A reafirmação da candidatura ao governo, a possível expulsão de Topázio Neto e a intervenção da direção nacional do partido colocam o PSD no centro da disputa política catarinense para 2026.
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João Rodrigues reage e mantém candidatura
A coletiva concedida pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, nesta sexta-feira (13), mudou novamente o clima político em Santa Catarina. Após um dia inteiro de especulações sobre uma possível desistência, o prefeito foi direto: continua pré-candidato ao governo pelo PSD.
A frase que marcou o encontro com a imprensa resumiu o tom da reação:
“Mexeram com o grupo errado.”
A declaração foi interpretada como resposta direta ao ex-governador Jorge Bornhausen, que havia afirmado publicamente que Rodrigues desistiria da disputa.
Ao reafirmar sua candidatura, Rodrigues transformou a pressão interna em afirmação política e colocou novamente o PSD no centro do debate eleitoral.
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A direção estadual do partido sustenta o projeto
A manutenção da candidatura ganhou respaldo do presidente estadual do PSD, Eron Giordani, que afirmou ter conversado com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, e também com o governador do Paraná, Ratinho Júnior, uma das principais lideranças do partido no cenário nacional.
A mensagem da direção estadual foi clara: o projeto de candidatura ao governo permanece.
A participação de Ratinho Júnior nas conversas não é detalhe. O PSD trabalha nacionalmente com a possibilidade de lançar candidatura própria à Presidência da República em 2026, e para isso precisa manter palanques competitivos nos estados.
Santa Catarina é considerada estratégica nesse desenho.
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O fator Topázio e o estopim da crise
A crise interna dentro do PSD ganhou força após o posicionamento do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que declarou publicamente apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL).
Para o grupo de João Rodrigues, esse posicionamento é incompatível com um partido que pretende disputar o governo do estado.
Além disso, dirigentes do PSD acusam Topázio de ter trabalhado para lançar seu chefe de gabinete, Fábio Botelho, como candidato a deputado estadual pelo Podemos, o que seria interpretado como movimento contrário aos candidatos do próprio partido na Grande Florianópolis.
Diante desse cenário, a executiva estadual do PSD marcou para segunda-feira uma reunião que poderá deliberar sobre a expulsão de Topázio do partido.
Se confirmada, será uma das rupturas internas mais relevantes da política catarinense recente.
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Bornhausen perde protagonismo no episódio
Outro efeito político da crise foi o questionamento da influência de Jorge Bornhausen dentro do PSD estadual.
A afirmação pública do ex-governador sobre a desistência de João Rodrigues foi desmentida horas depois pela própria direção do partido.
Nos bastidores, o episódio é interpretado como sinal de que a condução política do PSD catarinense está migrando para um novo grupo de lideranças.
O fato de Kassab e Ratinho Júnior terem sido acionados também indica que a definição sobre o projeto eleitoral do partido no estado passa a ser acompanhada diretamente pela direção nacional.
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Impactos na disputa pelo governo
A permanência de João Rodrigues na corrida ao governo recoloca competitividade na eleição estadual.
O prefeito de Chapecó vinha sendo apontado como o principal nome capaz de disputar o eleitorado conservador fora da órbita direta do governo estadual. Sem ele na disputa, a reeleição de Jorginho Mello poderia encontrar menos resistência no campo da direita.
Com Rodrigues no jogo, a eleição volta a ter um cenário mais aberto, especialmente pela força política do Oeste catarinense, região onde o prefeito construiu sua base eleitoral.
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Reflexos no Senado
A decisão de permanecer na disputa pelo governo também influencia o tabuleiro da eleição ao Senado.
Nos bastidores, chegou-se a cogitar que Rodrigues poderia migrar para uma candidatura ao Senado caso desistisse da corrida ao governo. Com sua permanência na disputa estadual, o cenário volta ao desenho anterior.
A disputa pelas duas vagas ao Senado tende a continuar concentrada nos nomes que já circulam na política catarinense, entre eles Carol de Toni, Esperidião Amin e a possível candidatura de Carlos Bolsonaro.
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PONTO DE VISTA
A crise dentro do PSD revela algo que vai além de uma disputa interna de partido. Ela mostra que o processo eleitoral catarinense já entrou em uma fase decisiva de posicionamento político.
João Rodrigues decidiu reagir à pressão reafirmando sua candidatura ao governo e transformando um conflito interno em demonstração pública de liderança. Ao fazer isso, recolocou o PSD no centro do tabuleiro eleitoral e expôs as divergências estratégicas que atravessam a sigla.
O episódio também evidencia uma característica recorrente da política catarinense: partidos que governaram ou já estiveram próximos do poder dificilmente aceitam perder protagonismo sem disputa.
Com a campanha eleitoral se aproximando, cada movimento passa a ter peso estratégico. O governo trabalha para ampliar sua base política e reduzir resistências. A oposição busca organizar um projeto competitivo antes que o cenário se consolide.
O que está em jogo agora não é apenas uma candidatura. É a definição de quem comandará o campo político que pretende disputar o poder em Santa Catarina.
E, depois da coletiva desta sexta-feira, uma coisa ficou clara: João Rodrigues decidiu não apenas continuar na corrida pelo governo — decidiu também disputar a liderança política dentro do próprio partido.


























