A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande virou alvo de uma decisão da Justiça e foi suspensa nesta terça-feira (13). O juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública, determinou a paralisação imediata da votação do biênio 2027/2028, que estava marcada para esta quinta-feira (14).
A decisão atende a um mandado de segurança apresentado por vereadores contra um ato do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB). O magistrado entendeu que a eleição estava sendo realizada cedo demais, com 232 dias de antecedência, contrariando entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que prevê que esse tipo de votação deve ocorrer apenas a partir de outubro do ano anterior ao mandato.
Na decisão, o juiz destacou que a eleição marcada para maio desrespeita o critério de contemporaneidade definido pelo STF, já que a posse da nova Mesa Diretora só aconteceria em janeiro de 2027. O magistrado afirmou ainda que não poderia validar um ato que contraria decisões vinculantes da Corte Suprema.
O juiz também ressaltou o risco de “irreversibilidade” caso a sessão fosse realizada. Por isso, determinou a suspensão imediata do ato convocatório e proibiu a realização da sessão específica para a eleição, sob pena de medidas legais.
A disputa pela presidência da Câmara já movimenta os bastidores políticos da cidade. Um dos candidatos é o próprio Wanderley Cerqueira, que encabeça a Chapa 1 e tenta continuar no comando da Casa. Considerado um dos principais opositores da prefeita Flávia Moretti, ele vem sendo acusado por aliados da gestora de tentar derrubá-la “no tapetão”.
Do outro lado está o vereador Lucas Chapéu do Sol (PL), representante da Chapa 2 e aliado político de Flávia Moretti.
A disputa ganhou ainda mais peso político porque o vencedor da eleição poderá assumir não apenas a presidência da Câmara, mas também o comando da Prefeitura em eventuais ausências da prefeita. Isso porque Tião da Zaeli renunciou ao cargo de vice-prefeito em março deste ano.
Relembre a denúncia
A suspensão da eleição acontece em meio a uma denúncia explosiva encaminhada ao Gaeco, que investiga supostos bastidores obscuros envolvendo a disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O documento relata um suposto “confinamento” de vereadores em uma chácara na região da Guia, além da suspeita de uso de dinheiro em espécie para compra de votos. A propriedade citada seria do vereador Dr. Miguel (Cidadania), apontada como uma espécie de “quartel-general” do grupo político.
Segundo a denúncia enviada ao Ministério Público, parlamentares estariam sendo mantidos no local sob escolta até a realização da sessão. O texto também cita a presença de policiais à paisana e um suposto esquema envolvendo valores em dinheiro. Ainda conforme o relato, o plano iria além da disputa pela presidência da Câmara e teria como objetivo enfraquecer a prefeita Flávia Moretti, mirando inclusive o controle do Departamento de Água e Esgoto (DAE), em meio a alegações de interesses ligados à futura privatização da autarquia.


























