram protestos em Paris, bloqueando vias principais e pontos turísticos, incluindo a Champs-Élysées, o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel. Dezenas de tratores interditaram rodovias estratégicas, como a A13, causando congestionamentos de cerca de 150 km.

O protesto é contra a possível aprovação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, negociado há quase 25 anos. Os agricultores temem que a entrada de produtos mais baratos do Mercosul prejudique o setor europeu e criticam o governo francês pela gestão da dermatite nodular contagiosa, doença que afeta o rebanho bovino. Eles defendem a vacinação dos animais em vez do abate adotado pelas autoridades.

“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Há um sentimento de abandono, e o Mercosul se tornou o símbolo disso”, disse Stephane Pelletier, do sindicato Coordination Rurale.

Decisão iminente em Bruxelas

A decisão sobre o acordo deve ocorrer até o fim da semana, com reunião de embaixadores prevista para sexta-feira (9/1). O apoio da Itália foi considerado crucial para o avanço do tratado, já que o país aceitou antecipar recursos agrícolas no orçamento europeu e ampliar investimentos no setor entre 2028 e 2034.

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Apesar de concessões obtidas pela França, Emmanuel Macron ainda não confirmou seu endosso ao acordo, enquanto Alemanha e Espanha já manifestaram apoio. As concessões negociadas incluem a limitação das cotas de importação a 1,5% do consumo europeu e a manutenção de exigências sanitárias, como proibição de hormônios e antibióticos na produção animal.

Repercussão política e diplomática

O Le Monde, em editorial, criticou a postura francesa, afirmando que a tentativa de bloquear o acordo deixou o país isolado diplomática e politicamente, aumentando o risco de desgaste interno e crise agrícola.

Expectativa no Brasil

O governo brasileiro acompanha o processo de perto. Segundo Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior, as negociações estão concluídas, faltando apenas a autorização das instâncias da UE para assinatura do acordo, que encerraria uma das negociações comerciais mais longas da história recente da União Europeia.

O desfecho definirá novas relações comerciais entre o bloco europeu e os países do Mercosul, com impacto potencial para exportações brasileiras.

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