A suspensão das regras que preveem a redução do uso de lenha de vegetação nativa por grandes indústrias de Mato Grosso colocou em xeque investimentos estimados em R$ 10 bilhões para ampliar as florestas de eucalipto no Estado. Os projetos têm como principal destino as usinas de etanol de milho, que avançam e aumentam a demanda por biomassa para geração de energia e calor.
O impasse surgiu após o governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual firmarem, em junho, um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) para promover a substituição gradual da madeira nativa por biomassa de florestas plantadas e de manejo sustentável. A publicação do decreto que regulamentaria as medidas, porém, foi suspensa pela Procuradoria-Geral do Estado após o governo pedir alterações no acordo.
O setor florestal afirma que a indefinição dificulta decisões de longo prazo. Mato Grosso tem cerca de 165 mil hectares de eucalipto e a expectativa é chegar a 400 mil hectares até 2030. A expansão é impulsionada pelo setor de etanol de milho, que já reúne 14 das 29 usinas de etanol de grãos em operação no país, além de novos empreendimentos em construção e projeto.
A preocupação aumentou com a proposta de permitir que grandes consumidores mantenham até 5% da demanda energética atendida por madeira nativa. Como o primeiro corte do eucalipto ocorre, em geral, seis ou sete anos após o plantio, produtores precisam de previsibilidade para calcular custos e demanda futura. O setor agora aguarda a decisão do governo sobre o decreto e as mudanças no acordo, enquanto os investimentos permanecem condicionados à definição das novas regras.



















