O Setembro Amarelo é a campanha nacional dedicada à prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, e muitos desses casos poderiam ser prevenidos com atenção, escuta e intervenção precoce. Pensando nisso, conversamos com a psicóloga Lohanda Marta Oliveira, que atua há seis anos na área, para esclarecer sinais de alerta, formas de prevenção e a importância de quebrar o tabu que ainda envolve o tema no Brasil.
RDM online: E sobre o Setembro Amarelo, qual é a importância dessa campanha para a psicologia e para a população?
Lohanda: Para a psicologia, é essencial. É um mês que evidencia o trabalho de prevenção e cuidado. Para a população, funciona como alerta, mostrando que o suicídio não é tabu, que o sofrimento é real e que é preciso falar sobre isso. Muitas pessoas sofrem em silêncio, e a campanha serve para mostrar que ajuda existe.
RDM online: Quais sinais familiares ou amigos podem observar em alguém em risco?
Lohanda: Mudanças de comportamento são os sinais mais importantes. A pessoa pode se isolar, abandonar a rotina, ficar mais quieta ou sonolenta. Ela pode dizer frases como “não vejo mais sentido” ou “não aguento mais”. São sinais claros de alerta de que algo grave está acontecendo.
RDM online: E quando alguém percebe esses sinais, como pode ajudar?
Lohanda: Primeiro, escutar sem julgar. Não diga “isso é frescura” ou “você não vai se matar”. A escuta genuína faz a pessoa se sentir compreendida. Depois, encaminhe para especialistas — psicólogo, psiquiatra, UPA, CAPS ou mesmo o CVV, que funciona 24 horas. Reconhecer que alguém precisa de ajuda é fundamental para salvar vidas.
RDM online: O suicídio ainda é um tabu. Como o Setembro Amarelo ajuda a mudar isso?
Lohanda: A sociedade muitas vezes interpreta depressão ou ideação suicida como preguiça ou frescura, mas não é. São doenças reais, com sintomas físicos e químicos. Quem está em sofrimento busca acabar com a dor, não a morte em si. A campanha ajuda a população a entender, desmistificar e divulgar o conhecimento, evitando tragédias.
RDM online: Quais outros sintomas indicam risco?
Lohanda: Além do isolamento, mudanças súbitas de comportamento, afastamento social e expressões de desesperança. Impactos na vida, como perdas, término de relacionamentos ou dificuldades financeiras, podem precipitar a crise.
RDM online: Como familiares e amigos devem agir?
Lohanda: Conversar de forma presente e acolhedora, sem acusar, oferecendo esperança e perspectiva de futuro. A comunicação é uma ferramenta poderosa para prevenção.
RDM online: Algum caso marcante que mostre a importância da intervenção?
Lohanda: Tive uma adolescente com ideação suicida. Criamos vínculo de confiança, ela compartilhou detalhes do que planejava e conseguimos agir a tempo. O vínculo profissional e familiar pode salvar vidas.
RDM online: Para encerrar, qual mensagem a senhora deixa sobre a campanha?
Lohanda: Falar e ouvir são fundamentais. O silêncio não ajuda quem sofre. Sempre esteja presente, escute, ofereça apoio e mostre esperança. A comunicação é, muitas vezes, a diferença entre a vida e a morte.
Se você ou alguém que você conhece está passando por momentos difíceis ou pensando em se machucar, saiba que não está sozinho.
O CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia. Você pode conversar com um voluntário pelo telefone 188, pelo WhatsApp ou chat online no site www.cvv.org.br


















