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Bokashi: fertilizante natural do Japão que impulsiona a agricultura orgânica

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De origem japonesa, o fertilizante Bokashi tem ganhado espaço no Brasil por oferecer vigor e saúde às plantas. A palavra significa “matéria orgânica fermentada” e se refere a um adubo natural, altamente nutritivo, que melhora a vida biológica do solo e a absorção de nutrientes pelas plantas. Muito utilizado na agricultura orgânica e no cultivo de orquídeas, o produto pode chegar a custar até R$ 25,00 por quilo no mercado.

No município de Anchieta, no extremo oeste de Santa Catarina, a equipe da EPAGRI viu no Bokashi uma solução acessível para produtores locais. A demanda surgiu da Associação de Orquidófilos e Olericultores Orgânicos da cidade. A produção artesanal começou a ser incentivada em 2014, com a realização de uma oficina voltada à fabricação do adubo. O curso contou com a participação de 14 mulheres envolvidas na agricultura familiar e no cultivo de orquídeas, tradição na região.

Segundo o engenheiro agrônomo Ivam Canci, extensionista da EPAGRI, a iniciativa foi um sucesso. Desde então, outras capacitações foram promovidas, e hoje essas agricultoras dominam todas as etapas do preparo do Bokashi.

Feito com ingredientes acessíveis — como melado, farelo de arroz, pó de rocha, fosfato natural, soro de queijo e restos vegetais —, o Bokashi é um composto orgânico de alta qualidade. Ele pode ser usado em hortas, jardins, pomares e plantas ornamentais. O produto contém micro e macronutrientes balanceados, além de microrganismos benéficos, como fungos, bactérias, actinomicetos e micorrizas, que ativam a vida no solo e fortalecem a imunidade das plantas.

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Economia e autonomia no campo

Uma das grandes vantagens do Bokashi é o custo de produção: em Anchieta, o quilo do composto artesanal custa cerca de R$ 1,30. Isso representa uma economia significativa, além de garantir maior autonomia aos agricultores, já que a maioria dos ingredientes é encontrada nas próprias propriedades.

O adubo pode ser aplicado diretamente no solo, ao lado das plantas, ou incorporado de forma leve. Em hortaliças, a recomendação é de 200 gramas por metro quadrado. Também pode ser usado na forma líquida, por pulverização, com concentrações entre 5% e 20%, de acordo com a orientação técnica.

Etapas de preparo

A produção do Bokashi envolve três etapas principais:

1. Fermentação sólida: Mistura de folhas decompostas de mata nativa, farelo de trigo ou arroz, melado, água, leite ou soro de queijo, pó de rocha e fosfato natural. Após a mistura, o material é compactado em bombonas e fermentado por 30 dias.

2. Fermentação líquida: Utiliza-se parte da massa fermentada da primeira etapa, farelo, melado, leite, pó de rocha e água morna não clorada. A mistura é fermentada por 15 dias em bombonas vedadas, com válvula para saída de gases. O líquido resultante pode ser aplicado no solo ou pulverizado nas plantas.

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3. Composto final: Farelo, torta de soja ou amendoim, restos de varrição, farinha de osso ou peixe, fosfato natural, pó de rocha, açúcar mascavo diluído e o Bokashi líquido da segunda etapa são misturados. A massa é monitorada diariamente por sete dias, com controle de temperatura e umidade. O composto seco é então armazenado em local fechado.

A receita rende cerca de 110 kg de fertilizante pronto para uso. Segundo Ivam Canci, qualquer agricultor pode produzir Bokashi, desde que siga as orientações técnicas iniciais. O método tem fortalecido a produção orgânica e sustentável em Anchieta, unindo conhecimento tradicional, ciência e economia.

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